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O Flagrante da íris de Paula Valéria de Andrade
Luiz Alberto Machado
A cidade comumente é o cenário de todas as manifestações literárias de relevo, como foi Macondo para Gabriel Garcia Márquez, Pasco do Cerro para Manuel Scorza, Palmares para Hermilo Borba Filho, o Rio de Janeiro para a música de Chico Buarque de Holanda, dentre muitos e muitos outros que usaram a cidade para suas reflexões, expressões e realizações, ficando nesses autores para não haver uma enorme lista para ilustrar o que se quer dizer aqui.
Atenta-se, portanto, para o fato de como Caetano Veloso vira Sampa poeticamente, como o poeta vitoriano James Thomsom versejava que a cidade pertence à noite, quiçá à morte, como John Ruskin, no seu Letters to the Clergy on the Lord´s Prayer the Curch, de 1880, dizia que as grandes cidades da terra tornaram-se “(...) centros asquerosos de fornicação e cobiça – a fumaça que se exala de seus pecados penetra os ossos e as almas da gente do campo que vive ao redor delas, como se cada uma fosse um vulcão cujas cinzas arrebentassem sobre homens e animais”.
Com isso, procura-se evidenciar que a cidade se tornou centro de idealizações que vão desde a teoria da cidade ideal corbusiana de que “(...) as formas construídas de cidades deveriam provir das mãos de seus próprios cidadãos”, à visão howardiana da cidade-jardim, ao vaticínio de H.G.Wells sobre a suburbanização maciça, à visão policêntrica da cidade social de Howard, ao movimento da city beautiful de Burtnham, à receita mágica da rousificação, enfim, da utopia ao real a cidade sempre se manifestara no imaginário artístico para expressão intelectual e artística.
Para Paula Valéria de Andrade:
“A cidade que se vê / aqui do táxi / é maxi / aqui do top cruzamento / escorre / filamentos em filas de luz.
Yellow, red / Binômios beats de 1 rap / (samba, soul, jazz, funcky, swingue, rock and roll).
A cidade que se vê / Do buraco da fechadura / Da minha janela /Não é mais aquela / Onde mostra / O que não passa na TV.
E você / Tudo beat / Tudo pulsa... / Tudo vai e volta / Tudo sobe e desce And don´t break down.
Porque a gente abusa / E ainda por cima usa / Tudo a Kilo que dá prazer”.
E é Por onde a vida corre:
“A cidade corre / e escorre (...) / Escorre no nariz do menino / que vende chiclete (e não é pivete) / Escorre no pára-brisa do carro parado / com hora marcada no lava-jato / E corre no ciclista que se arrisca / trocando de pista / no motorista que avança o sinal / naquele entregador de jornal / e qualquer um que pare, olhe e assusta...corre e / Escorre no suor do camelô da Paulista / do cobrador/ do ascensorista / e também do “seu” douto / se o paciente dele morre / e aí que o motorista da ambulância corre / mete o pé no pedal / e avança o sinal / e nem vê que escorre o nariz do menino que vende / chiclete (e que não é pivete) quando o pai dele tá de / porre / porque não / tem pra quem / contar a vida por onde escorre / e ele chore”.
A cidade então é o universo: “O lugar da íris / o pulsar da íris / a lógica do sistema / a clara moldura do individual mix / o epicentro é teorema / o nutriente do problema / a lógica do sistema / o conteúdo (do que sou) pisca oval / as cores, raças, / os olhares, lugares /buscam na íris aval / quociente de solução mundial / da chave do sistema / íris abre em senha / identidade óptica emblema virtual, / percepção que se tenha: / forma gera poema”.
Ou seja, a poeta e o espaço, o foco e o tempo, sendo pois “Íris digital”:
“(...) o olhar sobre as urbes subumanas, contemporâneas, em seus contrastes tecnológicos e pop-digitais que escorrem – de forma profunda, limpa ou imunda – na fuligem poluída, na lua partida, no céu de néon, ao sol aberto, em meio aos painéis eletrônicos e aos aglomerados. (...) e ao mesmo tempo, traz o código da identidade pessoal e intransferível da nova era digital, a senha de acesso aos lugares”.
