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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Qua Ago 02, 2006 10:16 pm |
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Nas palavras, eu sei, bem me confundo,
Qual fossem as estrelas lá do céu,
Mundo vasto, tão vasto esse meu mundo,
Perdido procurando o carretel
Que prenda minha calma, indo tão fundo,
A moça mais bonita do bordel,
Coragem, coração tão vagabundo,
Corado vai subindo, num rapel.
Bem sei da serventia desses versos,
Inversos, são meus últimos delírios.
Carrego, procissão, levo meus círios,
Trafego nesses tantos universos,
Causando sofrimentos e martírios,
Sem medo dos tormentos adversos... |
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Editado pela última vez por Marcos Loures em Seg Ago 07, 2006 6:17 pm, num total de 2 vezes |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Seg Ago 07, 2006 12:04 pm |
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Percebo nos teus olhos, tanto frio;
Certezas, já não tenho, nem as sei.
Amores são segredos, vou vazio,
Lembranças desse tempo em que fui rei.
Agora, que não temo mais, vadio.
Confesso que não penso e nem pensei,
Em meio a temporais, inunda o rio,
Por onde tantas vezes naufraguei...
Não quero nem sentir meu pensamento,
A verdade doída me maltrata,
Velhice vai chegando, meu tormento,
Nem posso reclamar da vida, ingrata,
Nem posso maldizer, um só momento.
Prazer que não reluz, hoje me mata… |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Seg Ago 07, 2006 3:10 pm |
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Meu barco, navegando na saudade,
Meu tempo transportado para vida.
Percebo que tu foste crueldade,
Não quero a juventude assim, perdida.
Nem temer essas ondas, tempestade,
Nem saber dessas dores, despedida...
Nesse momento exato, despedida.
Numa cruel malícia da saudade,
Tombando na primeira tempestade...
Perdendo a cada dia, minha vida,
Que me traz , toda noite, nau perdida,
Sem sentir, vou vivendo a crueldade,
Não quero nem concebo a crueldade,
Trazendo-me essa amarga despedida,
Do que me restou, lágrima perdida...
Deixando tão somente essa saudade,
Que foi a marca expressa em minha vida.
A morte rememora a tempestade.
Buscando pel’amor na tempestade,
Temendo, simplesmente, a crueldade;
A de nunca, jamais, amar na vida.
A cada dia, nova despedida.
Meu peito vai sangrando tal saudade.
Nem quero te rever, estás perdida,
Meus versos, que te fazem tão perdida,
Quero mesmo salvar, na tempestade,
Bem antes que traduzas em saudade.
Não quero perceber a crueldade
Bem antes que isso seja despedida,
O maior amor, toda a minha vida...
Querendo conhecer, de tua vida,
Saber que tu andaste, tão perdida,
Pois sabes, dos amores, despedida,
Tão sem rumo, enfrentando a tempestade,
Tuas dores, amores...Crueldade.
Por isso, me matando de saudade.
Amor, tanta saudade nessa vida,
Parece crueldade, traz, perdida,
Qual fora tempestade, despedida... |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Seg Ago 07, 2006 6:16 pm |
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Amo-te tanto, querida;
É sublime, amar-te assim,
Não concebo despedida,
Te quero sempre, pra mim.
A vida não me negaria,
Pois, tanta felicidade,
Minha maior alegria,
Poder te ter, de verdade...
Minha amada, doce canto,
Em tua boca traduz,
Tanta luz e tanto encanto,
Tudo, em ti, me seduz...
Quero um momento contigo,
De poder me confessar,
Não quero mais o perigo
De viver sem te amar...
Meus segredos? Sabes todos...
As esperanças também,
Não me permito os engodos
De viver sem ter alguém.
Quero, portanto teu beijo,
Quero carícias sensíveis...
És, portanto, meu desejo.
Os lugares mais incríveis...
Contigo, não temo a morte,
Nem a espero, contudo
Não quero perder a sorte,
Te perdendo, perco tudo...
Minha pobre namorada,
Minha rica companheira,
Companhia nessa estrada,
Minha paixão derradeira...
Agradeço tanto brilho,
O que emites para mim,
Te persigo, lindo trilho,
Perfumado de jasmim...
