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Os singelos poemas (e outros) do ROBÉRIO MATOS Exibir próxima mensagem
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Robério Matos



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MensagemEnviada: Qua Nov 15, 2006 4:08 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Garanhuns


A cidade acorda fria, enevoada.
Jardins e praças vivos!
O aroma das flores,
O balançar cadenciado das árvores
E a neblina dos morros
Cumprimentam os transeuntes.

Os pássaros, preguiçosamente,
Agasalham-se à sombra,
Enquanto o solo tórrido
Castiga as ervas-daninhas,
Até que o sol ceda seu espaço
Às nuvens cheias e à brisa,
E depois à chuva.

Vem o crepúsculo, a noite,
A lua em seu esplendor,
Ladeada pelos satélites menores,
Substituindo o rei-sol.

Na periferia,
Crianças brincam de roda,
Ciranda; de contar histórias.
Na intimidade dos lares
Os mais velhos recordam,
À meia-luz,
Os tempos idos da mocidade.

E vem a madrugada
De um dia qualquer,
Com sua quietude e beleza.
Ela inspira os poetas,
Restaura a debilidade dos fracos
E oferece trégua e paz
Aos mendigos...

É a vez e o tempo dos seresteiros,
Dos namorados e amantes.

Garis e a guarda municipal
Despontam nas calçadas
Agora desertas.

De repente, uma estrela
Desliza no horizonte –
O brilho das águas sob a luz.

A relva úmida, o orvalho,
O cão companheiro e amigo:
Indiferente e feliz.

A estrela ainda fiscaliza,
Escuta e cobre cada gesto,
Cada pensamento.

Agora a água não tem
Mais brilho:
Está serena, quieta.
A cinza queima depressa.
O gelo se dilui, impaciente...
O burburinho continua.
Mais forte, às vezes mais fraco:
Vai e vem...

O amigo se foi; ainda não é dia.
Ouço latidos de cães
Que se sobrepõem ao silêncio.

A estrela, solitária, me espreita,
Mas não se move.

Um veículo rola sobre
O asfalto deserto.
O ronco do motor
Confunde-se com as vozes,
Com os murmúrios de sempre...

Uma borboleta pousa sobre
A água e se apavora.
Nada mais há...
Além daquela estrela,
Os ruídos (mais distantes),
Os fogos ao longe e o
Latido tênue dos cães.

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MensagemEnviada: Dom Nov 26, 2006 12:25 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Um Reflexo ou O Nada

Uma sombra
De um
Ser humano,
Em pé, estático.

A silhueta de
Um espantalho,
Imóvel,
Indiferente,
Que sequer existira
De fato.

A cena:
Quem a observara,
Então,
Além da sombra,
Do espantalho:

Um reflexo,
Ou... o nada...

(Este sim, era real...)

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MensagemEnviada: Qua Dez 06, 2006 1:58 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Nos Bastidores do Natal


Os sinos da torre da capela,
Cuja imponência se ofuscava
Ante a beleza da lua,
Agitados anunciavam o nascimento
Do filho de José de Arimatéia,
Que também fora menino de rua.

Soam fogos, festas, algazarras,
Distante...
O brilho das luzes se confunde
Com a alegria das crianças.
Meia-noite!
Uma estrela desliza no horizonte
Preludiando o novo dia,
O dia da esperança.

No repicar das três últimas badaladas,
Descerro, faminto,
Os meus trapos esfalfados
E ainda deitado no cimento frio
Da calçada, ergo o olhar ao céu,
Agora estrelado,
Suplicando, não um Presente de Natal!
Mas apenas um lençol
Menos esfarrapado.

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MensagemEnviada: Sáb Dez 23, 2006 12:59 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Inferno de Dante


É preciso extrair o amor
da folhagem seca e bucólica
de um quadro pintado
da inspiração de Da Vinci,
ou do Inferno de Dante, que seja.

E com ele beijar-te por inteira
com a ânsia do desejo genuíno
de te beber devagarzinho;
de te gozar no recanto do teu ninho
e gemer...e balbuciar...e até morrer
afogado nas tuas brumas,
no teu cantinho.

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Lucia Constantino



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MensagemEnviada: Sáb Dez 23, 2006 1:12 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Robério Matos escreveu:
Inferno de Dante


É preciso extrair o amor
da folhagem seca e bucólica
de um quadro pintado
da inspiração de Da Vinci,
ou do Inferno de Dante, que seja.

E com ele beijar-te por inteira
com a ânsia do desejo genuíno
de te beber devagarzinho;
de te gozar no recanto do teu ninho
e gemer...e balbuciar...e até morrer
afogado nas tuas brumas,
no teu cantinho.


Belíssimo poema, poeta, muito bem construído, criativo, meus parabéns. Um grande abraço e um Natal cheio de luz e amor.

