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Visita, Virna Gonçalves Teixeira
Virna Gonçalves Teixeira é poeta, tradutora e neurologista. Ela lançou em 2000, pela editora 7 Letras, o livro “Visita”.
Na apresentação livro, Manoel Ricardo de Lima diz: "(...) Virna reage, e de vez, em silêncio e síntese, com seus versos curtos, fragmentados, de um rigor e de uma pesquisa com a linguagem da fala, a esta mítica da poesia dita feminina, abobalhada, dotada de palavras servis ou à cantilena de vísceras sem força da desnecessidade de conquista do mundo. Virna exige o mundo, que dele seu lugar, estar nele, tomar posição e reiterar sentido para, como uma poeta que está entre a confissão e o jogar-se no mundo, na vida, depõe também visceralmente, ma sem perdera noção do olhar para fora, para o que a exterioridade deposita à existência. A poesia de Virna G. Teixeira é assim, sem nenhuma dúvida, nesta estréia em livro, um pequeno preâmbulo de rigor, de um olhar abruptamente cortado, deslocado e, sem o medo do risco, com a matéria-prima do citadino, do cotidiano que sempre desorienta e oblitera existir. Visita é, a meu ver, uma constatação de palavra e um mergulho de pesquisa por um jeito e um trajeto que ainda faça sentido ao poema".
Palavras mais que verdadeiras. Tanto é que em "Sala" ela já assinala:
", te vi tão
Diverso,
Dedos imersos
Meia de arrastão
Aos passos
De Dick
(Farney)
Olhos felizes
Quatro da manhã".
Com este poema, ela nos carrega para "Visita":
"Criado-mudo:
Bíblia e
Rosário de contas.
Na cama, ao lado
A nudez
Sem nome".
E aí ela atiça o leitor (como atiçou a mim na hora) com "Dorso":
"Revestir a nudez
Primeira palavra:
Toque.
Sílabas
Desentendem
O silêncio".
Daí, meu amigo e minha amiga, a coisa vai ficando como se Virna estivesse visitando o seu universo quando a gente mesmo é que a visita neste momento de "Outono":
"Varanda
Molhar plantas
Pétalas
Olhos debruçados
Tarde cinzenta
Vazia
Pesam as pálpebras
A cidade".
E depois ela nos leva por "Percursos", a segunda parte do livro, onde nós somos convidados a testemunhar as inúmeras visitas poéticas de Virna.
Pelo que vi, belíssima e inesquecível viagem. Uma viagem que começa volátil, vai para a sala, quarto, regressa, passa pelo dorso, chega numa tarde de maio, passeia pelo outono, usa um binóculos para se acercar das lonjuras, vira Penélope e depois retorna ao passado. Segue seus percursos a partir de janeiro, domingos, museus, meio-dia, caminhos, viagens. Tudo a partir de uma epígrafe da Ana Cristina César: “A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriam para sempre na distância”. Uma visita que é ousadia, porque parte e nem sequer saiu de perto. Uma visita longínqua, porque em si já comunga tudo e todos. Uma visita que não é visita: é a poesia que vai e volta na transcendência poética para ser vida.
Virna Teixeira Gonçalves eu aplaudo. E de pé.
Para conhecer o trabalho de tradutora de Virna Teixeira, é só acessar o Papel Rascunho (http://papelderascunho.blogspot.com/).
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