SobreSites > Poesia > Resenhas > Virna Gonçalves Teixeira
Página Inicial do Guia
Editorial
Portais Poéticos
Poetas Consagrados
Contemporâneos
Poeta do Mês
Entrevistas
Resenhas
Virna Gonçalves Teixeira
Artigos
Bibliotecas Virtuais
Concretismo & Afins
Cordel
Haikai
Revistas Eletrônicas
Associações
Publique
Eventos & Concursos
Fórum
Fale com o Editor
  Poesia
Luiz Alberto Machado
Editor do seu Guia de Poesia na Internet
Google
 
Web www.sobresites.com
VIRNA GONÇALVES TEIXEIRA

Saiba das atualizações por e-mail

Visita, Virna Gonçalves Teixeira

 

Virna Gonçalves Teixeira é poeta, tradutora e neurologista. Ela lançou em 2000, pela editora 7 Letras, o livro “Visita”.

 

Na apresentação livro, Manoel Ricardo de Lima diz: "(...) Virna reage, e de vez, em silêncio e síntese, com seus versos curtos, fragmentados, de um rigor e de uma pesquisa com a linguagem da fala, a esta mítica da poesia dita feminina, abobalhada, dotada de palavras servis ou à cantilena de vísceras sem força da desnecessidade de conquista do mundo. Virna exige o mundo, que dele seu lugar, estar nele, tomar posição e reiterar sentido para, como uma poeta que está entre a confissão e o jogar-se no mundo, na vida, depõe também visceralmente, ma sem perdera noção do olhar para fora, para o que a exterioridade deposita à existência. A poesia de Virna G. Teixeira é assim, sem nenhuma dúvida, nesta estréia em livro, um pequeno preâmbulo de rigor, de um olhar abruptamente cortado, deslocado e, sem o medo do risco, com a matéria-prima do citadino, do cotidiano que sempre desorienta e oblitera existir. Visita é, a meu ver, uma constatação de palavra e um mergulho de pesquisa por um jeito e um trajeto que ainda faça sentido ao poema".

 

Palavras mais que verdadeiras. Tanto é que em "Sala" ela já assinala:

 

", te vi tão

Diverso,

Dedos imersos

Meia de arrastão

Aos passos

De Dick

(Farney)

Olhos felizes

Quatro da manhã".

 

Com este poema, ela nos carrega para "Visita":

 

"Criado-mudo:

Bíblia e

Rosário de contas.

Na cama, ao lado

A nudez

Sem nome".

 

E aí ela atiça o leitor (como atiçou a mim na hora) com "Dorso":

 

"Revestir a nudez

Primeira palavra:

Toque.

Sílabas

Desentendem

O silêncio".

 

Daí, meu amigo e minha amiga, a coisa vai ficando como se Virna estivesse visitando o seu universo quando a gente mesmo é que a visita neste momento de "Outono":

 

"Varanda

Molhar plantas

Pétalas

Olhos debruçados

Tarde cinzenta

Vazia

Pesam as pálpebras

A cidade".

 

E depois ela nos leva por "Percursos", a segunda parte do livro, onde nós somos convidados a testemunhar as inúmeras visitas poéticas de Virna.

 

Pelo que vi, belíssima e inesquecível viagem. Uma viagem que começa volátil, vai para a sala, quarto, regressa, passa pelo dorso, chega numa tarde de maio, passeia pelo outono, usa um binóculos para se acercar das lonjuras, vira Penélope e depois retorna ao passado. Segue seus percursos a partir de janeiro, domingos, museus, meio-dia, caminhos, viagens. Tudo a partir de uma epígrafe da Ana Cristina César: “A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriam para sempre na distância”. Uma visita que é ousadia, porque parte e nem sequer saiu de perto. Uma visita longínqua, porque em si já comunga tudo e todos. Uma visita que não é visita: é a poesia que vai e volta na transcendência poética para ser vida.

 

Virna Teixeira Gonçalves eu aplaudo. E de pé.

 

Para conhecer o trabalho de tradutora de Virna Teixeira, é só acessar o Papel Rascunho (http://papelderascunho.blogspot.com/).


Projeto SobreSites | Sala de Imprensa | Usabilidade
Política de Privacidade | Condições de Uso | Torne-se Editor