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Pupila



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MensagemEnviada: Sex Dez 29, 2006 10:12 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Robério Matos escreveu:
Inferno de Dante


É preciso extrair o amor
da folhagem seca e bucólica
de um quadro pintado
da inspiração de Da Vinci,
ou do Inferno de Dante, que seja.

E com ele beijar-te por inteira
com a ânsia do desejo genuíno
de te beber devagarzinho;
de te gozar no recanto do teu ninho
e gemer...e balbuciar...e até morrer
afogado nas tuas brumas,
no teu cantinho.


Incrível,
quando iniciei a leitura desse poema,
jamais pensei que tomasse o rumo
dos sentidos...
Aplausos Robério!
beijos poéticos

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Robério Matos



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MensagemEnviada: Ter Jan 16, 2007 9:19 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Adão foi Feito de Barro...

Eu preferia ter sido feito de barro
Como de barro fora feito Adão,
Nos tempos idos da “perfeição”
Quando tudo era singelo e bizarro.

Ah, quanta pureza e nostalgia...
Da coisa simples e estereotipada
Do que só valia o que a gente via...
Não o faz-de-conta q sou psicopata.

Era Céu e Inferno e, no meio, o nada...
Alguns tinham por atalho o purgatório
Outros, entretanto, só o falatório...
Das mas línguas ferinas e enfadadas

Da multidão que esperava para ver
O que pior com o coitado iria surgir
No breve, obscuro e tenebroso porvir
Adrede preparado e só pra fazer sofrer

O desditoso que se aventurava esperar
Para só depois porventura se arrepender
De todo o mal que pudera arremeter
Contra os incautos que fizera acreditar.

Ah, se de barro tivesse sido feito eu...
Para não incucar com a física quântica,
Que para ela tudo é questão de semântica
E no mais, nada de matéria...só o breu.

Como ficava simples e de bom agrado
Acreditar que tudo era muito limitado:
Que só havia Deus e o capeta imantado
E o resto era pensamento mal-agourado.

Já hoje a coisa pra muito se modificou:
Temos que entender que tudo pra trás ficou;
Que o mundo é só questão de possibilidade;
Que posso ser todo o bem ou só maldade;

A realidade é impermanente e se modifica;
Nós temos o livre-arbítrio, a escolha:
Seguimos no curso do rio que se vivifica
Ou nos tornamos um mero saca-rolhas.

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MensagemEnviada: Sáb Jan 20, 2007 12:55 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Robério Matos escreveu:
Adão foi Feito de Barro...

Eu preferia ter sido feito de barro
Como de barro fora feito Adão,
Nos tempos idos da “perfeição”
Quando tudo era singelo e bizarro.

Ah, quanta pureza e nostalgia...
Da coisa simples e estereotipada
Do que só valia o que a gente via...
Não o faz-de-conta q sou psicopata.

Era Céu e Inferno e, no meio, o nada...
Alguns tinham por atalho o purgatório
Outros, entretanto, só o falatório...
Das mas línguas ferinas e enfadadas

Da multidão que esperava para ver
O que pior com o coitado iria surgir
No breve, obscuro e tenebroso porvir
Adrede preparado e só pra fazer sofrer

O desditoso que se aventurava esperar
Para só depois porventura se arrepender
De todo o mal que pudera arremeter
Contra os incautos que fizera acreditar.

Ah, se de barro tivesse sido feito eu...
Para não incucar com a física quântica,
Que para ela tudo é questão de semântica
E no mais, nada de matéria...só o breu.

Como ficava simples e de bom agrado
Acreditar que tudo era muito limitado:
Que só havia Deus e o capeta imantado
E o resto era pensamento mal-agourado.

Já hoje a coisa pra muito se modificou:
Temos que entender que tudo pra trás ficou;
Que o mundo é só questão de possibilidade;
Que posso ser todo o bem ou só maldade;

A realidade é impermanente e se modifica;
Nós temos o livre-arbítrio, a escolha:
Seguimos no curso do rio que se vivifica
Ou nos tornamos um mero saca-rolhas.






Exclamation Nobre Poeta Robério Matos,

Realmente esta reflexão é importante para nos situarmos em nosso tempo. Acompanhar o movimento social, avaliar nossas experiências, neste leito do rio da vida, que passa , passa e nada deixa igual, nem nós mesmos. Acostumados a “enganar” o tempo e numa fantasia concreta como pedra (como falou Jung a Freud), pará-lo dentro da gente, às vezes sem ninguém saber, que estamos trapaceando... Por simples prazer de reviver o belo, que nos apraz... Enquanto os males bloqueamos a sete chaves.! Belo poema, reluzente de realidade sem perder a ternura da poesia... Parabéns! estou feliz em ler seu trabalho. Ibernise. Indiara (GO), 20.01.2007.

