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Luiz Alberto Machado
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Sáb Jul 14, 2007 8:10 pm |
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“oncotô? poncovô? concossô?”
Eu “me tinha feito” uma promessa de que não voltaria a atacar determinadas atitudes usuais e corriqueiras que mancham a nossa dignidade de cidadãos. Fiz essa promessa por uma razão fundamental: minhas crônicas, nos últimos três anos (quando abordam ações ligadas ao governo, senado e câmara), são verdadeiros “containers” cronísticos. Num ponto tal que estava querendo assinar minhas crônicas sob o pseudônimo de cronista-mala. Sempre abordando as mesmas coisas: corrupção, violência, falta de decoro, omissão, ética jogada no lixo e, por aí afora. Um dia, assistindo a mais um espetáculo dos nossos representantes, me deu um “piti” cronístico e gritei pra mim mesma: chega, fora, vaza... e fui cronicar por outros caminhos. Um esforço tremendo, diga-se de passagem, precisei deixar de assistir aos telejornais, tomar um desmemoriol como cidadã. Ou seja, exilei-me da realidade brasileira, em legítima defesa .
Até que estava suportando esse exílio quando caí na besteira de dar um pulo no site oficial do atual presidente do Senado, Renan Calheiros, e, pior, não resisti à leitura do seu último pronunciamento. “Vou te contar”, como diria minha ex-vizinha do segundo andar: foi dose! Até minha cadelinha Vitória, diante da minha inconformação, começou a rosnar. Imagine o que a pobrezinha imaginou, na sua doce pseudo-irracionalidade, assistindo a uma mulher feita sapateando e falando aos quatro ventos. Aliás, é bem difícil falar em racionalidade atualmente, não é? Como diria um grande amigo meu: raios!
Dei meia volta e fiz uma promessa des-promessando a anterior: sou cronista-mala, sim senhor! E tem outro jeito? Como posso ficar calada diante de tudo quanto o senhor presidente do Senado (enterrado na cadeira que não quer deixar de jeito nenhum, nem que a vaca tussa), depois de rejeitar a hipótese de se afastar, ainda que temporariamente, da presidência do senado: “mesmo que com isso contrariem-se apetites políticos de ocasião”. Raios, de novo! Apetites políticos de ocasião? Só se for o dele. Mais uma vez subestimam a nossa capacidade de avaliação.
Partindo do pressuposto de que é inocente, o mínimo que se esperava dele - considerando a envergadura, responsabilidade e dignidade do cargo - é que se afastasse. Não foram absolutamente condescendentes os seus pares ao “sugerirem” que se afastasse temporariamente? Então! Perdeu uma grande chance de sair pela porta da frente. Não, imagine!!! Nunca! Junta palavras bonitas num discurso pra inglês ver e acha que tudo está acertado, ou explicado, e continua grudado naquela bendita cadeira com unhas e dentes.
Não parto do princípio brasileiro de que todos são culpados (sic), até prova em contrário... ao contrário. No entanto, para que isso possa ser respeitado, as ações no exercício de uma profissão, no caso, do cargo, devem estar necessariamente pautadas pelo princípio da ÉTICA, tanto sob o ponto de vista individual como coletivo, ativa e passivamente, de modo que seja materializada, compreendida e vistoriada. A sincronia recíproca entre a faculdade e o poder - que determina, induz, faz, age e pune - e o respeito à liberdade individual, na igualdade que a lei assegura, só é alcançada com equilíbrio, justiça, dignidade e liberdade quando a norma e a faculdade se confundem, formando um só todo, utilitário e exigível, fundamental para que a norma cumpra a sua finalidade e produza os seus efeitos, tanto sob o ponto moral e ético, como e também técnico e jurídico.
Infelizmente, esse grude com a cadeira não permite o exercício dessa ética, abortando-a de início. Ainda tenho que ouvir na tevê o senador perguntando: “O que é que eu fiz? Do que me acusam?” Se eu pudesse entrar na tevê, responderia como um bom mineiro: “oncotô? poncovô? concossô?”
Dizem as más línguas que o peixe morre pela boca! E é exatamente isso que se deduz do pronunciamento a que me refiro nesta crônica. Portanto, com o risco de responder por “royalties”, faço minhas as palavras do presidente do Senado, rezando com todas as minhas forças para que ele não se aproprie daquele ditado: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”: “sucumbir à sedução de um pseudoclamor é atitude incompatível com a coragem e a honradez que devem pautar a conduta dos homens públicos, principalmente quando investidos na Presidência do Senado Federal”.
