Ken Parker
Sou fã inveterado do personagem. Mas advirto aos apreciadores do gênero faroeste que este não segue o estilo do restante. Não esperem grandes lutas contra os índios em favor da cavalaria, aliás, o que ocorre é mesmo o oposto. Também não se deve aguardar aquele velho antagonismo entre herói e vilão típico das histórias de velho oeste. Ken Parker trabalha mais com a ambigüidade humana. Os personagens são redondos e cheios de contradições internas. Nessas contradições que Berardi [o roteirista] desenvolve as tramas de suas aventuras. Ken Parker faz um grande sucesso na crítica especializada e tem fãs renomados como Laerte Coutinho (autor de Piratas do Tietê); Sidney Gusman (editor do premiado site Universo HQ); Rafael Lima (editor do extinto Mancha Gráfica e atual colunista do Sobrecarga). [Os links anteriores levam para críticas dos respectivos autores sobre Ken Parker.]
Entretanto, o personagem nunca obteve grande sucesso de público. Prova disto é que a coleção em referência indicada por mim, apesar do primoroso trabalho editorial realizado pela Tapejara (selo do CHQ), terminou reduzindo a pífia tiragem de 1000 exemplares para 500. Isso significa que brevemente a teremos esgotado. Para quem quiser conhecer o personagem, sugiro a aventura Terras Brancas [na qual Ken termina chegando ao Ártico após um naufrágio], minha preferida. A coleção é uma reedição daquela produzida nas bancas pela Vecchi, durante os anos 70/80, seguindo inclusive sua numeração. Só mais um aviso: a Submarino às vezes parece fazer uma promoção de dois livros por R$ 44,00. Mas não é promoção nenhuma, dado que cada livro custa R$ 22,00, se você levar os dois, vai pagar mesmo R$ 44,00.

Mafalda
Maravilhosa!!! É tudo que posso dizer sobre a personagem e ainda assim não dá conta dela. A menina de oito anos (que envelheceu durante os anos de publicação) conquista fãs de todas as idades e gêneros. Ainda hoje é uma “coqueluche”. O suficiente para gerar ciúmes por parte de seu autor Quino, que reclama ter o resto de sua obra obscurecido pela personagem (e, de fato, eu gosto bastante do restante da obra do autor também). Mas para gostar de Mafalda é preciso ter algum grau de tendência política para a esquerda. Acho pouco provável que a menina crítica em relação ao mundo ganhe admiradores na direita. O livro que estou indicando contém todas as tiras da Mafalda, a partir do momento em que ela foi publicada em jornais. O que por um lado é bom, mas por outro torna o preço pouco convidativo. Há, entretanto, a alternativa da coleção de bolso, a preço mais convidativo.
[dê uma olhada nas tiras da personagem]

A coleção da Mafalda em livretos. É bem menor que a edição completa, mas o preço compensa.
No site da Submarino, encontrei os exemplares 2 e 3 a R$ 17,09 (melhor que os R$ 22,50 comum à coleção).


O gato do Rabino
John Sfar começou a ser publicado no Brasil somente a partir de 2005, mas na França já é conhecido e renomado há algum tempo. Nos Estados Unidos já foi, inclusive, indicado para o Eisner Award, com a série do Pequeno Vampiro (feito difícil para um europeu). O gato do Rabino é uma obra bem singular. A história começa quando o gato do rabino come seu papagaio e, a partir daí, começa a falar e questionar seu dono. É uma ótima saga e Sfar tem excelente domínio da narrativa seqüencial. Nessa obra, ele coloca diversas questões existenciais e religiosas em jogo. É uma obra de cunho filosófico. Dessas, que nos deixam pensativo após a leitura. A Zahar lançou o primeiro volume do que promete ser uma longa série. A obra - obviamente - trabalha bastante a questão judaica, mas é universal. Foi uma das melhores HQs que li nos tempos recentes.

Laerte
Um dos melhores autores nacionais e herdeiro direto da influência de Henfil. Considero seu humor gráfico o ponto áureo da HQ nacional. Laerte consegue desenvolver uma narrativa brilhante, tanto nas tiras de jornal quanto em histórias mais extensas.

Os livros abaixo representam parte desse brilhantismo. A coletânea Histórias Repentinas merece destaque pelas histórias que considero suas melhores e, no entanto, são as menos conhecidas (talvez por não terem sido publicadas em jornais). Destaque especial para “Insustentável leveza do ser”, que, certamente, vai entrar no
hall das melhores histórias em quadrinhos já produzidas no Brasil (e, adianto, no mundo).

