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Vânia Moreira Diniz é poeta, escritora, pesquisadora e humanista que já publicou três livros de poesias e está lançando o seu quarto título poético: Vôo na Distância.
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Luiz -
Vânia, como ocorreu a descoberta pela Literatura? |
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Vânia
- Acho que a literatura foi a única coisa que não descobri propriamente. Convivi com ela. Meu avô era escritor. Meu pai escrevia também e, muito cedo, a curiosidade me bateu quando eu via tanto livro à minha volta . Mas confirmei quando no colégio me vi descrevendo um quadro pendurado na parede e a sensação de bem-estar que me dominou. Foi realmente antes de ler qualquer autor. Eu tinha apenas seis anos.
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Luiz -
Como se dá, então, o seu processo de criação?
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Vânia
- Pode ser a qualquer momento ou estimulada por algum fato ocorrido. Simplesmente nessas horas tenho que escrever. Geralmente ele ocorre repentinamente e tenho apenas delineado a idéia. Quando começo a escrever dificilmente paro até que acabe o texto...
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Luiz -
Você mantém um site que abriga diversos escritores e poetas. A seu ver, de que forma a Internet tem contribuído para a difusão da leitura e para o hábito de ler?
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Vânia
- Creio que a Internet é uma fascinação. Muitas pessoas que começaram a navegar nem ao menos pensaram algum dia em escrever. Mas certamente os efeitos visuais, as formatações, as cores estimularam muita gente a ponto de aguçar esse interesse. Mesmo aqueles que as vezes não gostavam de ler passaram a se interessar a partir disso e também da facilidade de ver seu nome exposto e divulgado com facilidade. Isso despertou pessoas que tinham talento mas nem sequer sabiam disso. E de qualquer jeito aumentou o interesse das pessoas na leitura e na literatura.
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Luiz -
Você além de fornada em Letras é pós-graduada em Educação. Como você ver a educação no Brasil?
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Vânia
- A educação é o elemento fundamental do ser humano. Deveria ser a prioridade. Todo o esforço que vem sendo desenvolvido no país não tem atingido o principal objetivo que é oferecer educação a todos, independente de posição social. A educação está sendo desenvolvida em dois eixos : o privado e o público. O que se tem observado é a melhoria da qualidade do setor privado em detrimento ao do setor público. A política de educação do país está na contramão pois vem privilegiando exatamente às classes mais altas. A educação no Brasil tem sido eletista. As
pessoas menos favorecidas são aquelas às quais são negados esses benefícios pelo afastamento do estado na educação. A reserva nas escolas públicas para os excluídos cada vez mais os discrimina. O que deveria ser feito era oferecimento de um ensino de boa qualidade.
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Luiz -
Você desenvolveu um trabalho acadêmico sobre drogas. Como foi essa experiência?
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Vânia
- Primeiramente estudei muito. Dediquei-me em uma fase de minha vida exclusivamente à estudo, entrevistas intensivas com os especialistas e pesquisa de campo. O meu trabalho tinha como objeto o servidor público, não aqueles de elite mas àqueles que acordam cedo, levam os filhos ao colégio, trabalham desestimulados pelo salário e pelas perspectivas. E muitas vezes procuram uma alternativa de esquecimento ou sublimação. Mesmo que ela não seja a melhor. Mas para isso fiz uma pesquisa de campo em todos os lugares em que as drogas podem ser um caminho de fuga.
Subi nos morros, procurei as pessoas que trabalham na noite e também o próprio funcionário que estava desesperado por certas condições. Foi exaustivo mas valeu a pena. Muitas pessoas atingidas por esse terrível mal fizeram seus depoimentos e procuraram ajuda. Reuni alguns dos principais depoimentos que foram incluídos no livro. |
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Luiz -
Você já publicou três livros de poesias e um romance. Por sinal, o romance "Laura" foi, praticamente, o seu primeiro livro. Fale um pouco dessa experiência.
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Vânia
- Laura foi o personagem mais antigo com o qual convivi. Desde pequena a figura de Laura vivia comigo. Só não sabia onde, como e em que circunstâncias. Fiz até três romances que não chegaram ao público com histórias diversas, mas Laura não saía da minha cabeça. Quando resolvi elaborá-lo vivi com ela e os outros personagens como uma extensão da minha própria vida. Sofri imensamente com todos e também pesquisei muito porque ocorre no romance um crime praticado com privação de sentidos e tive que me ater ao aspecto legal. Foram meses que se equipararam a uma
gestação, porque o filho que nasceu quando conclui o romance foi fruto de um amor desmedido pelos meus personagens e principalmente pelo de Laura.
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Luiz -
Como foi que a poesia chegou em Vânia Moreira Diniz. |
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Vânia
- Repentinamente, quando eu menos esperava. Quando comecei a escrever, aos 7 anos só escrevia prosa. Um dia a saudade da minha terra me bateu forte e eu sem querer e sem esperar fiz um poema e não parei mais de fazê-los.
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