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MARTHA MEDEIROS pensador.uol.com.br/texto_martha_medeiros/ Exibir próxima mensagem
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bbrian



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MensagemEnviada: Dom Jul 31, 2011 7:17 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

O contrário do Amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Martha Medeiros

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Pupila



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MensagemEnviada: Dom Ago 21, 2011 9:59 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

bbrian escreveu:
O contrário do Amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Martha Medeiros


texto incrível e verdadeiro...
enquanto lia, lembrei de palavras absurdas que ouvi de algumas situações na educação...

obrigada bbrian por trazer Martha Medeiros!
beijos poéticos

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bbrian



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MensagemEnviada: Seg Ago 22, 2011 8:56 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Pupila escreveu:
bbrian escreveu:
O contrário do Amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Martha Medeiros


texto incrível e verdadeiro...
enquanto lia, lembrei de palavras absurdas que ouvi de algumas situações na educação...

obrigada bbrian por trazer Martha Medeiros!
beijos poéticos


Realmente Pupila, Martha Medeiros é incrível e de muito talento, gosto dos textos e da poesia dela. Exala verdade e nudez. Beijos no coração!

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Ter Set 20, 2011 8:48 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A ALEGRIA na TRISTEZA – por martha medeiros / porto alegre
Posted on setembro 20, 2011 19:06 pm by Equipe Palavreiros da Hora| Deixar um comentário


O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se “Alegría de la tristeza” e está no livro “La vida ese paréntesis” que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

bbrian,
Ainda não tinha felicitado esta abordagem duma autora de imenso merecimento, hoje encontrando-a trouxe(-a)
http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2011/09/20/a-alegria-na-tristeza-por-martha-medeiros-porto-alegre/
Abraços do coração!!

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http://www.recantodasletras.com.br/autores/Francisco
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bbrian



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MensagemEnviada: Ter Set 20, 2011 9:11 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Francisco Coimbra escreveu:
A ALEGRIA na TRISTEZA – por martha medeiros / porto alegre
Posted on setembro 20, 2011 19:06 pm by Equipe Palavreiros da Hora| Deixar um comentário


O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se “Alegría de la tristeza” e está no livro “La vida ese paréntesis” que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

bbrian,
Ainda não tinha felicitado esta abordagem duma autora de imenso merecimento, hoje encontrando-a trouxe(-a)
http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2011/09/20/a-alegria-na-tristeza-por-martha-medeiros-porto-alegre/
Abraços do coração!!


Belo texto, de grande enriquecimento. Confesso que dou boas gargalhadas, e tristezas nao me abate, talvez por ser desprovida de apegos a dinheiro, sucesso...e tudo que faço é com vontade acertar a única ambição que eu tenho é por almas, gosto de zelar as pessoas, dar colo, acaricia-las no espírito.Muitas vezes sou mal interpretada , mas minha alma é sempre liberta porque meu lema é amor. Amor de pessoas, amor de amigos, amor a natureza... Minha propaganda sou eu. Beijos no coração!

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Qua Set 21, 2011 9:16 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

bbrian escreveu:

Belo texto, de grande enriquecimento. Confesso que dou boas gargalhadas, e tristezas nao me abate, talvez por ser desprovida de apegos a dinheiro, sucesso...e tudo que faço é com vontade acertar a única ambição que eu tenho é por almas, gosto de zelar as pessoas, dar colo, acaricia-las no espírito.Muitas vezes sou mal interpretada , mas minha alma é sempre liberta porque meu lema é amor. Amor de pessoas, amor de amigos, amor a natureza... Minha propaganda sou eu. Beijos no coração!


Sua propaganda é você!
Vim dar beijo de Boa noite *

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bbrian



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MensagemEnviada: Qua Set 21, 2011 9:55 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Francisco Coimbra escreveu:
bbrian escreveu:

Belo texto, de grande enriquecimento. Confesso que dou boas gargalhadas, e tristezas nao me abate, talvez por ser desprovida de apegos a dinheiro, sucesso...e tudo que faço é com vontade acertar a única ambição que eu tenho é por almas, gosto de zelar as pessoas, dar colo, acaricia-las no espírito.Muitas vezes sou mal interpretada , mas minha alma é sempre liberta porque meu lema é amor. Amor de pessoas, amor de amigos, amor a natureza... Minha propaganda sou eu. Beijos no coração!


