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  Histórias em Quadrinhos
Bruno Cruz
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EDITORAS

Devir
O site da editora é bem completo. Como a Devir também é distribuidora, optou por um portal abrangente que apresenta quase todos os títulos do mercado. E as matérias são ótimas. O site funciona também como um portal sobre quadrinhos, melhor - inclusive - do que muitos portais propriamente ditos. Infelizmente, ela insiste em usar um visual escuro, com letras brancas, o que torna a leitura cansativa. Mas o conteúdo é bom o suficiente para valer o esforço. Uma boa novidade é que a editora se deu conta da difícil legibilidade e já está adaptando algumas páginas para fundo branco e letras pretas. Faço votos para que em breve o site inteiro esteja reformulado.

Devir Portugal
A Devir também tem um site (ou sítio, como chamam nossos amigos lusos) em Portugal para falar dos lançamentos além-mar (em português nativo). Resultado: outro portal de quadrinhos. Uma curiosidade é que a editora portuguesa tem lançamentos diferentes da sua vertente nacional. Por exemplo: a Devir lusa está produzindo uma nova versão da antiga Chiclete com Banana. A revista é diferente da que foi publicada aqui pela Circo (entre outras especificidades, há uma presença muito maior da obra de Laerte Coutinho). Bom, se nem as publicações são as mesmas, que dirá o site...
Devir Ibéria
Ela também distribui para os países de língua espanhola e tem um site nesse idioma. Com outras informações (não é uma simples tradução). São loucos esses editores...
Conrad
Outro ótimo portal. Só que a Conrad restringe-se a falar daquilo que ela edita, o que a torna mais limitada do que a Devir. Mesmo assim, no que se refere aos lançamentos da Conrad, o site é supercompleto. A editora foi fundada por um dos ex-editores da Animal e publica, entre outros títulos, a série Vagabound (já completa), Draqgon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Sandman, Freak Brothers, Robert Crumb, Joe Sacco, Allan Sieber, Manara. Chamo a atenção para os álbuns independentes, que possuem rigor editorial incomparável.
Via Lettera
O braço de quadrinhos da Via Lettera é o JP Martins. Conta o boato que o velho JP saiu da sociedade e, portanto, a editora parou sua linha de quadrinhos. Mas esse é um boato extra-oficial. O que foi publicado, publicado está. E a editora continua vendendo seus títulos como Yoshimbo, Do inferno, Estrada para perdição, Estranhos no paraíso. Recentemente, ela lançou a mega série Watchmen, desmentindo os boatos sobre seu afastamento da área de quadrinhos. Resta saber se foi um último espasmo ou uma real retomada...
Brain Store
Do velho e bom Eloir Doin Pacheco (ao contrário do Linus, em relação ao Charlie Brown, eu adoro esse cara). O site é muito bem feito com cara de Comics. Aliás, como era de se esperar de qualquer trabalho feito sob a gerência do Eloir. A editora lançou Preacher, Homem-Animal, V for vendetta, entre outros títulos maravilhosos. Eloir, como sempre, é supercuidadoso e obstinado em seu trabalho.
UBC
Esta é a pagina não oficial da BC (Bonelli Comics – de Tex e companhia). O site é um grande portal sobre os quadrinhos da editora. Muito bom! Tem versão em português, em italiano (é claro!), em francês, em inglês, em alemão, em espanhol, em catalão, em turco, em croata e em mais 11 línguas (ôh, louco!). Aliás, segundo o fã Yudae, a parte brasileira foi traduzida por Julio Schneider – o responsável pela tradução de Tex para o Brasil. Ainda não confirmei a informação, mas como Yudae é muito cioso do que diz, me adiantei.
Mythos
A Mythos foi um espécie de racha da Abril. Fundada por dois ex-editores da casa, Dorival Vitor Lopes e Helcio de Carvalho, ela publicou grandes títulos da UBC (editora do Sergio Bonelli): Marvel Comics, Dc e até a Image. Atualmente, tem terceirizado o trabalho da Panini e centrado esforços onde Dorival Vitor Lopes e Helcio de Carvalho são, realmente, bons: no escritório de editoração.
Panini
O braço brasileiro da editora italiana. A Panini Brasil é responsável atualmente pela publicação dos títulos da Marvel, Dc, Wizard e dos magás Lobo Solitário, Éden, Peach Girl, Shin Chan e Slayers. A editora é bem forte na europa e publica na Itália, França, Reino Unido, Alemanha e Espanha. Detalhe: o Brasil é o único país fora do continente europeu. O site traz matérias, novidades e todos os lançamentos brasileiros.
