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O artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia, Almandrade, integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e exterior.
É um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em 1974. Realizou cerca de vinte exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo entre 1975 e 1997; escreveu em vários jornais e revistas especializados sobre arte, arquitetura e urbanismo. Publicou os livros de poesias e trabalhos visuais.
Tem trabalhos em vários acervos particulares e públicos, como: Museu de Arte Moderna da Bahia e Pinacoteca Municipal de São Paulo. Retrospectiva Museu de Arte Moderna da Bahia, 2000. Exposição “pensamentos” no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, 2002.
Participou de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio); Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista; I Exposição Internacional de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional; Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972.
Almandrade arrebatou os seguintes prêmios: Prêmios nos concursos de projetos para obras de artes plásticas do Museu de Arte Moderna da Bahia, 1981/82. Prêmio Fundarte no XXXIX Salão de Artes Plásticas de Pernambuco em 1986.
Já publicou os livros: "O Sacrifício do Sentido", "Obscuridades do Riso", "Poemas", "Suor Noturno" e Arquitetura de Algodão". Prêmio Copene de cultura e arte, 1997.
Sobre ele, escreve Luiz Rosemberg Filho, em " A arte de Almandrade": Eu me permitiria dizer que Almandrade trabalha sobre o esfriamento do êxtase do olhar. Não o olhar de ser como foi, mas de ser como é. Reinterpreta o gélido espaço da cidade. Arquiteto, teórico, poeta e artista-plástico atua sobre a meditação do prazer. O seu tempo é outro, e o seu espaço também. E no que não apresenta ter uma direção definida, subverte o impulso da criação. Com poucos elementos reexamina o fazer, dando aos seus trabalhos uma razão de pensar.
Ao criar imagens desconexas-frias, medita sobre as diversidades do ser. Ser como sensibilidade. E a sensibilidade como elemento de transgressão. A sua ambigüidade talvez possa ser melhor exprimida no seu desejo de imobilidade. Produz então a fantasia através de um destroçamento contínuo da vontade. O seu êxtase fragmentado o exclui de ser um perverso.
Incansável nos seus deslocamentos, ou nos deslocamentos dos seus objetos, passa uma espécie de sensação viva do tempo que não passa. E aí então no lugar da dor, a razão. No lugar habitual, o silêncio como metáfora de uma representação não-alegorizada. O que importa no fundo são as abstrações do olhar ou não, de cada um. Pouco importa se é entendido ou não. Quem gosta de clareza-castrativa é a TV. A felicidade de Almandrade é transbordar conceitos, diferenças e afastamentos. Quer se aceite ou não, Almandrade transforma o real em algo impenetrável.
Freqüentemente estranho em seu trabalho, torna-se único num tempo de opacas realizações. No seu âmago faz parte do seu desejo. O desejo de vazio na confusão. Na Bahia onde todos falam muito e fazem pouco, Alma é uma espécie de luz na significação-poética do ser criador. Obsessivo em relação ao prazer, dá a seus traços, cores e objetos uma não-articulação para uso ou exploração. Os seus trabalhos acabam na nossa solidão. Viaja então do abstrato para o reflexo. A sua questão de ser é a sua necessidade de ler. Vaga entre Deleuze, Barthes, Bachelard e Bataille.
Esforça-se para fazer do seu processo criativo uma espécie de transcendência do não-movimento.
Site do Poeta: Almandrade
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