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Ibernise M. Morais Silva



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MensagemEnviada: Ter Jan 30, 2007 7:47 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Robério Matos escreveu:
Eu Sou...

A madeixa que te embrulha,
Tecendo em ti o meu casulo.

Envolvente,
Acosso-te com o meu abraço
E penetro a tua intimidade,
Invadindo tua mente
E o teu corpo por inteiro.

Subjugo-te com os meus caprichos
E deixo-te inerte e sem espaço,
Seja no meio de um caminho
Ou no fim de uma estrada,
Aí estou! A exigir, a impor.

Aporto de repente,
Sutil, de mansinho,
E sem se quer apresentar-me.

Omito o meu nome,
A minha origem;
O porquê das ralas vestes,
Da minha compulsiva volúpia.

Ávida, impulsiva e misteriosa,
Apresso-me em envolver-te
Com o meu querer
E atormento-te horas a fio,
Seja ao meio dia
Ou à meia noite,
Até quando, em sussurros,
Deixo-te atônito
Com o meu insólito desejo:
Registra e divulga esse momento
E jamais o guarde só pra si
Pois ele poderá te sufocar.
Afinal, não quero calar:
Eu sou A Poesia.


Ibernise escreveu:


Belo! Poeta Robério de Matos. Poema erotizado, envolvente como um filme onde se ver
como se quer, e às vezes até quadro à quadro... Emoções comuns que o ser humano tenta sublimar, ou cercar de tabus e preconceitos... Mas na prática tudo nega, e se entrega ao puro instinto, para não perecer no desejo do prazer. Parabéns! Abraço fraternal. Ibernise. Indiara (GO) 30.01.2007.

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MensagemEnviada: Dom Fev 04, 2007 9:38 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Robério Matos escreveu:
Jovem Senhora

Perdoa-me, ó jovem senhora,
A insensatez deste desconhecido
Por não reprimir o impulso descabido
De escrever-te este verso, esta hora,
Temendo que vás embora
Já que não poderia ir eu contigo.


Ibernise escreveu:

Nobre Poeta Robério Matos,

Belo poema! Reflete um momento dificil, na vida do ser humano... O momento da consciência do erro... Gratificante para o ser amado sentir
que pode confiar na certeza do perdão. Muito lindo este sentimento retratado aqui. Parabéns. Abraço fraterno. Ibernise. Indiara (GO), 04.02.2007.

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MensagemEnviada: Seg Fev 26, 2007 9:56 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Não Te Vi Nua


És bela como uma estrela
E serena como a lua.
Vestes trajes incandescentes
E calças sandálias multicoloridas
Tal partículas solares.

Tens um sorriso doce
Que reina soberano no firmamento,
Já o teu corpo,
Como poderia descrevê-lo
Se ainda não te vi nua.

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MensagemEnviada: Qui Mar 08, 2007 10:43 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ainda Há Tempo


Já um tanto tarde
Um dia desses descobri
Que não estava só.

Já um tanto tarde
Percebi que inda era cedo
Pra uma sombra não achar
Perpendicular a indivíduos
Tantos que pululam
Sob a abóbada celeste.

E vi, ainda a tempo,
Tua meiga silhueta
A deslizar sob o sol,
A oferecer o teu refrigério
Ainda cedo,
Ainda a tempo...

Hoje, um tanto tarde,
Diante de tanto tempo
Recordo-me de ti.
Ainda cedo,
Ainda a tempo
De desejar-te paz,
Amor e muitas sombras
Para outros viajores.
Hoje, enquanto há tempo...

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MensagemEnviada: Qui Mar 08, 2007 11:17 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Robério Matos escreveu: “ Ainda Há Tempo”.

Ibernise escreveu:

Caro Robério Matos,

O tempo é senhor de plantios, safras e desperdícios... O importante é sentir e perceber este tempo a tempo, como poeticamente e sabiamente o fizeste. Muito belo, Poeta. Abraço fraterno. Ibernise. Indiara (GO), 09.03.2007.

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MensagemEnviada: Sáb Mar 10, 2007 5:46 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Qual Das Partes Sou Eu?


Uma parte de mim é covarde:
Teme a própria sombra
E receia deparar-se com a vida,
Cara-a-Cara!

A outra, quiçá é verdadeira:
Reage aos paradigmas,
Ignora a rotina, os preconceitos:
É anarquista e destemida.

Afinal, qual delas sou eu?

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MensagemEnviada: Qua Mar 14, 2007 10:29 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A Cadeia

Inspiro emoções
Que processam pensamentos
Que elaboram palavras
Que metabolizam reações
Que desencadeiam sentimentos
Que geram atitudes
Que modulam comportamentos
Que podem azeitar indulgências
Ou engessar ressentimentos.

Inspiro amenidades
Para resignar-me com a Vida.
Expiro impropérios
Para amaldiçoar a Morte.

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