Opera Graphica
A editora é uma união de Carlos Man com Franco de Rosa, dois dos grandes nomes dos quadrinhos nacionais. O selo tem abrigado grande quantidade de relançamentos de HQs consagradas tanto fora, quanto dentro do Brasil. O site não tem fácil acessibilidade, mas tem muita informação espalhada e escondida. É preciso paciência, mas vale a pena.
JBC
Em suas próprias palavras: "a JBC é a maior editora de mangás do país: A Princesa e o Cavaleiro, Bastard!!, Chobits, Cowboy Bebop, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Gunnm, Inu-Yasha, Love Hina, Love Junkies, Sakura Card Captors, Samurai X, Shaman King, Star Wars, Video Girl Ai, Yu Yu Hakusho e X." Sei que é meio arrogante falar de si próprio nesse tom. Só não causa tanta irritação porque eles são mesmo. Só a Conrad consegue fazer frente a JBC. O site dela, porém, é bem óbvio e não traz tanta novidade...
Marvel
A editora é conhecida pelos seus principais personagens: Homem-Aranha, X-men, Hulk, Capitão América, Vingadores, Demolidor, Quarteto Fantástico. O nome da casa está, também, vinculado a dois dos grandes nomes do Comics: Stan Lee e Jack Kirby. O primeiro com quem, aliás, a editora teve uma série de derrotas judiciais nos últimos anos. Em seu longo tempo de vida, a Marvel passou por diversos estágios. Já foi, junto com a Dc Comics, completamente hegemônica no mercado. Depois, na década de 1990, passou por uma série crise com vários fiascos comerciais. Atualmente, tem focado sua atuação na produção cinematográfica de seus principais títulos. Ela está passando, editorialmente, por uma excelente fase com Marvel Millenium. Chamo a atenção para a saga dos Vingadores, do Homem-Aranha e dos X-men. O site é um megaportal para os diversos produtos da empresa. O foco continua sendo os super-heróis e a menina dos olhos da casa ainda é o espetacular Homem-Aranha (criação da dupla supracitada). O site é na língua pátria da editora: o inglês.

DC
"É um quadrinho? É um desenho animado? É uma televisão? Não. É um cheque de 25 milhões de dólares!" Com este título, Álvaro de Moya abre seu artigo sobre o super-homem na "História da história em quadrinhos". De certo modo a história deste personagem se confunde com a história da National Comics (que mais tarde se transformou em Dc Comics). Longa é a trajetória da editora que lançou não só o super-homem, como também outro dos grandes ícones da era de ouro dos quadrinhos: o Batman. A National teve um lucro excepcional com o super-homem e até hoje há uma longa polêmica sobre o dinheiro que jamais chegou às mãos dos criadores do personagem - Shuster e Siegel. Legítimo, ou não, a editora faturou milhões e comprou grande parte de suas concorrentes criando um megaimpério. Para cada editora comprada, a Dc fazia um universo paralelo. Às vezes, incorporava alguns personagens ao seu universo principal. Outras, produzia cross-overs interligando estes universos. Depois de décadas, havia uma confusão tão grande de Terras paralelas que levou a editora a produzir uma das primeiras megassagas da história dos Comics: A "Crises nas Infinitas Terras". Graças a esta saga, assinada pelo artista George Perez, a Dc pôde reformular suas histórias e reescrever a origem de todos os seus personagens em um único universo. Durante muitos anos, a Dc dominou - junto com sua concorrente, a Marvel - o mercado dos Comics, mas nos anos 1990 ela passou por uma crise financeira com conseqüências menores somente graças à sua compra pela Warner Bross. O site da editora é um portal que divulga seus principais lançamentos. A Dc ainda é reconhecida pelos seus maiores personagens: Super-Homem, Batman, Liga da Justiça, Mulher-Maravilha, Laterna Verde, Aquaman, Gavião Negro, Arqueiro Verde, Monstro do Pântano, Capitão Marvel (há dois personagens com este nome, um deles é da Dc), Flash. Ainda na década de 1990, a editora ficou famosa pela reformulação de outra de suas linhas: a série Vertigo, com personagens que se tornaram lendários, como Sandman e Constantine. O site só tem versão em inglês, infelizmente.

