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Pupila



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MensagemEnviada: Dom Nov 01, 2009 9:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A Madre Superiora, com sua voz suave e bondosa responde:
- Aqui é a casa de Deus, logo, não negamos ajuda aos irmãos que nos procuram.
Olhando para a irmã Lúcia e irmã Rita, pede para que arrumem o quartinho do lado de fora, no pátio, para que os forasteiros possam descansar. Lúcia, ainda com seu olhar desconfiado e contrariada, obedece.
Enquanto isso, a Madre oferece aos dois homens uma caneca de leite e pão. Eles, gentilmente agradecem e a seguem até o refeitório.
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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Qua Nov 04, 2009 7:33 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Mal se movem as peças em presença… abre-se uma porta pequena e entra uma noviça esgrouviada, com um avental sobre um vestido rodado e comprido, umas botas altas visíveis por baixo dessa vestimenta um pouco ruça pelo uso mas que lhe dá uma bela figura, alta e bem desenhada de busto perfeito e corpo bem proporcionado ao cair da saia. Vê os visitantes e retrai-se como se quisesse dar meia volta, mas fica pregada ao chão de olhos fitos nos cavalheiros cavaleiros. O mais alto sorri ao ver o espanto da jovem e acha por bem não prolongar o momento gerado pela entrada da rapariga, com todos os olhares agora a ela dirigidos, diz:
– Vejo que sendo não muito grande a Vossa congregação, no seu seio alberga juventude.
Dito isto dirige o seu olhar para a Madre Superiora, sorri delicadamente a Lúcia que sempre parece observá-lo sem fazer cerimónia, de forma altiva. Deste modo, desvia as atenções da rapariga que dá passos ligeiros e sai correndo. Possivelmente a caminho da cozinha, pois leva produtos vegetais da horta.

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João Dinato Ferreira



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MensagemEnviada: Qui Nov 05, 2009 7:13 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Não demorou-se a rapariga, mas o suficiente para o malandro deitar-lhe os olhos, de cima a baixo, e descobri-la num gesto que não revelava qualquer vocação, senão a fagulha comum a uma jovem nos esplendores da forma.

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Ao encontro da arte, no verso...
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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Qui Nov 05, 2009 8:51 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Entenda-se o malandro como todo o homem com a veia com que veio ao mundo para procurar na mulher a fêmea que mia e canta, como o amor nos espanta no cio onde gatos e gatas se acasalam. A moça é uma gata, os cavalheiros gatos sabidos para quem a experiência de vida já é refinada ciência no envolvimento amoroso. Sendo a sedução uma arte na classe onde se desenvolve o lazer, dando à busca de prazer tempo e alimento para bens de espírito como são os livros eróticos transacionados entre amigos, como também o serão transas secretas entre casais discretos, secretos ou discretamente perversos. Faz parte desta história a história recente destes dois amigos, os mesmos terão lido “Prazeres Conventuais” e um deles leva a obra num bolso interior da sua batina que bem podia ser de padre, não fosse dum azul escuro aveludado e quente apetecível à vista e toque. Tanto a capa deste cavalheiro chama a atenção que, quando seguindo a Madre entram para uma sala ampla e nua onde se reconhece ser um refeitório de duas mesas corridas e bancos compridos a ladear, discretamente mãos femininas roçam a batina deixando-a tocar seus dedos que a procuram. Mas que dizer do capote duro e teso, preto dum negro escuro e áspero onde podem sentir os pelos eriçarem-se sobre a pele dos braços e nos finos fios do cabelo junto ao pescoço na nuca do outro cavaleiro? Só entrando nos sentidos do que possa sentir cada uma das nossas personagens poderíamos saber, vamos ver como se distribuem numa das mesas e quem fica a fazer as honras da casa.

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Dom Nov 08, 2009 10:51 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Um narrador original tem sempre múltiplos e variados modos de dar continuidade à narração sem precisar de ir atrás da história, senta-se e espera que a história o visite. Todos somos leitores, já apercebemos que as boas histórias são como os sonhos, prolongamos a sua leitura tentando dela não sair. Sendo igualmente curioso o fenómeno de podermos sentir estar a sonhar, havendo por tanto uma liberdade enorme para a surpresa que é como a natureza improvisa todos os cambiantes das mudanças atmosféricas com os quais nos brinda.
Temos uma mesa perdida no cenário duma sala que julgamos esteja perto da cozinha, pois Joana entrou por uma pequena porta próxima daquela que utilizámos e deve estar a ajudar a cozinheira. Saber se o está a fazer a esta hora obriga-nos a ver as horas, a saber a história. Não é pior imaginar, é mesmo melhor neste momento pensar que mesmo sem sabermos nada sabemos tudo o que é necessário para nos aguçar a imaginação ter a informação de ela ter, e lhe ser permitido esse ter, ter um diário que ela diariamente actualiza.
(«Já Bocage não sou»…)