Nos cabelos tão macios,
Nos teus olhos tão bonitos,
Eu me prendo nos teus fios,
Amores mais infinitos... |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
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Enviada:
Seg Ago 07, 2006 9:02 pm |
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Soneto
O cheiro do café, na mesa posta,
A broa de fubá deliciosa,
O leite quente, tanta coisa exposta,
Traz uma sensação maravilhosa...
O sol nascendo, brilha lá n'encosta,
A vida se refaz, sempre gostosa.
Noutra manhã feliz , a gente aposta.
A natureza-mãe, tão amorosa...
O boi mugindo, longe, lá no pasto,
O galo canta, livre melodia.
Aos olhos, tudo belo, num repasto
Digno dos deuses, velha fantasia.
A menina se esconde, riso casto.
Vida passa, transborda d’alegria... |
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Marcos Loures
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Enviada:
Seg Ago 07, 2006 10:17 pm |
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Malícia
Soneto
No teu corpo, a malícia, cativante.
Nos teus seios transborda meu desejo,
Tua boca carmim vai, delirante,
Na busca dos teus lábios, antevejo.
Carícias são premissas. Ofegante,
Procuro por teus olhos, neles vejo,
O gozo refletido, radiante.
Pudera mergulhar, num simples beijo...
Teu toque prenuncia mil delícias,
Quisera conhecer os teus segredos,
Vertendo devagar, tantas carícias.
Percorrem todo o corpo; leves dedos,
Entreabrem tua blusa, com malícia,
Penetro, qual luar, teus arvoredos... |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
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Enviada:
Ter Ago 08, 2006 6:17 pm |
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FALAR DE TUA AUSÊNCIA, MINHA AMADA
NO TORPOR DESSAS TANTAS MADRUGADAS,
VOU CAMINHANDO, ÀS CEGAS, PELA ESTRADA
PROCURANDO ENCONTRAR TUAS PEGADAS...
SOLTO, EM VÃO, MINHA VOZ DESESPERADA,
PROCURO EM OUTRAS MÃOS, TUAS AMADAS
MAS NADA ENCONTRO, NÃO ENCONTRO NADA,
A NÃO SER TUAS SOMBRAS NAS CALÇADAS;
NESSA MINHA SAUDADE ; QUE TORTURA!
TE PROCURO POR TODOS OS CAMINHOS,
ME RESTA TÃO SOMENTE ESSA AMARGURA,
DAS TRILHAS DOS MEUS PASSOS; TÃO SOZINHOS,
MINHAS NOITES EM BUSCA DA CANDURA,
VOU PROCURANDO, EM VÃO POR TEUS CARINHOS... |
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Marcos Loures
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 6:34 am |
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Ser tudo, ser seu sol, sobreviver.
Sortido sentimento sem sentido,
Serei sempre sonhado, sem saber.
Sou sombra, sombreando, sou sabido.
Sei sinas sei sinais, sobreviver.
Soltando sem saber, sem ser sorvido,
Soldado, sem serpentes, sorver,
Sol sem sertão, sorvete sim, servido...
Saberia ser sonho, se soubesses.
Sentiria saudades se sonhasses,
Sei, são somente sonhos, são sentidos.
Sonatas soltas, sórdidas... Sofridos,
Solidão sentimento; seus sonidos,
Seriam serenatas, se sentisses... |
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Marcos Loures
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 6:34 am |
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Não quero mais conter esse delírio
Nem quero transformar todo esse pranto
Em serenata louca, meu martírio.
Quero perceber ecos no meu canto;
Eu quero a mansidão brotando o lírio
Na sedução gentil, onde agiganto,
Matando a fome breve, num pão sírio,
Torturado seguindo o desencanto.
Não vou nem sentirei, na tua ausência,
O que restou, no fim, da minh’história.
Nem peço, nem consigo tal clemência;
Da vida, foste encanto, foste glória,
Agora que floresce essa demência,
Meu tempo vai fugindo, da memória. |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 6:35 am |
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A sedução caminha semi-nua;
Na transparência do vestido aberto,
Em teu corpo, minha alma vai, flutua;
Circulando na luz, qual fora inseto.
