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wton



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MensagemEnviada: Seg Out 27, 2008 2:05 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Memórias de Um Amor Presente

Li uma vez:
“A memória é um álbum de fotografias...”

Estranho como me senti,
Ausente,
Pesado,
Vendo fotos que não eram minhas.

Perguntei-me por ti,
Por que te amava?

Tua foto era a mais triste.

Não te amo,
Só pode ser isso...
Te faço em pedaços,
Me faço em pedaços...

“A memória é um álbum de fotografias...”
Que grande mentira.

Desatino em lágrimas,
Por quê?
Onde estas?

O que são estes pedaços de vida ao meu redor?

Te amo!

Sem razões,
Mesmo em pedaços,
Te amo...

A memória é a máquina que faz o tempo parar.

Meu amor...
Desculpe-me por te amar,
Te prometo não durar para sempre,
Só durante alguns segundos,
Sempre que de ti me recordar...
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wton



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MensagemEnviada: Seg Nov 10, 2008 1:36 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Mundo S/A

A criatura estava faminta.

Remanescente das guerras que assolavam o mundo,
Esquelética,
Pairava sobre as pilhas de cadáveres.

Tinha em suas patas lembranças,
Rebuscadas pelo fogo,
Escuras pela fuligem que a crueldade solta.

Alimentava-se dos poucos sonhos que lhe restavam,
Apodrecidos pela realidade.

Tinha uma lágrima para cada costela que lhe
Saltava.

Saciava sua sede com elas.

Bela imagem para um cartão postal,
Deve ser por isso que Deus não nos visita mais.

Ao longe a morte fumava,
Formando cortinas de
Fumaça,
Contando nos dedos as horas para terminar o seu
Trabalho.

“Quão patéticos são os seres humanos...”
Pensou ela.
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Pupila



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MensagemEnviada: Ter Dez 23, 2008 11:03 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Que o Natal seja iluminado de esperanças e de amor

Agradeço pelo convívio poético de 2008!

Muita saúde, paz, amor, prosperidade e um POST ÚNICO repleto de muitos versos para 2009!

beijos poéticos Wink

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MensagemEnviada: Qui Fev 12, 2009 10:39 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Dos Livros que Nunca Escrevi

Surge uma idéia,
Rumino,
Esqueço,
Perco.

Escrevo um poema,
Leio,
Desdenho,
Amasso,
Defenestro.

Sou o poeta das palavras esquecidas e
Das sentenças eternizadas em lixeiras.
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wton



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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 10:43 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A margem esquerda da vida.

Numa folha de papel reciclado escrevo minha vida.

Na margem esquerda superior foi onde nasci,
Puro,
Nu de toda imperfeição que se pode haver.

De linhas retas encho os primeiros parágrafos.

O tempo se apetece de entortá-las,
Rumo à outra margem há palavras escritas do avesso,
Prontas para formar um novo significado.

Esqueço letras,
Somente as que me deixam mais triste.
Invento letras,
Somente para meu próprio orgulho.
Assassino letras,
Somente aquelas que renascerão sem a minha interferência.

Há momentos em que desenho nos cantos das paginas,
Estranho como estas são as horas mais felizes.
Minha vida caberia toda dentro de um bloco de notas se
Quisesse.

Só me resta deixar esta página voar livre com a brisa da
Memória.


Editado pela última vez por wton em Ter Jul 07, 2009 10:06 am, num total de 1 vez
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MensagemEnviada: Seg Fev 23, 2009 11:13 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Carnelevarium

Submundo libertino,
De festas carnais e liberdades
Saturadas,
O problema é dos outros.

Guerras atravancadas em mentes deprimentes.

Mortes anunciadas em fast-foods,
Ao som de verdades manipuladas.

Ontem perdi o filho que nunca tive,
O vi morrer
Na tela luminosa de um noticiário,
Atingido por uma bala perdida.

Perdida é a esperança.

Tantos amigos palestinos,
Outros tantos israelenses,
A mesa do bar está deserta por pessoas que nunca conheci.

Nem conhecerei.

Minha verdade está vestida numa fantasia de carnaval,
Eu vejo o bloco passar do alto de meu
Muro.

Acertar-me-ão com um estilingue quarta-feira,
A realidade me derrubará.

Quando se chega ao fim da linha,
A única coisa certa a fazer é
Voltar.


Editado pela última vez por wton em Qui Abr 16, 2009 8:14 am, num total de 1 vez
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MensagemEnviada: Sex Mar 06, 2009 9:48 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre Naufrágios ou A Dolorosa Melodia Amorosa

Velas ao mar,
Homens ao mar.

Sempre estamos a afogar essa magoa verdadeira,
Seja em remédios, sexo, bebedeira,
Consumindo a vida em besteiras.