As aventuras de Deus também são excelentes, principalmente nos dois primeiros números da série. O terceiro número, porém, eu não gosto tanto. Acho que o personagem se exauriu um pouco.
[dê uma olhada nas tiras de Deus]
[dê uma olhada nas tiras de A Gata e o Gato]

Angeli
Ou Chiclete com Banana, se preferir, outro dos maiores autores nacionais.
O traço de Angeli, no entanto, é mais próximo do underground americano. A Chiclete fala por si: tem vários álbuns do autor já lançados. Eu, particularmente, não gosto de Luke & Tantra (os personagens mais recentes), mas indico Os Skrotinhos, Wood & Stock e
Mara Tara.
Uma dica para os colhecionadores: quem quer comprar a coleção aos poucos, sugiro começar pela Mara Tara. Explico, é que como ela está sendo publicada pela Melhoramentos, acho pouco provavel que tenha uma nova edição.
Apesar que tudo é sempre um risco. O primeiro volume dos Skrotinhos, por exemplo, anda esgotado.

Crumb
Para quem curte o traço de Angeli [vide acima], Crumb é leitura obrigatória. É uma das grandes influências do underground americano.
A Conrad está lançando a obra do grande mestre. Para os iniciantes, sugiro sua autobiografia “Minha Vida”, Fritz, the Cat (um de seus mais conhecidos personagens) e
Mr. Natural! Zap é uma revista publicada por ele na década de 60, muito boa, mas cujas histórias às vezes são demasiadamente surreais. Blues é, na verdade, uma coletânea de coisas que o autor fez. Boa referência.


Freak Brothers
Sem dúvida, outro grande marco do underground americano. Os três loucos amigos que moram juntos e vivem as mais estapafúrdias aventuras, regadas a muito haxixe, maconha e outras drogas junks. É apologético sim (não sei como não proíbem) mas é muito divertido. A Conrad lançou três livros com os personagens no Brasil.


Borgia – Sangue para o papa
Eu realmente amei essa série. O desenho é do Manara, que já está mais do que consagrado. O argumento, entretanto, é de Alejandro Jodorowky. Sempre considerei a obra de Manara fraca pelo argumento solto (ok, vou ser bombardeado pela crítica). Mas a dupla com Jodorowky resolveu o problema. A história é excelente. Para quem não conhece Manara, advirto que seus quadrinhos são extremamente erotizados com sexo explícito mesmo. Borgia não foge à regra. Também desaconselho para crentes e religiosos (principalmente os católicos).
O segundo volume está na casa dos R$ 30,00, mas a Submarino está fazendo uma promoção com o primeiro abaixo de R$ 25,00. Os dois têm excelente primor gráfico, com capa dura (mérito da boa e velha Conrad).

Joe Sacco
Sacco é jornalista de guerra. Esteve em diversos territórios ocupados, permanecendo neles por um tempo para, em seguida, nos presentear com excelentes reportagens. O diferencial dele para os outros repórteres do gênero é que Sacco optou por fazer suas reportagens em forma de quadrinhos. Suas histórias são documentários e não ficção.


V de Vingança
Apesar de ser menos reverenciada que Watchmen, considero V de Vingança a melhor obra de Allan Moore. Os irmãos Andy Wachowski e Larry Wachowski [os mesmos que fizeram Matrix] acabaram de adaptá-la para o cinema, entretanto, tem atraído críticas negativas. Uma pena! Mas soube que o próprio Moore abandonou as filmagens por não gostar da adaptação. Advirto, porém, que a obra é bem complexa e exige uma grande capacidade de atenção. É uma obra de forte cunho político (de esquerda) e faz apologia ao terrorismo (foi antes da queda das torres). A versão original inglesa era em preto e branco, mas a DC a coloriu.


Sandman
As revistas aqui indicadas são as da Brain Store. É uma excelente alternativa para quem não dispõe de muitos recursos, porque o preço é convidativo (normalmente R$ 7,90). Eu gosto muito do trabalho do Eloyr nessa sua edição. Mas é preciso ser rápido, porque a editora perdeu os direitos sobre o personagem e brevemente acabará esse estoque. Quando isso acontecer, as únicas opções serão os livros da Conrad (atual detentora dos direitos de Sandman), cujo preço tramita na casa dos R$ 60,00.