E, louco, cego, sigo; pela tua
Presença com prazer, o mais completo.
De tudo quanto a vida me insinua,
De tudo, me restou somente afeto.
Te desejo, distante, mas não tenho,
Nada a não ser a tua silhueta,
Nas marés em meus mares, quando venho;
Não há mais nada, quero ser cometa,
Mas ofuscas meus sonhos, mal me embrenho
Nessas matas, naufrago, vã corveta... |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 6:36 am |
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Aconchego dos teus braços,
Trago o cansaço dos meus,
Atando os dois, fortes laços.
Nestes teus braços tão meus...
Amor traduzindo paz,
Capaz de nunca esquecer,
Do tempo em que fui audaz,
Parecendo não morrer...
Mas hoje, só sei de ti,
Nada mais quero encontrar,
Falando do que vivi,
Não preciso procurar...
Tudo tenho no teu colo,
Felicidade e prazer,
Não quero mais outro solo,
Nem preciso conceber...
Das coisas que me restaram,
A melhor eu já mantive,
Das dores que machucaram,
Tua alegria é que vive.
Meus cabelos estão brancos,
Mas a alma inda sorri,
Os teus sorrisos mais francos,
Me lembram que não morri.
Falar da vida, conceito,
Que nunca pude conter,
Mas luto pelo direito,
Simples de sobreviver.
Nada então peço a meu Deus,
A não ser o teu perdão,
Esses teus olhos, tão meus,
Iluminam o coração...
Minha vida segue o rumo,
Pois tua presença encanta,
Mas se sais, perco meu rumo,
Ata o nó, minha garganta.
Perdoe essa heresia,
Chamar de deusa e rainha,
És a luz de todo dia,
Obrigado: pois és minha! |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 6:38 am |
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SEU MOÇO, VOU LI CONTÁ,
ESSA HISTÓRA, NA VERDADE
CONTECEU NO CEARÁ,
NAS MATA DA BREVIDADE,
ONDE UM CABOCO TRISTE,
DESSES QUE LÁ INDA EXISTE,
HÔME DE MUNTO RESPEITO,
FAMOSO LÁ NO SERTÃO,
TRAZENDO DEUS NO SEU PEITO
SEM MEDO DE SOMBRAÇÃO
NEM DE JAGUNÇO FEROZ,
NEM SE OS ENCONTRASSE A SÓS.
VIVIA, SEU JANUÁRIO,
NOS SEUS OITENTA JANERO,
MARCADO NO CALENDÁRIO,
SABEDÔ DO MUNDO INTERO,
COMO DIZIA CO ORGÚIO;
NUM GOSTAVA DE BARÚIO...
MORÁVA CUM DONA SANTA,
NUM CASEBRIM BEM FULERO,
SUA POBREZA ERA TANTA,
MAS AMÔ BEM VERDADERO,
PELA SUA CUMPANHERA
AMÔ DUMA VIDA INTERA...
SEUS FÍO JÁ TINHA IDO
PRA SUMPAULO TRABAIÁ,
SOZIM NO SERTÃO, PERDIDO
CANSADO DE BATAIÁ,
SÓ FICÔ ELE E A MUIÉ,
INDO INTÉ ONDE DEUS QUÉ.
APOIS BEM, NUM FEVERERO,
A MUIÉ CAIU DUENTE
FOI BATENO UM DESESPERO,
DESSES QUE MALTRATA A GENTE,
PERCURÔ UM RAIZERO,
SEU ANTERO DOS PERERO,
MAIS DI NADA ADIANTÔ,
TANTA REZA E TANTA FÉ,
PERCIZAVA DUM DOTÔ.
MÓDE SARVÁ A MUIÉ.
ISSO BEM CONTRARIAVA
QUEM EM DEUS, SÓ CUNFIAVA...
MAS DOTÔ, NAQUELES LADO,
ISSO NUM SE ACHA NÃO,
NO SERTÃO ABANDONADO,
À DUENÇA FEBRE E SEZÃO,
É COISA QUE NUM SE ACHA
AINDA SE FOSSE CACHAÇA...