Antes de encerrar este texto, uma pequena observação quanto ao destaque dado pelo senhor presidente do Senado quando afirma que a casa não vive um momento de crise e que a sua produtividade não foi afetada. Se mal me pergunto: e deveria ser diferente? Caramba, meu!
Sandra Falcone |
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Luiz Alberto Machado
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Enviada:
Sáb Jul 14, 2007 8:11 pm |
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O que é o que é ?
O Ministro do Supremo Tribunal, segundo informações veiculadas nos jornais e sites , desabafou com o Ministro da Justiça dizendo que a Policia Federal agiu com métodos fascistas na navalhada e que a mesma vem fazendo terrorismo com a democracia, ao divulgar informações sigilosas conta-gotas , alegando ainda que é cinismo falar em segredo de Justiça neste momento. Cínico é o quadro que vivemos neste pais. É uma lógica absolutamente totalitária. Então, rasguem a Constituição.Tem mais coisa nesse discurso, mas não vale a pena repetir.
Primeiramente:estranho o conselho do Ministro: Então, rasguem a Constituição. Partindo dele, é de arrepiar, ainda que metaforicamente falando, nem assim. Se bem que ando “me arrepiando” com tudo que leio e vejo, não só no sentido de horrorizar, mas no sentido de vazar e, diga-se de passagem também,não no sentido do vazamento da reclamação do Ministro. Mas no sentido de dar no pé. Sair de perto, sumir do mapa. Sarava, três vezes, cruz-credo! Quanto :cínico é o quadro que vivemos neste pais. Concordo em gênero , número e espécie. Sem controvérsias.
Quando faço uma pequena revisão nas “falcatruas” cotidianas que vazam (nos dois sentidos) por ai, falada, escrita, televisionada e psicografada e que tais e afins (estou tirando desta qualquer alusão a Polícia Federal, no meu entender, agindo como se espera de uma Polícia Federal, portanto não pactuo com a opinião do Ministro), tenho a nítida impressão que esse mutirão de canalhice atravanca os nossos neurônios de tal forma que, num dado momento, por mais que nos esforcemos, é quase impossível acompanhar os feitos e, principalmente, cobrar os resultados, formar uma opinião, concluir.
“Me sinto “ abduzida com tanta “perícia” que eu, até hoje dona e senhora dos meus neurônios, estou achando que os pobrezinhos se encontram em uma nave espacial e que os Ets abduzidores ainda não entenderam o “lero” deste país. Já não sei como cidadã: quem é quem, se fico ou se pinico, se o morango é uma cereja arrepiada, quem é filho do meu pai e da minha mãe, mas não é meu irmão, se o Valério foi o sortudo dos milhares de prêmios da loteria (naquele esqueminha que não dá mais ibope) ou se foi ele que matou o gato da minha vizinha; se foi o José Dirceu que contribuiu para a extinção da Sudene, ou se provocou um incêndio em Guarulhos,quando soltou o balão comemorando a sua volta á vida publica, se Delúbio Soares é o responsável pela prisão da Beira-Mar ou se estou confundindo Delúbio com dilúvio (se bem que tanto faz, o estrago foi o mesmo), se os donos da navalha estão com medo de pagar os direitos autorais da “Navalha na Carne” á família do nosso dramaturgo inesquecível Plinico Marcos e com raiva jogaram aquele cachorro no Rio Tietê (ou Tamanduatei), que ficou nadando nos cocos durante dois quilômetros, movimentando o corpo de Bombeiros para salva-lo, se o a última denúncia da Veja quanto a suposta “ajuda de custo” ao Presidente do Senado é um “avant premier” do próximo “reality show” (este é genuinamente brasileiro) ou trata-se daquela série “crimes arquivados” que costuma ser reprisado tanto nas tevês a cabo, como nas tevês do Senado e Câmara. Quanto à lógica da Ministra do Supremo Tribunal Federal (apesar de entender que a secretária do dono da navalha mentiu e omitiu informações) e ainda assim revogou sua prisão, conclui:foi liberada para dar uma mãozinha no Pan.
Caçamba, meu! Como sabiamente dizem os paulistanos da gema: é muita areia pro meu caminhão. Num guento!
Bem , considerando este imbróglio todo que fiz - levada pelas circunstâncias - não me resta outra alternativa “ imbrogliar “ também minha crônica com uma brincadeirinha (não é assim que costumam fazer com a nossa cidadania? ). O que é o que é ? esclarecendo é uma palavra que, sem nenhuma metáfora, designa com perfeição um culto muito comum hoje neste país: aicarcohlanac.
