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 Reggae
Alexandre Frassini
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ENTREVISTAS

Um dos principais personagens do mundo Reggae brasileiro. Ras Bernardo, é considerado por muitos o estopim do movimento. Ciente de suas responsabilidades, Ras Bernardo atendeu o Guia do Reggae para um bate papo. Valeu irmão...

Alexandre - Como é ser considerado um ícone da música reggae brasileira?

Ras Bernardo - É uma honra muito grande, e é conseqüência de um trabalho que eu venho insistindo, militando há muito tempo. Isso vem da minha preocupação com as letras, na minha vontade de usar a música como uma maneira de passar uma mensagem. Por isso, até hoje o público vem me colocando no alto. Fico feliz com essa responsabilidade que me dão.

Dentro de um contexto, qual a importância do Rio de Janeiro e principalmente dos movimentos que você integrou, para o cenário Reggae atual?

RB – Tudo começou aqui, então a vantagem da cidade foi o fato do Rio é uma vitrine. Então os outros estados acabaram absorvendo e se inspirando nas diversas formas de expressão. No caso do reggae, é muito importante este movimento estar aí até hoje. É um orgulho participar dele, que só tende a crescer.

Imagino que em cada encontro daquela época, criava-se amizade, debatiam-se idéias e ideais, que virava festa, que inspirava músicas e tudo mais. Hoje em dia somos carentes de movimentos como esse. O que fazer para que essa chama se acenda sem cair nos degraus de ONGS ou outros órgãos que sempre são questionados com relação a sua identidade?

RB - As pessoas sentem muita falta de movimentos. Eu acredito que o movimento reggae está crescendo, mas é preciso organização e integração para ele tomar sua forma. Naquela época a gente tinha a união, mas faltavam informações. Hoje temos mais facilidades devido à Internet. O reggae na se unindo na comunidade virtual. Um exemplo legal é o My Space. No meu (www.myspace.com/rasbernardo) eu já tive contato com várias artistas de fora.

Voltando agora para o lado musical, como foi seu “retiro” nas terras sagradas da Jamaica?

RB - Fui para a Jamaica em 1991 e aprendi muito. Eu esperava uma coisa muito rústica, todo mundo ouvindo Bob Marley, mas quando eu cheguei já tinham outros estilos: dancehall, raggamuffing. Isso foi um aprendizado muito importante. A Jamaica não pára no tempo, ela está sempre se atualizando e isso é um exemplo pro Brasil.

E sua visão sobre a relação entre o reggae brasileiro e o jamaicano? Combinam-se ou nem se comparam?

RB – Os dois têm muito a ver e sempre se combinaram. O Brasil e a Jamaica têm muitas coisas em comum, principalmente na sua origem e no talento pra música.

“O morro não tem Playground...”, “ Nosso ídolos estão ao lado”... “Eu dou graças a Deus que eu me salvei”... Hoje algumas bandas preferem o caminho de letras vazias de mensagens, mas cheia de mercado. Você sempre remou contra a maré. Vale a pena?

RB – Sempre vai valer a pena quando se tem uma ideologia, um propósito e pensamos nessa questão como uma missão. Sem essa de me vender barato pra cantar coisas que não são do meu coração. O mais importante é ter um objetivo, um ideal e acreditar nisso. Ninguém vai ver falsidade no nosso trabalho ou nas nossas palavras.

Assim como aqui em São Paulo João Terra resgata a favela em suas letras, Celso Moretti canta o reggae favela em Minas Gerais, aí no Rio de Janeiro a favela inspira praticamente todos os estilos musicais inclusive o Reggae. Na sua opinião, ela é a grande inspiração da musica reggae?

RB - As inspiração são os problemas sociais. A favela sofre todos eles, ela é um núcleo dessa miséria. Por isso é um tema recorrente, mas não a grande inspiração do reggae.

Numa entrevista que fiz para o Guia, com dois amigos José Alex do Sul e Febuk do Nordeste, constatei que a mesma diferença social já conhecida entre essas regiões, também aparece no espaço e incentivo musical. Na sua opinião, o que fazer para que esse problema não interfira nas safras futuras de novas bandas?

RB – Mudar a realidade que nunca mudou: miséria, violência, desigualdade social, falta de educação, falta de emprego, de oportunidades mesmo. O Brasil precisa evoluir e se descobrir pra não perder talentos.

Pra finalizar, comente a nova fase, os novos projetos e mande uma mensagem para os leitores do Guia.

RB – Estou muito entusiasmado com a minha nova fase. Estou ralando há 10 anos e com a expectativa desse disco novo, o Jah é Luz. O que mais gosto de fazer é cantar reggae da melhor forma possível. O reggae é como uma árvore: nós temos quer preservar as raízes, mas com a consciência que temos que renovar as folhas. Assim vamos mudar o mundo para melhor, vamos atingir novas eras.

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