CACHAÇA, BALA E CAXÃO,
POBREZA, FOME E MISÉRA,
ISSO LÁ NUM FARTA NÃO,
NEM CHÃO ADONDE SE ENTERRA,
OS ANJIM QUE MORRE CEDO,
ISSO LÁ NUM É SEGREDO.
TRABÁIO SÓ SE CHUVÊ,
SENÃO NUM TEM PRANTAÇÃO,
O MÍO PÕE-SE A MORRÊ,
MORRE TODA A CRIAÇÃO,
E CHUVA, ESSE ANO NADA,
NEM DEU SOMBRA DE INVERNADA...
JANUÁRO VENDO SANTA,
ESVAINDO DE MAGREZA,
FEZ PROMESSA, REZA TANTA,
ESPERANDO, NA POBREZA,
QUE VIESSE UM MOÇO SANTO,
PRA ACABÁ MERMO SEU PRANTO.
APOIS BEM, PUR UM MILAGRE,
DESSES QUE CONTECE POUCO,
LÁ NAS TERRA DO SEU SAGRE,
UM CAMARADA DOS LOCO
QUE VIVIA LÁ BEM PERTO,
PERCURANDO POR INSETO,
MÓDE FAZÊ COLEÇÃO,
E ISTUDÁ OS BICHO MORTO
NUMAS INVESTIGAÇÃO,
QUE LEVAVA PRUM TÁR PORTO
QUE MORAVA EM PORTUGÁ,
PRÁ MIÓ PUDE ISTUDÁ.
LÁ NAS TERRA DESSE SAGRE
UM MOÇO SE APRESENTÔ,
CUMA CARRANCA DE BAGRE,
SE DIZENDO UM TAR DOTÔ
QUE VEIO DA CAPITÁ
DIZENDO QUE IA CURÁ
A POBREZINHA DUENTE,
QUE GOSTAVA DE TRATÁ,
DO PESSOÁ MAIS CARENTE
QUE VIVESSE NO LUGÁ;
ASSIM, MEI RESSABIADO,
MAS SEM TER POR ÔTRO LADO,
SEU JANUÁRIO DEXÔ
QUE O HOMÊ LÁ FOSSE VÊ,
ESSE TAR DE HÔME DOTÔ,
A QUE ESTAVA A PADECÊ
DE DOR E DE SUFRIMENTO,
MAS AVISÔ: TOME TENTO,
VEJA O QUÊ QUE VAI FAZÊ...
O MOÇO RIU, DEVAGAR,
NEM PREGUNTOU O PRUQUÊ
DE TODO AQUELE FALAR,
PEDIU LICENÇA E ENTRÔ
PULA CASA, O TÁR DOTÔ.
VENDO A SANTINHA DEITADA,
FOI PEDINO UM CANDIERO
PRA MÓDE DÁ UMA OIADA,
NA VÉIA, DE CORPO INTERO,
PEDINDO PRA EXAMINÁ
FOI OIANO DEVAGÁ.
SEU JANUARO NERVOSO,
CUM TODA ESSA MAPIAGE,
FOI OINAO PARO O MOÇO,
IA DIZÊ AS BESTAGE
QUE NÓIS DIZ CUM AFLIÇÃO,
ACHÔ MIÓ DIZÊ NÃO.
APOIS BEM, QUE TRAPAIÁDA
FEIZ ESSE TÁR DE DOTÔ,
PEDIR PRÁ VÉIA DEITADA,
LEVANTÁ O CUBERTÔ,
E MOSTRÁ NAS CAMISOLA,
AS PARTE MAIS SEM DEMORA.
SEU JANUÁRO FERVIA,
QUANDO O DOTÔ ZAMINAVA,
PRÁ PARÁ QUAGE PEDIA,
PRU ESSA NUM ESPERAVA,
DEXÁ A MUIÉ QUAGE NUA,
COMO SE ELA FOSSE SUA...
O DOTÔ VIU A CUMADE,
E DISPOIS ELE AFIRMÔ,
CUM TODA SIMPLICIDADE,
O QUE CAUSAVA ESSA DÔ,
DISSE NUM TÊ MAIS PERIGO
QUE O PROBREMA ERA NO FIGO.
