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Luiz Alberto Machado
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ALFREDO ROSSETI

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Os Ventos de Alfredo Rossetti

Luiz Alberto Machado

“A poesia é minha fotossíntese. Libertadora, parteja um canto solto no ar que o vento colhe. Embalado pela palavra, não se aflige por leveza, nem cai em tentações teóricas ou acadêmicas. Um canto antalgico, necessário, estóico. Escudo antigdogmatico, sem grilhões nem dedo em riste. Por vezes, um teorema, outras apenas bordejo. Um canto de alento contra as peias de alma. Como um sorriso triste”.

É assim que se apresenta o poeta paulista Alfredo Rossetti em seu livro recém-lançado “Colheita dos Ventos”.
O poeta nasceu em São José do Rio Preto e vive em Ribeirão Preto onde, desde 1984, exerceu funções ligadas à logística de empresas renomadas, esteve a frente do Estacai Cultura – um misto de bar e ponto cultural -, se declarando um apaixonado por livros, a ponto de ser dono de um sebo, o Velhas Novidades. Atualmente ele trabalha como voluntário na Biblioteca Padre Euclides, onde cuida do acervo histórico.

A respeito do seu livro escreveu Apparicio Lara Filho no prefácio: “(...) O autor, Alfredo Rossetti, não se deixou submeter pelas realidades multiplas do mundo atual, nem paga vassalagem aos modernos senhores feudais... pega de sua vivência (...) Destarte, Colheita dos ventos é a força criadora, a expressão lidima do humanismo do autor”.

Tal observação pode ser constatada no desfile de haicais na segunda parte do livro:

Acordar em mim
Abrir a porta e sair.
Poesia é assim.

O amor inunda
A vida (antes perdida)
Na noite profunda.

Um cacho de uva
Retem e faz sua refém
A gota de chuva.

Mas “Colheita dos ventos” trazem outros poemas, como o Merapoemeto:

Houve um amor.
Houve uma flor.
Há um lugar –
Comum à dor.

E também o belíssimo Medo com uma epígrafe de Montaigne: “O maior medo que sinto é o de ter medo”:

O dedo do povo
Na urna
E o dedo no gatilho
Na rua
Grassam o medo de sentir medo
Na pátria nua.

Destaco também o seu poema “O rio”:

Só,
Assento o dia na ponte
Ao sentir que a vida escorre
Por continua veias como um fio.
E a tarde se cansa
De mais um sonho de horizonte
Que dentro de mim intercorre
Procurando que a alma me conte
Como estancar este rio.

Outro poema que merece destaque é Noturno:

A esfera da lua
Esplende incólume.
Um avião passa por ela
Como uma máscara
E desaltera meu olhar.

O livro é digno de aplauso: uma poesia madura, um poeta que sabe o que faz: poesia da melhor qualidade. Um geminiano que transita entre Mercúrio e versos: a alma no verso. Ou como ele mesmo diz em “Exprimir”:

Qualquer palavra
Lavra
Quando a palavra
Livra

Colheita dos Ventos só solidifica o nome de Alfredo Rossetti entre os nomes mais proeminentes da poesia atual.

Veja mais Alfredo Rossetti acessando: http://varejosortido.blogspot.com/2008/05/poetas-de-so-paulo.html



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