É como ela diz “(...) o dito que disse que aparece” no Dito Dígito, “(...) e o que fazer (zás-trás) ao ser feliz, como se quis... (sem pudor)” no Poema Ameaçador. Isto porque “(...) o foco toca o intacto” na Aberta e Torta “Esquina / de meninas. / Augusta / de putas. / Labuta / de ganhar pão / de perder chão / de viver cão” na Prostitute Zone 2.
Da Íris Digital – O mundo, os editores sintetizam assim nas orelhas do livro:
“(...) Paula Valéria vê o palco dos atores anônimos que desfilam suas dores e amores, entre cores, túneis, fossas na multidão, nos espaços da solidão. A graça ou a alegria de andar sem sentido. O retrato fotografado pela poeta vagando na ordem ou no caos”.
Mas há também a Iris digital – o fundo, onde se vê “O eu da poeta, a visão interna, os questionamentos, a busca da tal identidade, o fundo do olho... o que sou eu. O quem é você. Paula Valéria espelha, em sua poesia, sua vivência de palco como cenógrafa e figurinista”. E nessa parte estão os poemas A cor de Deus “(...) Enchendo e transbordando de divina graça humana Azul, amarelo, vermelho, verde...” até o Múltipla do QQ sou (???????) onde “(...) ouse se puder: desabroche tua peleja (dica para quem se remaneja)”.
Essa é a Paula Valéria da Íris Digital, a mesma que pode ser vista na página http://www.grubermedia.com/ProWriting.html, onde reúne sua poesia e sua prosa, seus artigos para o teatro e links para as suas participações na rede, como a de estar figurando entre os colunistas da Cronópios, da Garganta da Serpente, do Portal Blocos e da WMulher.
Vale registrar que ela foi selecionada para participar do Litquake San Francisco Literary Festival 2005, em San Francisco, Estados Unidos, merecendo registro no link http://www.litquake.org/index.php?p=317 e, também, foi selecionada e convidada pelo consulado brasileiro para realizar a leitura de seus poemas do livro Iris Digital na "I Conferencia Brasileira sobre Imigracao" - 2005 - San Francisco University - no East Coast, em San Francisco, novembro de 2005.
Também merece registro o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por seus seis livros infantis, todos com exposições de suas ilustrações na Itália, Holanda e Alemanha; afora outros prêmios da FNLIJ; da APCA, Apetesp e Mambembe, por seu trabalho há 17 anos com cenografia e figurinos para TV, películas e teatro; recebeu também o prêmio-estatueta "O Amigo" pelo concurso "Jogos Florais e Música" em Portugal, com o poema "Mirar Miro" em 2004; e o White Ravens nos Estados Unidos.
Além disso, como visto ela já publicou “IriS digiTaL Poesy(a)”, de poesia, em 2005 pela Editora Escrituras e, também, o livro didático pré-universitário `A Arte em Todos os Sentidos", sobre arte & tecnologia multimedia, em 2000, pela Editora do Brasil.
Por esta razão é verbete como autora no "Dicionario de Literatura Infantil & Juvenil Brasileiro", de Nelly Novaes Coelho e faz parte da Antologia Poetrix de 2003 e da Antologia bilingüe "Letras del Desamor" de 2004 com 70 autores de 16 países entre Argentina, Brasil, Cuba, Portugal e Uruguai.
Por fim, teve seus poemas incluídos na Exposição Sprays Poéticos, da Caravana, realizada na Casa das Rosas/ Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, ao lado de nomes como Alice Ruiz, Rica P e Paulo Leminski.
Em virtude de tudo que aqui foi expresso, ela é a poeta do mês do Guia de Poesia. E para melhor conhecer Paula Valéria de Andrade convido para uma entrevista que ela concedeu à WMulher e à sua página na rede.
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