Sua propaganda é você!
Vim dar beijo de Boa noite *


Claro que sou eu, como você é a sua, como cada pessoa é a própria. Nada no sentido vaidoso. A minha é de Ouroanas, rsrsrs! boa noite e beijos no coração!

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bbrian



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MensagemEnviada: Sex Out 21, 2011 8:20 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

De cara lavada - 177


Martha Medeiros


hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos


Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tenho trabalhado como redatora e diretora de criação em vária agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia.

De volta ao Brasil, começou a colaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna, que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — no Segundo Caderno. Escreve, também, uma coluna semanal para o sítio Almas Gêmeas e colabora com a revista Época.

Seu primeiro livro, Strip-Tease (1985), Editora Brasiliense - São Paulo, foi o primeiro de seus trabalhos publicados. Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada (1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago do Chile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9a. edição, foi adaptado com sucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas.


Texto extraído do livro "Martha Medeiros - Poesia Reunida", L&PM Editores - Porto Alegre, 1999, pág. 127.

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MensagemEnviada: Qua Dez 21, 2011 9:23 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

CANSADO DA VIDA?
por Silvana Lance - silvanalance@gmail.com


Quantas vezes você já se sentiu cansado de tudo achando que ninguém o compreende e que a vida é injusta? Talvez você tenha tentado mudar as coisas e as pessoas ao seu redor sem êxito, e de tanta luta o cansaço se apossa, trazendo desalento, sentimento de solidão e incompreensão... Então, se sente mal consigo mesmo se fechando em mágoas, tristezas, aliando-se ao desânimo, acabando também por evitar os outros e até mesmo sua própria companhia para não ter que olhar pra dentro, questionar-se e enxergar o que “sabe” que tem que ser visto ou revisto. E neste esforço contínuo de fuga sente-se, enfim, como quem tenta caminhar ou correr numa esteira, chegando apenas à exaustão e a nenhum caminho...

É preciso dizer a si mesmo: "Basta! Não quero e nem vou me permitir viver assim! Não vou ficar tentando dar voltas e voltas nesta “esteira” estúpida, numa teimosia e inflexibilidade que não me levam a lugar algum!"

É preciso atitude! Então, por que não agora? A vida não espera, ela flui ininterruptamente! Todos os dias é preciso aprender e jamais estagnar pelo que já se sabe!

Devemos observar a natureza e fluir como um rio que se desvia de obstáculos, muda seu curso mas sempre segue seu caminho porque tem um objetivo maior: o grande mar! O grande mar da nossa vida está à nossa espera, mas se ficarmos “empoçados” em algum obstáculo ao invés de contorná-lo, nunca chegaremos a lugar algum! Com medo de seguir pelo desconhecido fincaremos raízes no medo, na insegurança, escondidos atrás de uma “segurança” ilusória, escondendo-nos atrás das dificuldades e nos dando falsos motivos para não enfrentar. Além do mais, nos tornaremos críticos com os que seguem, até mesmo por uma certa inveja dissimulada! Ninguém é superior ou inferior a ninguém, apenas não somos iguais. Uma desigualdade que une pois precisamos uns dos outros na troca de experiências para que nos ensinemos a arte da vida, para que possamos enxergar um novo ângulo de existência! Um novo ponto de partida!

A vida está aqui para ser vivida em sua plenitude e não para que sejamos apenas espectadores lamentosos! Ela se concentra no “agora”, onde realmente estamos. Temos que aprender a deixar o passado em seu lugar para habitarmos a nossa própria vida no “presente” e nela permanecer, porque este é o nosso lugar! O futuro? É o presente que nos espera a cada segundo...

A vida é cheia de oportunidades; ela se reconstrói de dentro pra fora; portanto, temos que cultivar a alegria para que este lugar seja ideal para a expansão de outros sentimentos que nos propicie crescimento e as mudanças que almejamos. Na vida nos cansamos, não enquanto caminhamos, mas justamente quando estagnamos... Cansados somos como galhos secos que nada produzem, mas quando cultivamos a alegria de viver ficamos como árvores frutíferas que dão frutos sem esforço, porque é uma conseqüência natural... Novamente a lição da natureza porque fazemos parte dela! É natural vivermos com alegria para produzirmos nossos frutos! Nossas flores! Precisamos cuidar de nossa horta, nosso pomar, nosso jardim da vida! Temos que nos trazer de volta à vida... e não permanecermos apenas estagnados na sobrevivência!