Pois qualquer ser humano,
Queira ou não queira,
Sofre.

Ainda mais se do amor é escravo.

Velas ao mar,
Homens ao mar,
Condenados a morrer por amar,
Pois o amor mata.

Maltrata, mutila e dilacera,
Quisera nunca ter-me apaixonado.

É uma pena que em ti encontrei,
Envolto em lágrimas, saudade e silêncio,
O doloroso fardo que é amar sem nunca ter sido
Amado.
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wton



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MensagemEnviada: Ter Mar 10, 2009 10:54 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Lado A

Morri na calçada,
Sem nunca ter sido amada.

A procura do amor que nunca conheci.

Espancada por um desconhecido,
Devido a um simples e funesto acontecido,
De raspão em seu carro bati.

Estava à procura da felicidade,
Um amor virtual nesta imensa cidade,
Algo comum em minha avançada idade.

A internet foi meu cupido,
O amor em teclas esculpido,
Um amor companheiro, mútuo, desconhecido.

Espero que um dia o possa encontrar,
E o motivo de minha ausência explicar,
Agora só me resta esperar...

Lado B

Até que enfim encontrei alguém,
Que me queira bem,
Que eu possa para sempre amar.

Hoje a irei encontrar,
Apesar de nunca tê-la conhecido.

Banho tomado, cabelo arrumado, corpo perfumado,
Tudo pronto para o momento esperado.

Esse cão que não para de acuar, se eu pego eu mato.

Meu carro está impecável, meu sonho de consumo,
Até então a única coisa que amava,
De minha existência o supra-sumo.

Desligo o PC, encontro marcado, lugar confirmado.

Que mulher barbeira essa ai da frente,
Mulher no volante não há quem aguente.

O que ela está fazendo... Não!
Não no meu carro,
Amassado...
Não!

Faixa Bônus

Manchete de Domingo:
Num pequeno acidente de trânsito,
Mulher é encontrada morta em decúbito dorsal,
Sinais de espancamento,
O assassino fugiu do local.

Sua identidade é desconhecida.
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MensagemEnviada: Ter Abr 14, 2009 9:31 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Um Conto Sem Fadas

Era uma vez um grãozinho de areia,
Que do mar quis se desprender,
E bem longe, onde os sonhos são criados,
Uma vida nova o grãozinho foi tecer.

Seu sonho era ser firme como uma rocha.

No mar onde as vagas arrebentam,
Uma rocha dura, pesada e resistente,
Fitava o horizonte, insólita e melancólica,
Esperava do destino um presente:
Voar livre como um pássaro.

Ou que ao menos no mar se consumisse.

O pássaro voando sobre as águas,
Refletia-se no espelho que é o mar.
Fitando seu próprio olhar cheio de mágoas,
Divagando ficava a imaginar o dia em que seria misturado
[Ao oceano que tanto amava.

O mar que servia para a depuração de tanto sofrimento,
Sofria em silêncio também,
Ninguém imaginava qual seria o tormento ou a
Tormenta que provocava tanta ressaca.

Em seu intimo infinitamente azul,
Lá em profundezas abissais,
Entre tesouros e o desconhecido estava o seu desejo mais forte:
Tornar-se uma folha de papel.

Somente assim transformaria o grãozinho, a rocha e o pássaro em poesia.
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MensagemEnviada: Qua Abr 15, 2009 10:19 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ao Poeta

O vento corta a noite silenciosa,
Vaga, como almas desprendidas, por soturnas sarjetas,
Morre no virar de uma esquina.

O pobre poeta vai solitário,
Num trafegar de sensações ocultas,
Incompreendidas,
Passeia entre letras e sentimentos.

Estrelas iluminam um céu que teima em manter-se no escuro,
O poeta vê luzes de estrelas que já morreram,
Tal qual paixões que aprisionam.

Há algo na noite de melancolia,
A lua talvez.

O vento renasce despertando amores do passado,
O poeta sorri,
E parte em sua jornada insólita,
Entre letras, sentimentos e esperança.
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MensagemEnviada: Sáb Abr 18, 2009 1:40 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

"Até Que os Leões Tenham Suas Histórias, os Contos de Caça Glorificarão Sempre o Caçador."
(Ditado Africano)

Os olhos vão fechando-se lentamente,
Enquanto a vida se vai entre suspiros e
Lágrimas.

Só resta tempo para uma última lembrança.

Eu fitava o horizonte,
Tu vieste junto da brisa que embalava os campos com seus suaves dedos.
O sol te abraçou egoistamente,
Deixando apenas escapar-lhe o sorriso.

Era naquele momento feliz.

Mas a noite traz estrelas que brilham na escuridão,
Lugar onde as feras espreitam.

