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Mensagem |
lucas_cavalini

Mensagens: 139
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Enviada:
Dom Jul 08, 2007 2:25 pm |
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Quem pode determinar precisamente a origem da poesia? Ora,nem imprecisamente! Ela está presente até no grandiloqüente Pentateuco de Moisés,escrito em hebraíco antigo,não é mesmo? E digo mais,a poesia originou-se antes de haver qualquer linguagem escrita,por mais rudimentar que fosse.Sim! Pois a poesia é uma linguagem que goza de autonomia,necessitando somente de meios para expressá-la,não sendo,portanto,necessariamente a linguagem escrita.
(voltando a poesia apresentada na forma escrita...)
As restrições medievais e modernas(métricas,rimas e uso de vocabulário aristrocrático) dissolviam-se no início do século passado,embora tentassem,ainda,resistir aos ataques finais que a estética livre lhes promoviam.E,enfim,chegamos ao século XXI,segundo milênio da era cristã - que está muito longe,aliás,do domínio cristão -,trazendo gênios brilhantes e,em contrapartida,uma legião de aproveitadores, argumentando ser igualmente raros os seus versos medíocres aos que formam em conjunto a verdadeira poesia sob o pretexto de ambos não disporem de estéticas complexas.Ou seja,um mal foi substituído por outro:se antes havia regras supérfluas,hoje há tão poucas regras,desvirtuando a poesia que era considerada sagrada nas mais elevadas civilizações.
Depreciativa está também a música,que é o meio mais sublime de manifestar a poesia,como já previu Victor Hugo.A poesia é como uma lança que invade todo o nosso ser e nos transporta imediata e eternamente para outra dimensão existencial,sendo ela sublime ou vil.Bem ou mal,os músicos hodiernos desconhecem o poder que têm eles mesmos. |
_________________ Laborare est Orare |
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jcm-medeiros
Mensagens: 376
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Enviada:
Dom Jul 08, 2007 2:40 pm |
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Olá, meu amigo, serei sincero: eu acho isto tudo uma grande bobagem... Seria fácil nós classificarmos a poesia por época e dizer: neste tempo era assim, naqueloutro era assim. Mas as coisas são mais individuais do que nós pensamos. Aliás, você deu até um exemplo interessant, muitos artistas justificam a sua genialidade na incompreensão, na falta de parâmetros para medir o valor que tenham seus versos. Mas isto realmente não se mede: se pesa, contudo... Como? Com a opnião dos leitores, que é uma questão de gosto, ou seja, cada um tem uma. Eu li Ferreira Gullar e odiei, sempre preferi outras escolas que não a do concretismo (se podemos falar assim), há, todavia, quem pense o contrário de mim. Por que Homero é lembrado até hoje, por que seus versos são inigualáveis? Não, mas por que agradaram muitas gentes em muitas gerações diversas. Eu faço a minha poesia, que julgo de qualidade, você faz a sua, e também a julga de qualidade, afinal, não faríamos se as julgássemos ruins! Mas quem pode dizer qual é melhor: a minha ou a sua? Ora, depende de quem lê, não é? Assim, para mim, é com o tempo. Você falou de Cristo, mas eu creio no Cristo... e que me importa a opinião geral? Assim também com a poesia. Não é possível dizer: ah! hoje não se fazem mais versos com métrica e rima! Ledo engano, muitos o fazem e muitos leitores preferem este tipo de poesia à poesia mais livre! O contrário também vale, dizer: naquele tempo não existia poesia sem métrica e rima? Claro que existia, mas era tão marginal como o hip-hop atualmente, e por isto não é lembrado. No que me baseio para dizer isto? Nos camponeses, a poesia popular sempre houve, e nunca carregou preocupação acadêmica alguma... Para mim, a estética e o conteúdo poéticos são muito mais individuais do que temporais. mesmo porque a poesia não é algo massificado e, portanto, não carrega grandes padrões de gosto, ninguém faz poesia para agradar aos outros tão somente, e se o faz, não é bem sucedido, porque agradará a muita pouca gente!
Um abraço! |
_________________ João |
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jcm-medeiros
Mensagens: 376
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Enviada:
Dom Jul 08, 2007 2:45 pm |
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Quanto à questão da música, eu concordo plenamente, e me lamento muito de não ser um bom violeiro, porque a potência de cada verso é quadruplicada quando acompanhada dos feitiços da harmonia! |
_________________ João |
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lucas_cavalini

Mensagens: 139
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Enviada:
Sáb Jul 14, 2007 3:07 pm |
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Caro senhor Medeiros,a opinião de leitores,ou mesmo de críticos literários,não pode julgar o valor da poesia;somente a razão absoluta poderia fazê-lo.Afinal,é a opinião do juiz que condena ou absolve o réu ou as provas factuais,os depoimentos,etc.?
A opinião é a síntese da união entre razão e "gosto",em medidas variáveis.O "gosto",por sua vez,é um rol de sentimentos (produto dos sentidos) que assemelha-se,e por tanto atraí,com as características psicológicas de um indivíduo.A razão,em contrapartida,é o "gosto" puro,é o "gosto" comum - aceito por todos - ,verdade única.
Então,caímos na questão:como seria possível analisar a poesia com a razão pura? Ora,é simples! Bastaria a análise tripla:intelectual,experimental e objetiva.A primeira consiste em avaliar o estilo da poesia - sua estética (sonoridade,correção gramatical,etc.).A segunda pode apenas ser feita por um poeta,é exatamente a experimentação da poesia (perscrutar a si mesmo quando as sensações promovidas pela poesia invadem o corpo e a alma).A terceira observa o objetivo - a importância - da poesia (por quanto ela existe? qual a sua real utilidade?).
Engana-se,senhor Medeiros,em pensar que todo poeta considera a sua poesia de boa qualidade.Todo bom poeta conhece pormenorizadamente as incosistências de seu trabalho e tende,logo,a achá-lo ruim;Públio Virgílio Marão não ordenou que queimassem Eneida,que tem tantos admiradores? Ah! caro amigo,minha poesia há tantos erros! Incongruências,sonoridade fraca (aliterações mal posicionadas,sílabas soltas,etc.),entendimento obscuro,erros gramaticais,presença de palavras inúteis,etc.
Sempre houve a poesia vulgar (alguns escritores desta arte,aliás,eram excelentes escritores que,porém,precisavam sustentar-se a si mesmo;um caso é Honoré Balzac),contudo elas eram geralmente rimadas.É bom que se entenda que a rima é um artifício das línguas modernas,sobretudo as que têm influência da língua germânica arcaica (que têm sons muito fechados),para encobrir a falta de harmonia sonora da língua.O latim era perfeito por si só,tal-qualmente o sânscrito,da qual ele deriva.Enfim,a poesia vulgar era "marginalizada" porquanto não tinha nenhuma importância intelectual,eram,quase sempre,canções (ou cartas) de amor,canções para o estímulo do trabalho servil,canções de baladas,canções didáticas,etc. |
_________________ Laborare est Orare |
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