Devemos evitar começar o dia com frases tais como “Nem vem que não estou de bom humor hoje!”, “Hoje vai ser um dia daqueles!”. Não programe seu dia para coisas ruins e sim para poder vivê-lo e administrá-lo de forma a que seja sempre um dia maravilhoso apesar das dificuldades, que nada mais são do que lições! Faça o seu melhor e isto já basta!

Deus nos criou, mas não nos deu uma “vida pronta” e sim o dom dela para que pudéssemos nos desenvolver e nos aperfeiçoar, sendo co-autores de nossas próprias vidas. Por isso nos deu escolhas (tentativas!) e a força da superação para vencermos obstáculos e crescermos para então nos tornarmos dignos de Sua criação!

A força está em nós, só precisa ser utilizada! Não seja rígido demais consigo mesmo; não acredite em todas coisas que lê ou ouve e muito menos não se prenda a elas como “leis”. Não coloque a si mesmo regras demais; afinal, pra quê? Para ser perfeito? Não há vida nisso; há prisão para si e para outros que ao seu lado convivem! Ouça, analise, pondere e não tente ser perfeito e muito menos exigir perfeição! Tenha maleabilidade e contorne situações (como o rio)! Aprenda sempre! Volte atrás quando preciso for! Isto não é fraqueza, é sabedoria! Mude quando necessário e não se prenda a conceitos rígidos. Lembre-se sempre de que todos os dias há uma nova oportunidade de mudança, de uma nova compreensão, de um novo recomeço à espera de uma nova atitude! Olhe para frente e siga! Você não se sentirá cansado, mas revigorado!

Sorria, converse consigo mesmo, converse com os amigos, curta a família, retome antigos hobbies, realize pequenos desejos que lhe façam bem! Supere-se! Surpreenda-se! Dê a volta por cima! Ouça o que o coração tem a dizer mas não renegue a razão, mantendo um equilíbrio perfeitamente possível! Não se desfaça das suas “manias” porque riem delas; se isso lhe faz bem e não faz mal a ninguém, que mal há nisso?! Mantenha a serenidade! Não se apegue aos problemas! Conserve o bom humor! Você vai precisar muito dele, acredite!

Flua como ar, o rio, a natureza! Flua com o sorriso! Flua neste espaço de vida! Observe a vida planando como uma ave, numa visão aérea, num sentimento de coragem e liberdade, mas conserve o seu ninho, você precisa dele. Todos temos nossos momentos, mas não se ature por muito tempo como um chato e ranzinza, num amargor que contamina sorrisos e distribui obstáculos! Faça uma terapia de autoconhecimento e sinta admiração pelo que você é, pela sua história! Apaixone-se por você e traga-se de volta à vida. Você foi gerado pra isto, e não apenas para sobreviver!

Ouça a voz que está dentro de si mesmo; ela o conhece e tem muito a dizer e você tem muito a compreender sobre si mesmo. Ouça o silêncio que diz, o pensamento que grita. Não cale sua voz interior: ela é você que com tantas experiências está apta a lhe ensinar a sua própria lição, na medida do seu ser, porque você não é igual a ninguém. Você é sua própria essência, experiência e excelência! É essencial que você usufrua desse néctar! Celebre e desfrute a vida! Você pode e deve, pois cada dia dela é uma ocasião especial, é uma dádiva divina! Liberte-se da sobrevivência e permita-se viver! A alegria é uma conseqüência natural quando nos permitimos!

Não deixe nada para “depois”, porque o depois ninguém sabe quando ou se existirá. O momento é agora! Você é responsável por sua vida. Você é necessário e insubstituível nela, portanto, receba sua vida e viva da melhor maneira possível, respeitando sempre três regras básicas: RESPEITO A SI MESMO, RESPEITO AO OUTRO e RESPONSABILIDADE!

“A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei meus dias tentando prolonga-los. Eu usarei meu tempo”.
Jack London

“É possível mudar nossas vidas e a atitude daqueles que nos cercam simplesmente mudando a nós mesmos”.
Rudolf Dreikurs

“Não acrescente dias à sua vida, mas vida aos seus dias”.
Harry Benjamin


Silvana Lance Anaya
Psicanalista/SBCampo
Ok

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