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José Geraldo Neres
http://www.palavreiros.org/josegeraldoneres.htm
Produtor Cultural,
poeta/escritor, co-fundador do Grupo Palavreiros (escritores/poetas
sediados em Diadema/SP), atual Coordenador de Comunicações
e Web-Master do site Palavreiros.
Participou de diversas antologias poéticas,
dentre elas: "Alabastros" (Março/2002)
e "Tempos Perplexos - Poética Social" (Depto
Cultura de Diadema, Diadema/SP - Agosto/2002), "Certas
Cartas e Cartas Certas e outros poemas" Antologia
bilíngüe (português e español)
sem previsão de lançamento.
Como projetos literários no prelo/sem precisão
de lançamento, constam: "Ambrosia",
poesia erótica; "Homo-Sapiens", poemas
soturnos; "Poemas Esparsos", "Poemíninos",
seleção de contos: "Faces, fases & fragmentos" e
as novelas: "O Sobrevivente" e "Terras
Ocultas".
Hoje é co-editor da Revista Eletrônica "Poética
Social" e correspondente da Palavrate.
Tem publicado trabalhos em diversos sites, tais como:
A Arte da Palavra, A Barata, A Cigarra, A Garganta
da Serpente, Blocos on line, Jane Botti, Officina do
Pensamento, PD-Literatura, Nave da Palavra, Sala de
Poetas Mallemont, Vânia Moreira Diniz (como autor
convidado com a coluna "Ambrosia", de poesia
erótica), e outros. Além destes, seus
trabalhos circulam por publicações da
Argentina, España, Portugal, Suíça,
Venezuela e participa das antologias de haikais "Terebess
Asia Online (TAO) - Haiku International / Haicaístas
brasileiros".
Sobre ele, escreve o jornalista, poeta e escritor carioca,
Ricardo Alfaya, editor de Nozarte Informativo Impresso
e Eletrônico:
"
José Geraldo Neres, da nova geração
de poetas de Diadema-SP, vem desenvolvendo uma poesia
lírica, na qual se percebe cada vez mais a tendência à concisão.
Parte de sua produção se volta para a
temática social, como a presente na antologia "Poética
Social: tempos perplexos", coordenada por Beth
Brait Alvim, pelo Departamento de Cultura de Diadema,
2002. Obra que certamente o inspirou a editar na Internet
a revista homônima, "Poética Social",
da qual tenho a satisfação de ser um
dos colaboradores. Nesse setor, sua poesia se revela
vigorosa, manifestando-se em prol das minorias, dos
excluídos, da paz e da justiça entre
os homens.
Outra vertente do poeta se revela mais complexa. Temos
poemas de forte simbolismo, não raro recorrendo
a imagens surrealistas e ao realismo fantástico.
Talvez por essa razão, inclusive, sua poesia
venha tendo boa receptividade por parte de editores
de sites de língua hispânica, que têm
divulgado o trabalho do autor.
José Geraldo vem-se dedicando, igualmente, à poesia
erótica, da qual se acham exemplos no site Escritora
Vânia Moreira Diniz. O gênero faz parte
do "Projeto Ambrosia". A singularidade que
diferencia a poesia erótica de Neres da realizada
pelos demais autores é comentada no penúltimo
parágrafo.
Por fim, há o gosto pela poesia de concisão
máxima, os "poemínimos", trabalhos
nos quais se despoja de todo peso, revelando seu lado
mais leve, espirituoso e observador. Sem dúvida,
nota-se aqui a influência da poesia oriental,
em particular do haicai, que o poeta incorpora a seu
modo bem peculiar.
Entretanto, muitos dos poemínimos combinam a
descontração da escrita, uma fala mais
clara, livre e direta, com a preocupação
social. Como se uma melancolia atrapalhasse a "brincadeira",
nublasse o espírito, deixando no poema um rastro
de sombra. Assim ocorre no belo terceto:
lama negra
sem alegria
brinca uma criança
Aliás, chama a atenção a quantidade
de poemínimos em que crianças são
mencionadas. E o verbo "brincar" aparece
em outro terceto. Agora é o tempo que brinca,
numa imagem simbólica, ambígua, ao mesmo
tempo lúdica e dramática, podendo ainda
servir de exemplo para o que falamos mais adiante sobre
os estados meditativos, nos quais ocorre uma suspensão
do fluxo do pensamento, o que, de certo modo, relaciona-se
também a uma idéia de parada do fluir
do tempo:
O tempo brinca
carruagem suspensa
muralha d'água
Voltando ao tema das crianças, é interessante
como há alternâncias entre momentos de
dor e sofrimento em contraste com outros de entrega
e enleio. Vejamos mais alguns tercetos:
lata na cabeça
criança no ventre
vai aonde?
Gesto
gestante, dor
grita uma criança
leite
sabor de mãe
toco o seu peito
chora a criança
esperança doce
no colo da mãe
samambaia
— embala —
dorme a criança.
Em entrevista a Rodrigo de Sousa Leão, para
a publicação virtual Balacobaco, falei
que em geral se discute pró ou contra a questão
da preponderância da razão ou da emoção
como fonte criadora na poesia. No entanto, há um
outro estado capaz de engendrar um poema: o da meditação.
Do estado de concentração meditativa,
que leva a mente a ficar tranqüila, vazia, deserta,
receptiva, pode emergir o "insight". A julgar
por alguns textos, é bem provável que
certos poemínimos de José Geraldo sejam
fruto de um estado alterado de consciência. São
escritos que parecem resultado de uma situação "alfa" da
consciência. Neles, as paisagens evocadas sugerem
metáforas da mente, quando em estado meditativo.
Além do poema a que já nos referimos
no sétimo parágrafo, observem-se os tercetos:
o vento
acaricia o dia
na relva sonolenta
lentamente
o dia caminha
a trilha do tempo
o silêncio da luz
sorriso-escuro sem força
e o chão
Nestas considerações, ressaltamos muitos
tercetos. Entretanto, outros poemínimos do autor
apresentam número diferenciado de linhas. Para
exemplificar, encerremos com este, no qual aparecem
as características de surrealismo e erotismo
mencionadas anteriormente. Aliás, a sensualidade
na poesia de José Geraldo foge ao trivial. Numa época
em que o "sexo explícito" tornou-se
lugar-comum no gênero, o poeta tem preferido
recorrer à sensualidade implícita, muitas
vezes transformando objetos e elementos da natureza
em sujeitos ou mediadores da ação, conforme
sucede neste criativo poema relacionado ao Gênese:
fruto pecado
maçã morde pêra
macio corpo
jovens
corpos colados
temendo a liberdade
Naturalmente, estivemos longe de esgotar as possibilidades
de leitura dos poemas mencionados. E há vários
outros que nem sequer chegamos a citar, que fariam
jus a uma análise. Nosso intuito foi apenas
de fornecer algumas pistas, dar um retorno ao autor
e também contribuir para que seus poemínimos
consigam do leitor a atenção que merecem".
Ricardo Alfaya explica que para realização
deste trabalho, recorreu a textos de José Geraldo
Neres presentes no livro Poética Social: tempos
perplexos, coordenado por Beth Brait Alvim e também
a poemas e informações constantes dos
seguintes sites da Internet: Grupo Palavreiros de Diadema-SP;
PD-Literatura (em página de março de
2003, apresentando seleção de poemas
do autor por Silvana Guimarães); Portal da Poesia
(de Adriana Zapparoli); e Site da Escritora Vânia
Moreira Diniz.
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