QUE TOMASSE UMAS MEZINHA,
QUE FIZESSE UMA DIETA,
QUE TREIS OU QUATRO TARDINHA,
SE ELA FICASSE BEM QUIETA,
TAVA CURADA DO MÁR,
QUE PUDIA LEVANTAR...
APOIS BEM, MUNTO OBRIGADO,
DIZ O CABRA JANUÁRO,
QUE POR DEUS SEJA LOVADO,
QUANTO QUE ERA O ONORÁRO
QUE COBRARIA O DOTÔ
POR TER FEITO ESSE FAVÔ.
“NUM POSSO LI COBRÁ NADA,
POIS FOI MINHA OBRIGAÇÃO”.
-POIS ENTAUM PEGUE ESSA ESTRADA
E NUM VORTE AQUI MAIS NÃO.
SE O SINHÔ FOR VORTÁ,
SÔ OBRIGADO A MATÁ.
DOTÔ FICÔ ASSUSTADO,
O PRUQUÊ DESSE SERMÃO.
ENTONCE FOI EXPRICADO:
-SEU DOTÔ, PRESTE ATENÇÃO.
EU TÔ MUNTO AGRADECIDO,
PRÚ SINHÔ TER ASSISTIDO,
A MINHA POBRE SANTINHA,
MAS, ME PREMITA UM PORÉM,
QUANDO O SINHÔ VIU NUÍNHA,
COISA QUE NUM VIU NINGUÉM,
NEM MERMO NA NOSSA VIDA
A VI, ANSIM, DESLAMBIDA,
SEM TÊ ROPA PRÁ COBRÍ.
POIS LI JURO, SEU DOTÔ,
JURO POR TUDO QUI VÍ,
VAI EMBORA, FAIZ FAVÔ,
ISSO NUM VÔ PERDOÁ,
SE NUM FÔ, VÔ LI MATÁ... |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 6:41 pm |
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PODEREI TRAZER OLHOS MAIS DISTANTES,
VÃO PERDIDOS, SEM RUMO, NAVEGANDO,
EM TRISTES ROTAS, MARES INCONSTANTES.
PROCURA POR TEUS OLHOS, FLUTUANDO
NAS VAGAS SOMBRAS, LUZES VÃO BAILANDO,
NOS ÚLTIMOS COMPASSOS, DELIRANTES;
PERDER-ME, ALUCINADO, SABER QUANDO,
PODER SER O QUE SONHO SER, BEM ANTES
DA DERRADEIRA DANÇA NOS TEUS BRAÇOS,
QUE ME CONDUZ, VADIO POR ESPAÇOS,
NOS COMPASSOS SERENOS DO TEU CANTO,
NO QUE ME DERA,EM VIDA TANTO ENCANTO
NO QUE PUDERA SER ME DESENCANTO,
MAS QUE, GLORIOSA, VIVE EM MEUS ABRAÇOS... |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 7:13 pm |
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A beleza caminha, tão suave,
Nem percebe meus olhos, toda nua,
Buscando no teu corpo, minha nave,
Onde possa voar na tua lua.
A beleza traz, forte, firme clave.
Eu nem tento fugir por essa rua,
Pois bem sei que conheces toda chave
Que possa abrir meu peito, nele atua...
Pois a beleza, atriz domina a cena.
Me traz bastante brilho e fantasia,
E, no final de tudo seduz, acena,
Me permitindo o mote da alegria,
Vertendo minha sorte em sorte plena,
Fulgura, bem mais forte, no meu dia... |
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Marcos Loures
Mensagens: 269
Localização: Guaçuí-ES
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Enviada:
Qua Ago 09, 2006 7:15 pm |
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Trova
Passatempo, passarinho
Passa tudo devagar,
Passando o tempo, sozinho,
Tempo custando a passar...
Marcos
Contra trova
Passarinho, passa o tempo,
Custando, tão só, a passar...
Te trago um alegre vento
N'um passatempo entr'o mar.
E esta voz que s'encanta,
Sussurros do teu vozear,
Brincando como criança,
Sorri e dança, a cantar....
Amita |
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Editado pela última vez por Marcos Loures em Qua Ago 09, 2006 7:44 pm, num total de 1 vez |
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