Dark Horse
No final da década de 1980 e durante todo os anos 1990, o mercado de Comics sofreu uma grande mudança. As duas grandes gigantes - que por quase meio século reinaram soberanas - a Marvel e a Dc, perderam a hegemonia. Uma grande quantidade de pequenas editoras surgiu nessa época. A maioria delas sumiu na virada do milênio. Mas uma, em especial, se manteve: a Dark Horse. A editora terminou se transformando numa espécie de refúgio do Comics independente. Hoje, ela agrega os principais títulos de manga, que são editados nos Estados Unidos (inclusive o famoso Lobo solitário), Sin City (a mais famosa obra autoral de Frank Miller), Conan (ex-produto da Marvel Comics), Herlboy, Star Wars, Incredibles (Os incríveis, da Disney), B.P.R.D., entre outros títulos. O site não tem um visual muito atrativo, mas possui algumas entrevistas interessantes, um release de cada título e algumas resenhas boas, mas é preciso dominar o inglês (único idioma no qual o site está disponível).
Globo
O site é fraquíssimo e praticamente só serve para vender assinaturas. Entretanto, durante os anos 1980 (quando eu comecei a colecionar quadrinhos) enquanto o mercado americano era dividido pela Dc e pela Marvel, aqui no Brasil nós só tínhamos a RGE (atual Globo) e a Abril Cultural nas bancas. As duas disputaram bastante o material das gigantes americanas. Além da Marvel e da Dc, RGE publicou o Recruta Zero, Fantasma, Gasparzinho, Mandrake, Tex, entre outros títulos. Quando as organizações Globo (das quais a RGE era o braço de revistas) adquiriram a Editora Globo do Rio Grande do Sul, ganhando o direito à marca também no ramo editorial, a editora conseguiu tirar o Maurício de Souza do catálogo de sua rival. Hoje, sua atuação no mercado de quadrinhos restringe-se às publicações dos estúdios Maurício de Souza, O sítio do Picapau Amarelo e o Menino Maluquinho, de Ziraldo.
Abril
O site traz alguns breves releases das publicações que estão sendo colocadas nas bancas. A história da Abril está fortemente vinculada aos quadrinhos. Na década de 1950, a Abril começou a publicar o conteúdo Disney no Brasil. Ela foi responsável por um estúdio que reuniu importantes nomes do quadrinho nacional. Há uma forte polêmica sobre o peso do anonimato ao qual a editora e seus sócios americanos infringiram aos criadores brasileiros. Sabe-se que quase todas as histórias envolvendo Zé Carioca, a Patada e Urtigão foram produzidas no Brasil, mas não se sabe por quem. Há, inclusive, personagens criados em nosso país, como o Biquinho. A editora também foi responsável pela perseguição que retirou Álvaro de Moya do mercado. Ela se tornou hegemônica no mercado de quadrinhos de banca brasileiro durante os anos 80 e 90, tendo como adversária apenas a RGE (que se tornou Globo) e uma pequena concorrência da Bloch. A queda da editora coincide com a morte de seu fundador: Victor Civita. A Abril produziu inúmeros títulos da Disney, do Maurício de Souza, da Marvel, da Dc, da Turma da Luluzinha, de Hanna-Barbera, da Turma do Picapau. Atualmente, seu braço de quadrinhos restringe-se ao material Disney (incluindo Os incríveis), Witch e Spaw. Um legado pequeno, para quem foi gigante.