Sandra Falcone |
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Luiz Alberto Machado
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Enviada:
Sáb Jul 14, 2007 8:11 pm |
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Ontem, transantonte e muitos ontens passados (provavelmente futuros também), assistindo aos telejornais, um fantasma apareceu na minha frente tremulando uma bandeira. Primeiro achei que era um porta-bandeira já falecido de uma escola de samba. Carnaval chegando! Depois olhei melhor e vi que o fantasma-falecido não estava sambando, estava gritando. Tomei um dormonid. Só ele mesmo para tirar aquela visão da minha memória e os gritos lancinantes – acho que, muda, fiz um dueto. Apaguei!
Acordei com a boca amarga , como cidadã, como pessoa, como alma, como nada. Cansada daquele nada resolvi sair pela tangente. Ficar pendurada nas palavras escritas e quem sabe, num verso bem lúdico, voar até uma estrela e encostar minha dor num outro planeta, ou naquele buraco negro que os entendidos em astronomia dizem existir e que um dia vai engolir todo o universo, inclusive nós, pobre mortais. Não deu certo. O verso esperado nem apareceu para dar um olá. Fiquei frustrada! Eu bem que merecia uma inspiração. Ninguém é de ferro. Nem eu! Se bem que ferro enferruja. Corrigindo: ninguém é de aço!
Esqueci o lúdico. Vou escrever uma crônica mais coloquial. Prosaica, diriam alguns. Afinal, tenho uma coluna, não tenho? Ainda que na contra-mão. Resolvi dar uma espiada nas minhas crônicas. Caramba! Já escrevi sobre tudo: a estrela vermelha no Planalto, a mudança do nosso logotipo, a missão de paz, as CPIs, a dança protagonizada por aquela deputada amarela, a cueca, o Waldomiro, o Dirceu – lembrei agora do Rei: eu voltei, voltei para ficar, eu voltei aqui é meu lugar. Mas, falando sério, nunca escrevi tanto (e continuo escrevendo, sou teimosa!). Filas do INPS, carteiras de trabalho des-assinadas, assaltos, insatisfação, medo, revolta. Até clonei os sete pecados capitais. Desanimada, sem meus versos lúdicos e com palavras bocejantes nas minhas crônicas cansadas, fiquei com a brocha na mão. Não sobrava nada. Replay apenas.
Da brocha na mão, como escrevo, não pinto, pensei no lápis. Talvez fosse essa a receita, escrever tudo “no” lápis. Lembrei de um episódio muito encantador. O filho de um amigo meu vendo o pai triste e acabrunhado perguntou: pai, você tá triste? O pai, querendo ser sincero, respondeu usando uma metáfora, no seu entendimento ao nível do menino: escrevi minha lição de casa errado. O filho respondeu com a naturalidade que se tem aos sete anos (pra não dizer com um bofetão de sabedoria ): por que não escreveu a lápis? Pegava a borracha e apagava tudinho! Evidentemente que com essa graça a inspiração não negou chumbo: nasceu um poema. Quem sabe para eu deixar de ser uma poeta bissexta preciso de um lápis. Sei lá, estou divagando, como sempre. Até agora falei, mas não falei nada, nem escrevi.
E eu posso falar? se mal me pergunto. Ou melhor dizendo, falar o quê? O Brasil não tem catástrofes naturais, tsunamis, terremotos, nem Andrews, nem Andréias (tornados). Antes tivesse. Eu estaria aqui me esgoelando contra a natureza. Que coisa boa, Dio Santo! botar a culpa no imponderável! Mas não posso! Posso? Que natureza é essa que esfola uma criança por sete quilômetros, que mata civis inocentes que chegam do trabalho, depois de horas amassados num ônibus lotado? Tiros trocados pelas milícias, pelos traficantes, pela polícia, pelo exército. São balas de coco?
O que nos espera? A lei que vai ser sancionada nos próximos dias? Mais uma vítima inocente! As dezenas de assassinatos diários? Quantas missas de sétimo dia e um minuto de silêncio vamos ter que purgar? Fico com Manuel Bandeira ou com Chico Buarque e Edu Lobo? Hum... pensando... com um pedacinho dos dois, ou melhor, dos três.
E quando estiver triste
Mas triste de não ter jeito[1]
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar[2]
Ah! esqueci de contar. Aquela bandeira era vermelha. Já escutei por aí que cor é uma questão de cultura, não de gosto. Há controvérsias. Uma certeza tenho: o sangue que corre nas minhas veias é vermelho, não azul. E quando sangro, por dentro ou por fora, é no vermelho!
Sandra Falcone
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[1] Passárgada.
[2] Moça do sonho. |
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