Vamos imaginar uma história contada a várias mãos, deste modo pegarás no texto anterior e darás à “estampa”. Imprimir já nem é necessário para publicar, ficamos na virtualidade. A realidade torna-se mais relativa? A realidade é o dado absoluto das nossas vidas, as narrativas permitindo contá-la deixa-nos contar com a realidade duma forma quase mágica, um pouco como se manipulássemos os sonhos. O que sempre fazemos, tirando caso dos pesadelos que nos atiram para fora do sono e nos despertam violentamente para o medo, horror e insónia. Nada que nos preocupe, estamos na presença duma comunidade conventual. Quanto ao livro na capa dum dos marialvas, aposto tratar-se dum livro com receitas de doces, levado para entreter conversa com a Madre superior. A mesma parece não estar para conversas, não sei o que ela foi fazer, talvez rezar. Eu, agora, ora… vou dormir.
Como podes calcular tudo isto faz sentido, eu escrevo-te uma carta, tu, se quiseres publicas. Eu, não recebendo a carta que te envio, percebo não te dar esse trabalho, ponho aspas na parte que atribuo ao Bocage e voa viage…
Garantidamente vai haver lugar para o Elmano Sadino (Bocage) poder assinar partes desta história, um dos cavaleiros faz poesia erótica. O outro é dramaturgo, ambos são uns galãs de pacotilha. Cá me assino com o nome que dizia não usar, não à azar, um dos seus significados é sorte.
Boa semana!
Mina

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jcm-medeiros



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MensagemEnviada: Sex Nov 13, 2009 12:44 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Em todos os botecos há um louco que chega falando sozinho... Cumprirei o papel. Na verdade, navegando pelo fórum do Recanto das Letras, achei uma pergunta muito interessante: "Como podemos considerar boa ou ruim uma poesia?" - Pensei: difícil responder, mas vendo que a maioria estava caindo para um lado muito subjetivo, com respostas do tipo: poesia é sentimento, é quando vem do coração... Decidi, pretensiosamente, deixar uma resposta que trouxesse um ponto de vista mais crítico e a reproduzo aqui, porque, como já tive ocasião de dizer pessoalmente ao nosso querido Francisco Coimbra, acho um tema fascinante, e é uma discussão que se perdeu em nosso tempo, restrita apenas aos círculos acadêmicos:

Citação:
Há muitos pontos a serem considerados, citarei três que vejo como importantes, sem dar importância a ordem da sequência:

- Sonoridade (a fonética do poema, a capacidade de imprimir algo através de uma expressão, com o uso da palavra)
- Densidade (a vida do poema, seu valor subjetivo)
- Unidade (a história de não pintar um peixe preto no buço de uma Vênus, e botar uns remendos em suas pernas)

Para contrariar a idéia que estes conceitos possam transmitir de uma poesia rebuscada e superficial, se não analisarmos a coisa profundamente, um poema de F. Pessoa que atenderia, perfeitamente, estes requisitos, e que está estrategicamente lançado em meio à sua obra é aquele de um verso só:

- "Vou lançar uma bomba ao destino!"

Reparem o efeito da palavra "bomba" logo acrescentada de "ao destino", verdadeiro toque de gênio. Este poema tem uma vida absurda, é extremamente curto (uma linha) e por isso mesmo não perde a unidade... Mas e se ele tivesse dito, simplesmente:

- Vou acabar com o meu destino!

Vejam como se perde então a sonoridade, o que acaba até por afetar a idéia que se pretende seja transmitida por este verso... Tira-lhe a vida, a carga subjetiva, o efeito explosivo...

Claro, isto não é uma ciência exata, mas, para mim, este exemplo deixa clara a diferença entre uma poesia boa e uma poesia ruim. A poesia se trata, em última análise, da arte de expressar algo através da palavra... Dentro disto, se investigarmos os diferentes usos feitos pelos mais variados artistas, criando uma bagagem cultural específica... Bom, talvez não possamos descobrir o novo Rimbaud, o novo Verlaine, mas já colocamos um pouco de luz em nossa busca pelo ideal artístico.


Sim... Sim... Talvez eu tenha sido pretensioso em minha resposta, mas não vejo porque ser demasiadamente emocional (ou piegas) em um tema que exige um trato mais imparcial... Imaginem: um poema não se torna ruim só porque estou de mau humor. (risos)

Abç! a todos!

PS: Francisco, não entendi, exatamente, sua última mensagem, é um convite para um conto escrito a várias mãos, certo? Adoraria participar, mas não percebi exatamente qual a temática básica ou o quadro que foi lançado. Abçs!

