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 Psicologia
Marcos Reis
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FAQ (PERGUNTAS MAIS FREQUENTES)

Como fica a questão da neutralidade e do distanciamento entre paciente e terapeuta na psicanalise?

Esta pergunta que você levanta é um tanto polemica e dificilmente dois psicólogos lhe darão a mesma resposta. Na prática da psicoterapia, das muitas classificações existentes, pode-se dividir as abordagens em dois tipos:

1- Psicoterapias não-diretivas - são aquelas em que o psicoterapeuta mantém um distanciamento e um comportamento em que se é evitado a sua exposição e emissão de opiniões. Ex.: Psicanálise clássica, Abordagem Centrada na Pessoa etc.

2 - Psicoterapias diretivas - são aquelas em que o psicoterapeuta têm uma participação ativa no processo. Ex.: Psicoterapia Cognitivo-comportamental, Psicodrama, Terapia familiar estratégica, algumas abordagens neo-psicanaliticas entre outras.

Convém ressaltar que em ambos os tipos de psicoterapia, a intervenção do psicoterapeuta é algo estudado e parcimonioso. A auto-revelação, se usada com autenticidade e no momento apropriado, pode vir a ser algo fortalecedor do rapport entre paciente e psicoterapeuta. Contudo, como diz a máxima de Hipocrates muito utilizada pelos médicos: "primeiro deve-se não fazer o mal". Desta forma, é aconselhado, que as intervenções dos psicoterapeutas sejam pontuais. Somando-se a isso, Freud coloca-nos a questão da transferência e da neurose de transferência por parte do analisando. Porém Psicanálise não é Psicologia, e nem mesmo é ciência. A única coisa que vem a realmente impor parâmetros à pratica do psicólogo, em meio a essa miriade de teorias e abordagens, é o seu código de ética.

Para ilustrar, cito aqui uma pergunta que me fizeram sobre um Psicanalista Lacaniano que convida o paciente para assistir suas palestras sobre conceitos lacanianos, no público ouvinte estando presentes profissionais de outras áreas, inclusive a irmã e a namorada do terapeuta, sendo que esse mesmo profissional, às vezes traz para a sessão, histórias de seus relacionamentos que não deram certo...

Com relação especificamente a esse exemplo, acredito não haverem problemas, mesmo dentro desta perspectiva, haja vista ser uma palestra aberta e não um setting terapêutico. É notório que os seres humanos desempenhem papeis diferentes em ambientes diferentes. O papel de "terapeuta" muitas vezes não é adequado nas situações do cotidiano e vice-versa. Um clássico que trata disso é o livro do sociólogo Erving Goffman - A representação do eu na vida cotidiana.

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