A coleção da Brain Store é composta por revistas de história seqüenciada. Cada aventura se divide entre 7 e 8 exemplares. Para ter a saga completa, portanto, se gasta, em média, R$ 63,00 [mais o frete] saindo menos em conta do que os livros da Conrad [cujas sagas são as mesmas, só que completas em um único volume de melhor acabamento]. As duas opções podem ser encontradas na Submarino. Mas como a Brain Store não conta mais com os direitos do personagem, quem optar por ela tem que ser rápido ou corre o risco de ter a aventura incompleta.
Sandman – Estação da Brumas
Estação das Brumas é a melhor saga do personagem. Neil Gaiman atingiu seu apogeu. A edição encadernada da Conrad tem a saga completa. E a Submarino fez uma promoção por R$ 47,90 [mais o frete], o que é um bom preço diante dos R$ 60,00 de praxe do mercado. Ainda não tenho esta edição (só a da Globo e a da Brain Store), mas a saga é realmente maravilhosa. Quem não gostar dela é improvável que venha a gostar de Sandman. E, certamente, será minha próxima aquisição (é isso mesmo, vou ter três edições diferentes do Estação das Brumas, mas quem ler vai entender o porquê).

Homem Aranha
Quando fui assistir ao Homem Aranha, no dia da estréia, no Cine Palácio, me senti em 1989. Naquele ano passei por uma situação muito semelhante na estréia de Batman: uma mistura de ansiedade e medo. Medo do que podiam fazer com o personagem e ansiedade pela expectativa de ser algo sensacional. No caso do Homem Aranha, o resultado foi o segundo. O filme é fantástico e a versão dele em DVD tem vários Eggs (ovos). Apesar de que, acho isso uma palhaçada. Se tem material disponível, então deviam colocar ele a disposição e não escondido no DVD. Mas, enfim, coisa de americano. Apesar do filme ser realmente muito bom, não comprei o DVD - e nem pretendo. É que a Warner só lançou versão em Full Scren (aquela imagem adaptada para TV). Sou preciosista nisso. Quero o filme inteiro, e não cortado para tela de TV.

Homem Aranha 2
É impressionante, mas o impensável foi feito: o segundo filme do aracnídeo é ainda melhor do que o primeiro. Esse, eu tenho (versão Wide Screen). O ponto fraco do primeiro filme era a atuação dos personagens (exceção feita para o filho de Osborn). O vilão Duende Verde não tinha o mesmo impacto do Octopus (nem perto). Alfred Molina arrasou no papel do personagem. Muito bom mesmo!!!
O próximo filme, já em produção, parece ter o Venon como vilão (estou supercurioso). Detalhe sobre o DVD: o preço da Submarino anda meio salgado. Quando comprei o meu, paguei R$ 25,00.

Batman Begins
Depois de uma frustrante série de fracassos, o homem-morcego finalmente recebeu um longa-metragem à sua altura. Em Batman Begins, Christopher Nolan (diretor e co-roteirista) baseou-se num dos melhores vilões escritos por Denny O’Neil e desenhado por Neil Adams na década de 70: Ra’s Al Ghul. A trama é ótima. A velha prática fundada a partir do segundo filme de colocar dois vilões não estragou o enredo dessa vez. Dr. Jonathan Crane (o Espantalho) enriquece e dá dinâmica ao filme. Os efeitos visuais foram excelentes. Só a atuação de Christian Bale (no papel de Bruce Wayne/Batman) é que deixou a desejar. Mas, por incrível que possa parecer, não prejudicou o filme.
Cuidado!!! A Submarino vende o DVD duplo a R$ 29,90. Mas o simples, com CD junto, está a R$ 60,00! Não me parece fazer sentido comprar o simples por R$ 60,00 (por mais que tenha um CD junto).

Sin City
Homem Aranha, Batman Begins, Constantine e Sin City! Que belo quarteto de adaptações para a tela este milênio nos deu. Das três, a última certamente é a mais fiel (talvez graças a participação do próprio Frank Miller como co-diretor). Um detalhe engraçado é que se por um lado o trabalho de Miller rendeu maestria à obra, por outro a tirou do circuito comercial. Explico: é que como Miller não é diretor profissional, as entidades de produtores e diretores americanas boicotaram o filme. Ele teve que sair como produção independente. Mérito de Robert Rodriguez (o diretor que convidou Miller para co-dirigir). Miller é o autor da saga de quadrinhos Sin City. Esta, inclusive, também fruto de uma produção independente (após a saída do autor da Marvel e da DC). O filme é muito bom e fiel à obra original. Mas advirto que é bem agressivo e tende a agradar mais homens do que mulheres. O preço ainda é pouco convidativo e há quem espere que diminua nos próximos anos. Eu não vou conseguir esperar tanto.

Sin City a obra
O lançamento do filme trouxe a obra original de volta à tona.
Tem muita coisa esgotada, mas ainda é possível comprar alguns álbuns e a revista a Dama de vermelho. Àqueles que gostaram do filme, sugiro que leiam as histórias e àqueles que gostaram das histórias, sugiro que assistam ao filme.
O preço das edições encadernadas está na casa dos R$ 40,00 (pouco convidativo…) e a revista Dama de vermelho na casa dos R$5,00.

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