Teus olhos brilhavam na penumbra,
Minhas mãos enxergavam todas as tuas nuances,
Sentia tua respiração fazer queimar um braseiro em minha nuca e te
Amava.

A lua reinava absoluta no céu,
Atiçando amores,
Agitando os mares,
Inspirando poetas e
Anunciando tragédias.

Ouvi naquela noite o silêncio que precede a morte.

A paz acenava pela ultima vez enquanto eles chegavam sorrateiros entre as
Trevas.

Entre gritos e maldade te perdi.

Puseram-me a grilhões, marcado a ferro como animal,
Deixei escapar um rugido,
Era nada mais que uma fera, ferida e acuada.

Encontrei tantos iguais a mim,
Largados, esquecidos num porão de um navio,
O mesmo sofrimento em faces diferentes.

Aqui os dias são iguais, só a dor é que muda.

Eu tive um sonho,
No meu sonho tu ias livre entre as savanas e
Eu te esperava, fitando o horizonte.

Tenho em meu rosto um ultimo sorriso,
Deixo-o de esperança aos meus desconhecidos irmãos e
Parto,
Para junto de ti ser livre eternamente.
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MensagemEnviada: Qui Mai 14, 2009 3:14 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre Homens e Baratas

O homem-barata corre desvanecido.

Foge de pernas que não são suas,
Ilusões seminuas de uma realidade que não conhece.

O homem-barata procura por lixos que alimentam.

Faminto se antena nas quinas mais amenas,
Sintonizando a rota de sua próxima fuga,
Assim,
De esquinas a esquinas corre em devaneios.

O homem-barata é limpo demais para uma barata,
Sujo demais para um homem,
Grande demais para um inseto,
Pequeno demais para a sua consciência.

Por isso ele foge.

O homem-barata morre (se lhe deixarem morrer)
Pisado,
Às vezes por seu próprio sapato.
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MensagemEnviada: Sáb Mai 23, 2009 10:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton escreveu:
Sobre Homens e Baratas

O homem-barata corre desvanecido.

Foge de pernas que não são suas,
Ilusões seminuas de uma realidade que não conhece.

O homem-barata procura por lixos que alimentam.

Faminto se antena nas quinas mais amenas,
Sintonizando a rota de sua próxima fuga,
Assim,
De esquinas a esquinas corre em devaneios.

O homem-barata é limpo demais para uma barata,
Sujo demais para um homem,
Grande demais para um inseto,
Pequeno demais para a sua consciência.

Por isso ele foge.

O homem-barata morre (se lhe deixarem morrer)
Pisado,
Às vezes por seu próprio sapato.


Nossa!!!!
a criticidade e a reflexão
dão o tom de teus versos

beijos poéticos

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MensagemEnviada: Qua Jun 03, 2009 12:13 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Das Lendas Que Não Existem

Papai era uma nuvem.

Contam os mais antigos,
Em versos melhores que este,
Que as nuvens tinham alma.

Tempestades nada mais são que corpos,
Celestes por bem dizer,
Emaranhados numa orgia frenética e cinza.

Papai era uma nuvem branca e melancólica,
Mamãe uma nuvem em forma de carneirinho,
Os dois se encontraram numa chuva de verão
E eu nasci junto dos primeiros pingos que caíam.

Nasci poça,
Vivi a adolescência em ebulição e
Adulto, fiquei
Nuvem.
Melancólico tal qual papai.

Contam os antigos que as pessoas costumavam olhar para o céu.

Aqui do alto viajo no embalo do vento,
Esperando por formar minha própria tempestade.

Papai era uma nuvem,
Como eu sou agora,
Contam os antigos que o céu já foi azul e os homens,
Assim como as nuvens,
Tinham alma.
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Pupila



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MensagemEnviada: Sáb Jun 06, 2009 11:47 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton escreveu:
Das Lendas Que Não Existem

Papai era uma nuvem.

Contam os mais antigos,
Em versos melhores que este,
Que as nuvens tinham alma.

Tempestades nada mais são que corpos,
Celestes por bem dizer,
Emaranhados numa orgia frenética e cinza.

Papai era uma nuvem branca e melancólica,
Mamãe uma nuvem em forma de carneirinho,
Os dois se encontraram numa chuva de verão
E eu nasci junto dos primeiros pingos que caíam.

Nasci poça,
Vivi a adolescência em ebulição e
Adulto, fiquei
Nuvem.
Melancólico tal qual papai.

Contam os antigos que as pessoas costumavam olhar para o céu.

Aqui do alto viajo no embalo do vento,
Esperando por formar minha própria tempestade.

Papai era uma nuvem,
Como eu sou agora,
Contam os antigos que o céu já foi azul e os homens,
Assim como as nuvens,
Tinham alma.


interessantes teus versos
beijos poéticos

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