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Luiz Alberto Machado
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GABRIEL PERISSÉ - Entrevista (página 2 de 2)
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Mestre em Literatura Brasileira pela USP e Doutorando em Educação pela USP, atua como professor universitário em São Paulo (FASM, Unifei, ANHEMBI-MORUMBI e IPEP) e como palestrante em escolas e empresas. Autor dos livros Ler, Pensar e Escrever, O leitor Criativo e Palavras e Origens - considerações etimológicas. Criou a Escola de Escritores, ministra cursos sobre produção de textos e literatura pelo IDEC - Instituto de Desenvolvimento de Educação e Cultura, e tem desenvolvido um intenso trabalho de formação e orientação de pessoas que desejam escrever melhor. Comentarista literário do Telejornal São Paulo, na TV CBI, colabora em vários sites culturais e é editor da revista internacional Videtur-Letras. 

Páginas onde se encontram seus trabalhos: 
http://www.webamigos.net/perisse.shtml  http://www.palavrarte.com/Equipe/equipe_gperisse.htm  http://www.hottopos.com/spcol/signat.htm#Gabriel http://www.webamigos.net/perisse.shtmls 


Luiz - Você que também é autor, qual é, a seu ver, o papel do escritor ou do papel do poeta no mundo de hoje? 

Gabriel - O autor deve fazer ver. Daí a necessidade de que o seu texto, ficcional ou ensaístico, poético ou acadêmico, no papel ou na tela do computador tenha a clareza como principal atributo. Escrever é transbordar, mas é preciso transbordar de modo que o leitor não seja afogado. Os leitores esperam sair de cada leitura com a sensação, e com a certeza, de que foram beneficiados generosamente pela inteligência do autor, pela sensibilidade do autor, pela imaginação do autor. 

Luiz - Você lançou um livro "O leitor criativo", como é que se identifica este tipo de leitor? Ou quais as características necessárias para ser um leitor criativo?

Gabriel - O leitor criativo é co-autor daquilo que lê. O leitor criativo exerce uma recepção ativa, de modo que, após a leitura, torna-se um produtor de sentido, um difusor de realidades, realidades observadas na leitura, absorvidas na leitura, mas, sobretudo, recriadas na leitura. Para eu me tornar um leitor criativo necessito aprender a ler nas entrelinhas, a ler o invisível, preenchendo-as com a minha visão de mundo. 

Luiz - Como autor, como você vê o mercado editorial brasileiro?

Gabriel - As editoras continuam lutando para sobreviver e, por isso, vivem em busca de best-sellers. O importante é salientar que as editoras deveriam ser, além de empresas, locais de encontro entre o escritor nacional e o público brasileiro. Já sugeri a várias editoras que incorporassem a idéia da Escola de Escritores, no sentido de se tornarem, não apenas empresas que recusam ou aprovam originais, mais uma referência de formação para pessoas que querem ser escritores. O mercado editorial não pode deixar de ser um mercado, mas poderia ser também uma escola, uma fonte de aprendizado. 
Luiz - A seu ver, existe algum nome que tenha se destacado atualmente na Literatura Brasileira?
Gabriel - O exemplo do poeta Manoel de Barros! Um poeta que se tornou conhecido e finalmente reconhecido porque insistiu, porque não abandonou a poesia, porque não fez concessões ao seu trabalho.
Luiz - A seu ver, quais as perspectivas hoje para um escritor ou poeta iniciante conseguir publicar seu livro?
Gabriel - Continuam difíceis. Mas é uma questão de trabalhar. E de aperfeiçoar-se. Um escritor precisa cultivar um leitorado, e, para tanto, beneficiar seus leitores. Qual é o bem produzido pela literatura? O texto bem escrito provoca um prazer específico. Esse prazer faz bem ao leitor. É um prazer de ordem estética. Ou intelectual. O escritor iniciante, o poeta iniciante precisam descobrir formas de conquistar uma "imensa minoria", ou seja, um público pequeno, mas qualificado e fiel, a partir do qual construirão uma base de leitores. Com o tempo, uma editora poderá reconhecer o trabalho desse escritor e desse poeta, levando em conta (o que é legítimo) a capacidade de venda desse autor em quem investirá. 
Luiz - O que é necessário para que este escritor ou poeta iniciante, a seu ver, deva ter em mente no processo de criação para que consiga desenvolver um trabalho literário de relevância?
Gabriel - Escrever bem é escrever com tudo. João Cabral de Melo Neto falava que escrever é ir ao extremo de si mesmo. Tal entrega é condição sine qua non para escrever. Querer publicar por uma questão de vaidade, por exemplo, é perda de tempo. Escrever é um serviço que prestamos ao leitor. Um serviço em que lhe entregamos idéias, sensações, sofrimentos, esperanças... tudo isso em forma de palavra. Uma palavra com a qual lutamos. Uma luta inglória, mas que sempre traz a sua recompensa. Para quem escreve e para quem lê.
Luiz - Que conselho você daria para esse pessoal que está começando hoje?
Gabriel - Cultivar o amor à linguagem. Escrever é um ato de amor. Desenvolver esse amor, cuidar desse amor. Tal desenvolvimento é impossível sem o conhecimento. Não se pode amar o que não se conhece. O escritor iniciante deve iniciar-se na arte da leitura. A leitura, mais do que um hábito, deve ser um ato de respiração para o escritor. Escolher os seus clássicos pessoais. Escolher e conviver com os seus autores-gurus. E imitá-los de modo criativo. Conviver com as palavras. Brincar com o dicionário. Brincar com a etimologia. Brincar com os sons das palavras. E com os sentidos. Para que escrever faça sentido. 
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