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Luiz Alberto Machado
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LAU SIQUEIRA

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Como já dissera anteriormente, conheci a obra do poeta gaúcho radicado na Paraíba, Lau Siqueira, quando eu editava o tablóide "Nascente - Publicação Lítero-Cultural". Neste mensário fiz publicar na seção de poesias, vários de seus poemas que, evidentemente, muito me chamaram a atenção.

Para conhecer melhor o trabalho dele, está o seu mais recente livro publicado, "Sem meias palavras", onde o poeta Moaci Cyrne adverte: "A poesia de Lau Siqueira, em sendo cortante como uma lämina afiada, em sendo precisa como o vöo de uma águia solitária, em sendo cristalina como a limpidez de versos reveladores, é pura e consistente: tem substância estético-literária, coisa rara entre nossos poetas".

Sobre Lau Siqueira, o poeta pernambucano Frederico Barbosa arremata: "Poucos poetas integrais reviram e revêem a tradição em busca do novo (...) Só quem tem personalidade e coragem para escrever sem meias palavras pode interessa como poeta. Como este tal Lau: poeta integral".

O poeta, crítico de literatura e música popular, Amador Ribeiro Neto, considerou que: "Desde que li o primeiro poema do Lau Siqueira (e foi via internet), sua poesia concisa e substantiva, muito pouco adjetivada, me chamou a atenção. Havia ali uma provocação com o leitor. O sublime do lírico, a irreverência do satírico, o despojamento do coloquial, a reflexão haikaísta, o experimento concreto, o engajamento maiakovskiano.

Estava tudo lá. E ainda uma esbanjada, muito bem trabalhada, com a displicência irresponsável e apressada da Poesia Marginal. (...) O leitor é quem semeia palavras. Tu semeias, sugere o título. Na verdade, o dado lúdico de Lau já se lança na busca de novas decodificações. (...) E o que me provocava nos poemas de Lau, o que me atiçava na busca de novos significados, pude perceber depois, é o deslocamento contínuo que ele promove do referente, numa entonação melódica que mais preenche o leitor de significantes do que de significados propriamente ditos.

Resultado: fazendo uma leitura radial destes significantes o leitor começa a vislumbrar alguns contornos de uma rede de possíveis significações, todas devidamente escamoteadas pela musicalidade de sua poesia. (...) Lau é neobarroco na condensação de significantes que explodem numa cadeia de dissimulações de sentimentos universais, sempre anunciados e adiados. Por isto mesmo este livro faz jus ao chamado de semear palavras. Não idéias. Palavras. A palavra é a matéria de Lau. Objeto de deleite erótico, minimal e neobarroco".

O poeta, crítico, doutor em Literatura e membro da Academia Paraibana de Letras, Hildeberto Barbosa Filho considerou sobre a poesia do Lau Siqueira o seguinte: " (...) Tendo estreado em 1998, com o título pessoano “O Guardador de sorrisos”, Lau Siqueira prossegue, em 2002, com Sem Meias Palavras, exercitando-se, portanto, no ofício da criação poética, o que o faz retomar, por um lado, roteiros estéticos da primeira experiência, porém, por outro, ampliar o espaço expressivo de certas configurações iniciais. Em outros termos, de um livro para o outro, algo prmanece, mas também algo tende a se alargar, a se consolidar, já num plano de insuspeitada maturação poética. Seja no âmbito dos elementos técnico-literários e estilísticos, seja no terreno das componentes temáticas e ideológicas. Permanecem de O Guardador de Sorrisos em Sem Meias Palavras o insistente viés minimalista da expressão, o à vontade prosaico e lúdico da alternativa marginal e uma que outra sedução acidental pelos percursos de uma vanguarda, particularmente os que se formularam em torno da Poesia Concreta e do poema processo. Parece ampliar-se ou adensar-se, no entanto, a consciência metalingüística assim como as forças subjetivas de um lirismo mais atento aos movimentos essenciais da percepção poética.

O viés minimalista parece ser um traço apriorístico do ideário estético do autor. Quer na primeira quer na segunda coletânea, a poesia de Lau Siqueira é toda condensare, arquitetura mínima de parcos elementos, economia pura de linguagem. Todavia, é preciso verificar-se que este minimalismo poético, se se mantém, modifica-se, contudo. Diríamos que a “metalurgia da palavra”, para me valer de uma expressão do próprio autor, não se opera no mesmo grau de agudeza estética de um livro para o outro. (...) A sutileza da percepção, a capacidade de capturar as inversões semânticas dos objetos poéticos e, em certo sentido, uma maior aderância ao apelo metafórico da linguagem revelam , pelo menos nesta instância lírica, que o minimalismo poético de Lau Siqueira se consolida e amadurece. (...) Poeta em exerçicio, poeta em processo, Lau Siqueira, sobretudo com Sem Meias Palavras, demonstra a capacidade típica daqueles que não conseguem ver a poesia, em que a poesia se materizlize em inventivo organismo de linguagem. E que outra coisa seria a poesia se não isso? Herdeiro dos modernos, herdeiro das vanguardas, herdeiro dos poetas marginais, o poeta gaúcho/paraibano parece provar a efetividade das fusões estéticas, sem comprometer as propriedades idiomáticasde um estilo pessoal e as marcações pontuais de um olhar autônomo. Seu trabalho de invenção vocabular, seu minimalismo e sua metalinguagem já começam a garantir, nas cercanias do poema, a sombra viageira da poesia".

O poeta Antônio Mariano também fala sobre a poesia de Lau Siqueira, desta forma: "(...) Um entre tantos bons poetas sitiados no front de resistência às desatenções do mercado editorial, saudemos Lau Siqueira pelas diferenças positivas que ele representa. Bom leitor do mundo, este poeta preocupa-se em transfigurar ditos e não ditos em sua matéria de poesia traduzindo-os, originalmente, para os homens de seu tempo. Dever, ao fim de contas, de todo bom criador".

E, finalmente, o poeta, músico e jornalista, Rodrigo de Souza Leão, diz: "(...) Os poemas do gaúcho radicado na Paraíba, Lau Siqueira, são pérolas poéticas — tamanha é a capacidade criativa do poeta.

Preciso. Econômico. Contundente. Perturbador. Provocante demiurgo entre o bem e o mal divinos e terrenos. Escolhendo sempre o caminho mais exato entre uma e outra vertente poética. Apolíneo. Dionisíaco. Dono do elixir que movimenta o anseio do leitor rumo ao âmago de cada poema, buscando o que não está dito ou o que foi dito pela metade. Mestre do disfarce e do dizer desdizendo. Este é Poeta com P maiúsculo. Lau Siqueira é capaz de cometer versos de impacto total como: ”preciso morrer/de morte natural/pra que ninguém/possa supor/de que bem/é feito meu mal”. Em "Candura" — o poema citado — ele estabelece uma comunicação precisa com o leitor, quando afirma que a morte natural é o único meio para não revelar o bem de que é feita a maldade. Como se o fato de morrer de uma outra forma revelasse alguma verdade maléfica — escondida em meio à bondade — acerca da vida do poeta, ávida por correr entre os canteiros".

Resta, portanto, a você leitor, conhecer de perto a obra de Lau Siqueira.


Site do Poeta: Lau Siqueira

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