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Luiz Alberto Machado
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MAURÍCIO MÉLO JÚNIOR - Entrevista (página 2 de 2)
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O escritor e jornalista pernambucano Maurício Mélo Júnior, é apresentador do programa literário Leitura, nos finais de semana da TV Senado, já tendo desenvolvido atividades de critico literário do Correio Brasiliense, professor do Centro de Ensino Universitário de Brasília - CEUB e assessor de imprensa do Ministério da Justiça.


Luiz - E a vanguarda?

Maurício - Muito menos a vanguarda, às vezes é um retrocesso. Se falarmos da última vanguarda, ela já tem 50 anos, que foi o Concretismo. A própria poesia marginal dos anos 70, não teve uma consistência para se dizer vanguarda. A geração mimeógrafo não teve consistência como movimento. Eu não sei. Eu fico na vanguarda do Concretismo que envolve a práxis. Qual a grande vanguarda da poesia Concreta? O discurso de explodir a linguagem, ela explodiu a mensagem. Aí restou nada, porque literatura é mensagem. Se você pega um troço que não lhe diz nada sentimental nem racional, perde a função de literatura.  

Luiz - E o escritor Maurício Melo Júnior?

Maurício - Correndo dos cânones, buscando o novo, mas o novo como sentido de vanguarda. Acabei de escrever uma novela que termos usados antes de 1825, com toda uma linguagem centenária e abordando um tema extremamente atual que é a dissociação do homem com o seu mundo e com uma análise quase antropológica da função do negro no Brasil.

A minha literatura, depois de escrever romances e novela infanto-juvenis, resolvi partir para retomar o meu projeto da chamada literatura adulta, quebrando alguns cânones, porque não quero escrever literatura policial, nem romances históricos nem que adeqüem aos paradigmas que ai estão. Por isso, quero escrever um livro que me satisfaça e que possa questionar o que diabos é o homem brasileiro.

Luiz - De que forma está Pernambuco na sua obra?

Maurício - Está em tudo, no meu livro "Revolta do Cascudo", que fala do Rio Una, um rio da Mata Sul pernambucana; e o "O palhaço que perdeu o riso". No "Cascudo..." , como disse Fernando Pessoa, "o Tejo não é mais bonito que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia".

Então, o rio Una é o rio que corre pelas minhas veias, Palmares, muito embora eu seja da cidade vizinha Catende, e eu buscava discutir nesse livro o problema ecológico, que é o problema das caldas e do vinhoto das usinas jogados nos rios, como também o problema social, o que tem isso a ver com uma comunidade ribeirinha, aquática, numa fábula. No "O palhaço que perdeu o riso", trato de um espetáculo de um circo que se passa numa cidade do interior no encanto da criança interiorana. Duas novelas que acabei de escrever que reuni com o nome de "Andarilho", uma fala de um escravo que sai de Diamantina e vai até Penedo, aqui em Alagoas, pelo Rio São Francisco e nada mais nordestino que este rio. A outra novela, fala de um cangaceiro que sai da prisão na Bahia e vai para o Rio de Janeiro, tornando-se um inadequado dentro do clima carioca, nada mais nordestino do que isso.

Pernambuco e Nordeste, o meu sentimento visceral, está freqüentemente e, digo mais, não consigo dizer nada que tiver essas referências. Uma outra novela que estou escrevendo, "O Tardio", onde o personagem é pernambucano, pessoa inadequada diante do mundo exatamente, não por essas condições, mas por viver em um mundo que tem uma certa urgência que o dele não tem. Ele poderia acontecer em qualquer ambiente, mas tudo se passa em Pernambuco, um ambiente que eu vivi e por isso torna-se mais autêntico.
Luiz - E os projetos literários?
Maurício - Continuo escrevendo e fazendo entrevistas que é o que gosto de fazer. Continuar discutindo a Literatura Brasileira. Estou também desenvolvendo um projeto que é a história de outro inadequado que já falei anteriormente, e tenho um projeto que venho mitigando há muito tempo, que é um texto para ser dito a três vozes, tipo teatro literário, discutindo a condição da mulher. A mulher na visão do homem e de que forma o homem entende como opressor o universo feminino, e ela como oprimida dando a volta por cima. É uma loucura dessa qualquer que não sei onde vai dar ou se vai dar em alguma coisa.
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