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João
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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Sex Nov 13, 2009 11:25 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

CONVERSA DE BOTECO

– «"Como podemos considerar boa ou ruim uma poesia?" - Pensei: “difícil responder”, mas vendo que a maioria estava caindo para um lado muito subjetivo, com respostas do tipo: “poesia é sentimento”, “é quando vem do coração”... Decidi, pretensiosamente, deixar uma resposta que trouxesse um ponto de vista mais crítico e a reproduzo:
«Há muitos pontos a serem considerados, citarei três que vejo como importantes, sem dar importância à ordem da sequência:
- Sonoridade (a fonética do poema, a capacidade de imprimir algo através de uma expressão, com o uso da palavra)
- Densidade (a vida do poema, seu valor subjetivo)
- Unidade (a história de não pintar um peixe preto no buço de uma Vênus, e botar uns remendos em suas pernas)
Para contrariar a idéia que estes conceitos possam transmitir de uma poesia rebuscada e superficial, [não acrescento mais nada e deixo que cada um decida]»
«um convite para um conto escrito a várias mãos, certo? Adoraria participar, mas não percebi exatamente qual a temática básica ou o quadro que foi lançado»

– Há aí uma história para ser contada, verdade verdadinha verdadeira, ela já tem uma história, está à espera de quem a conte. Não é história de grandes cenários, decorre num convento onde batem à porta e são recebidos dois marialvas. O marialva, não sei se tem expressão no Brasil, era o nobre que gostava das touradas e dos fados, fazendo a corte a solteiras e casadas.
Os marialvas da história, verdadeiramente ainda não têm um perfil bem definido mas facilmente imagino ser possível pô-los na história a debater a questão que trouxeste para este boteco.
É preciso sentar os personagens à mesa, para os servir há uma personagem que entrevimos de relance, uma noviça chamada (por um dos narradores) Joana?
Como esta é uma história para muitas mãos, podes sentar as personagens que queres ver à mesa. Seria de convidar cada um dos narradores/as a terem para si falas duma das personagens, iríamos representando… a(s) nossa(s) personagem(ns).

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bbrian



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MensagemEnviada: Qua Nov 25, 2009 11:44 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

ENSEADA

Hoje quero um vinho tinto
Brindado na concha do mar
Convidar todos poetas
Prá celebrar o amor de verão.

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Ari Marinho Bueno



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MensagemEnviada: Dom Dez 20, 2009 3:05 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Metafísica (conto)


Entrou.
Viram-no, com os olhares oblíquos de sempre, fingindo falarem sobre ninharias. Pelo que pôde perceber, através dos rostos ainda escarninhos, haviam sido surpreendidos naquele ato dogmático de expelir obviedades sobre os seres.
Certamente, ele era também um alvo, vacilante e acovardado.
Abriu o folheto. Será o homem digno de Deus? Insosso, tentando em vão a ironia, um sim aqui, ali um talvez, um sorriso aborrecido.
Mesmo durante a celebração havia o cálculo. Era como uma náusea, um estigma particular. A música assomava pelos alto-falantes durante a ontologia acanalhada. Olhou em volta, as reações de cada qual à experiência. Notou que à distância ainda não se furtavam ao curso daqueles raciocínios, inseguros quando encarados de modo incidental, engolindo em seco os risinhos a contragosto.
Dia desses iam ver só uma coisa, ah, se iam.
O celebrante finalizou a série de gritos com um dó-de-peito incomum, indecente. Aí, outros sons se fizeram ouvir, madeira levemente chocada contra joelhos e cotovelos, salto alto e suaves arrastões, o rebanho abrindo caminho rumo ao mundo das aparências.
Eram apenas comentários. Tudo ocorre da maneira mais natural, casual, todos sabem o que dizer, o que fazer, como portar-se, vestir-se, etc. Jamais se omite a verdade, quanto mais a verdade absoluta – são estes os desígnios.
“Não são todas as pessoas que trabalham como nós, com total desinteresse...”
“Agimos em benefício somente do universal, apesar do particular.”
Risos.
“Não é possível esse pessoal de fora querer se meter no serviço da gente, assim, sem mais nem menos!...”
Dia desses iam ver só, ah, se iam.
Cruzando o salão, a garota das sobrancelhas se aproximou.

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A poesia é uma força destrutiva - Wallace Stevens
Não existe verdadeira inteligência sem bondade - Ludwig van Beethoven
Tenho um projeto: enlouquecer - Fiódor M. Dostoiévski
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João Dinato Ferreira



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MensagemEnviada: Seg Jul 16, 2012 10:23 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

João Dinato Ferreira escreveu:
Não demorou-se a rapariga, mas o suficiente para o malandro deitar-lhe os olhos, de cima a baixo, e descobri-la num gesto que não revelava qualquer vocação, senão a fagulha comum a uma jovem nos esplendores da forma.


(De repente um príncipe de outros domínios pousou entre os autores e dirigiu-se àquele que considerava um rei):

- Vossa Dinateza, por que duvidaste do sacerdócio de tão santa moça?

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João Dinato Ferreira



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MensagemEnviada: Ter Ago 21, 2012 7:20 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

- Ai de quem se achar em templos demolidos!
Cala-te e vai

(disse o autor)

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Seg Dez 17, 2012 10:19 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Francisco Coimbra escreveu:
CONVERSA DE BOTECO
«(...) [não acrescento mais nada e deixo que cada um decida]»
«um convite para um conto escrito a várias mãos, certo? Adoraria participar, mas não percebi exatamente qual a temática básica ou o quadro que foi lançado»


PRESÉPIO

A mão da lélé falou para a mão da lili, trocando palavras sobre a lulu. A lili deu a mão à coisa e a conversa continuou, até que chegou a lulu. Três grãos de areia juntos, ficaram fazendo o presépio da ideia deste conto.
Boas Festas!!!

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