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Anderson Silva do Nascimento
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AMERICAN IDIOT
 


Vou começar diferente esta resenha, de cara já afirmando que "American Idiot" saiu do insípido ano de 2004 para entrar para a história. E com certeza este disco conseguiu garimpar um lugar entre os maiores discos de todos os tempos.

Alguns fatores temos que levar em consideração, o Green Day é uma banda Punk, das quais sempre esperamos mais do mesmo, Rock pungente, agressivo e urgente. No caso do Green Day, temos notado uma evolução desde o "Nimrod", que acentuou-se com lançamento de 'Warning". O estopim acabou sendo com o álbum ao qual vos falo. "American Idiot" tem de tudo um pouco em sua receita, "The Who", ópera-Rock, anos 60, modernos arranjos, trucagens de estúdio, política, letras maduras, muita crítica à sociedade americana, e um conceito de álbum integrado daqueles que contam uma história, ou várias histórias.

O primeiro single "American Idiot", que abre o disco e intitula o álbum veio como um furacão em meio à um momento completamente voltado para o política (leia-se americana), e no olho deste furacão, mensagens contra alienação e propaganda, caiu direitinho como uma luva no cenário americano da época, e de agora, por que não?
A primeira ópera Rock do disco "Jesus of Suburbia" com seus nove minutos, deverá junto com o restante do disco virar musical, e lembra de cara o disco "Tommy" do Who. A seqüência que se divide em cinco partes também critica a televisão e conta a história de um tal de "Jesus of Suburbia", que é o foco e se desenrola durante todo o álbum. Muito legal. A sonoridade passa por obviamente punk'70, Who e até Beach Boys.

O frescor de "Holiday", a faixa que se segue, é interrompido com um discurso inflamado e político, mas tudo isso dentro do contexto musical, não há nada flutuando neste disco e seu caldeirão de influências. Pois bem, a cama então está feita para "Boulevard of Broken Dreams", o segundo single do álbum, onde após o "bombardeio" de "Holiday", o personagem caminha sozinho na cidade sem saber se ainda está vivo, todo o cenário bem embalado em uma balada de profundo peso. Ou será que foi tudo um sonho? A quinta faixa, o hino "Are We The Waiting", questiona a história do "Jesus of Suburbia".

Talvez o som mais pesado que lembre o Punk comum e o Green Day do início de carreira seja St. Jimmy, porrada, de letra pesada. Daí o tal do Jimmy volta aconselhando uma "viagem" regada a novacaine, em uma balada sobre drogas e fuga da realidade.

"She's a rebel" é outro punkizinho que lembra o Green da primeira fase. A letra pode ser talvez a inspiração da capa do disco "...ela está abraçada ao meu coração como uma granada de mão".

O caldeirão de influências do álbum é tão interessante que chega ao extremo (para uma banda Punk) de lembrar os anos 60 em "Extraordinary Girl", que traz todos os ingredientes que embalaram as músicas dos Beatles e dos Beach Boys nessa década, desde a letra com um grande frescor adolescente (Beatles na primeira fase) e do som prog-pop (Beach Boys segunda fase).

A carta bomba "Letterbomb" outro punk bem sacado, precede a música que emocionou-me na primeira audição "Wake me up when setember ends", uma balada arrasadora de letra caprichada que permite mais de uma interpretação. Tem tudo para ser mais um hit do álbum.

A próxima faixa é a segunda ópera-Rock do álbum que vem para finalizar a história do álbum, e claro, mais uma vez cheia de influências do Who.
"Whatsername", encerra o disco com um som que mistura o retrô com o Punk tradicional.

Um belo disco que com quase uma hora de duração consegue passar batido e sem em momento algum ser entediante, pelo contrário apesar de as músicas serem uma história se ouvidas na seqüência, elas conseguem funcionar separadas também, o que está levando as músicas para o rádio.
Brilhante trabalho de uma banda que mostrou que tem que ser levada a sério.


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