Outras editoras brasileiras
Há algumas editoras nacionais que, acredito, merecem menção num guia de quadrinhos, mas cujos site não tiveram a preocupação de trazer nenhum material específico, além do respectivo catálogo. A primeira é a Zahar, que recentemente tem traduzido material francês. Aliás, aproveito para fazer uma breve observação: a França (tal qual o Japão) produz uma quantidade absurda de quadrinhos de excelente qualidade (os franceses são quase um mundo à parte no que se refere aos álbuns de quadrinhos). A imensa maioria, infelizmente, não chega ao nosso país. Atualmente, a JBC e a Conrad têm feito um excelente trabalho com o material nipônico. Espero que a Zahar faça algo semelhante com os quadrinhos franceses. Por enquanto, ela tem lançado os álbuns do indiano Smudja (que romanceia histórias com os grandes pintores do século XIX), a obra de Proust em quadrinhos (de Stéphane Heuet), o Pequeno Vampiro (de Joann Sfar) e o Gato do Rabino (do mesmo autor). A segunda editora possui valor histórico: a LP&M. Quando quase nenhuma editora se aventurava a produzir álbuns, entre a extinção da antiga Cedibra e o surgimento da Via Lettera, a LP&M fez um trabalho hercúleo e abasteceu as livrarias com excelentes títulos, desde os nacionais: Avenida Brasil, As cobras, Rango; até os internacionais: Manara, Crepax, Hagar, Garfield, Peanutus. Foram quase 15 anos em que ela esteve praticamente sozinha. A terceira editora é uma das gigantes do mercado editorial: a Record. Quando o velho Ota (Otacílio D'Assunção) ficou orfão da antiga Vecchi, foi acolhido pela Record. Durante os anos 90, a editora produziu - além do antigo Asterix - MAD, Love & Rockets, Martin Mistére, Diabolik. Atualmente, ela só mantém o gaulês em seu catálogo. A quarta editora é a Martins Fontes, responsável pela tradução da obra de Quino no Brasil. Durante a década de 1980, ela dividiu um pouco do trabalho da LP&M pelo selo Opera Gráfica e lançou alguns títulos como Manara, Guido Crepax, Bilal, entre outros. A quinta que não pode deixar de figurar nesta lista é a Companhia das Letras, não só por publicar parte da obra do mestre Will Eisner e alguns títulos independentes, mas, principalmente, por trazer de volta ao mercado brasileiro o belga Tintin. A última editora que irá figurar nesta lista é a Olho D'Água. A editora é pequena e só tem um título de quadrinhos em seu catálogo: Deus, segundo Laerte. Alguns podem me perguntar por que eu a coloquei aqui. Bem, Deus é Deus, é tudo que posso responder.
In Memoriam
Termino esta seção citando algumas outras editoras que deixaram sua marca na história dos quadrinhos no Brasil, mas que o tempo acabou levando. A primeira é O Malho, que lançou a famosa Tico-tico. Grande marco do mercado de quadrinhos brasileiro do início do século passado. A segunda é a Ebal, de Adolfo Aizen. A editora foi pioneira e deixou um legado gigantesco. Aizen produziu uma grande quantidade de material nacional e preparou muitos dos artistas brasileiros. A editora adaptou várias obras literárias para o formato de quadrinhos e fez uma infindável quantidade de dramatizações de momentos históricos. A Ebal também publicou material da Marvel, Dc, Faroeste e personagens como o Príncipe Valente, Tom e Jerry, Pica-pau, Rintintin, Lassie, Pernalonga, Tarzan, Buck Rogers, Joe Sopapo, Joel Ciclone, Flash Gordon, Mandrake, Dick Tracy, Fantasma, Zorro. Aizen reuniu um grande acervo de quadrinhos que disponibilizou ao público em uma biblioteca aberta na sede da editora. Em minhas lembranças de infância, uma das mais marcantes eram minhas visitas ao "mercado de revistinhas" que a Ebal também mantinha em sua sede. Outra editora que não poderia deixar de constar nesta seção é a velha Vecchi (me desculpem a redundância). Tendo Otacílio D'Assunção como principal editor, a Vecchi publicou Tex, MAD, Brasinha, Ken Parker, Diabolik e serviu de amparo e estímulo aos artistas brasileiros de terror. Abro ainda uma homenagem a Grafipar que, numa tentativa inovadora, publicou o material de uma cooperativa de artistas brasileiros. Durante o período militar, tivemos também a Codecri publicando a fantástica obra do mestre Henfil: Os fradins. Incluo nesta seção, é claro, a antiga Bloch, que publicou o material da Marvel Comics no final da década de 1970, com um desastroso trabalho de colorização que subvertia todos os personagens da editora americana. Entre as piores aberrações, cito a capa rosa com armadura amarela do Doutor Destino. Mas, por outro lado, a Bloch também foi importante pelo excelente material brasileiro publicado sob o título das revistas Os Trapalhões. E não me atreveria a esquecer a Cedibra, que por muito tempo foi responsável pelos álbuns de Asterix e Mortadelo & Salaminho em nosso país. Em seus momentos derradeiros, a editora se aventurou ao mercado de banca e publicou Lobo Solitário, American Flag, Baddger, Green Jack, John Sable e Tartarugas Ninjas. Infelizmente, para os brasileiros, foram os últimos espasmos da Cedibra. Fechando esta seção, homenageio a D'Arte, do mestre Rodolpho Zalla, que durante duas décadas continuou publicando o material de terror nacional em seus dois únicos títulos: Calafrio e Mestres do Terror.
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