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 Socialismo
Prof. Bernardo Kocher 
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A REFUNDAÇÃO COMUNISTA ITALIANA


O Partido da Refundação Comunista Italiana foi criado nos primeiros dias de Fevereiro de 1991, em Rimini, logo após a reunião que definiu a mudança de sigla do antigo PCI para PDS. Ao novo partido comunista filiavam-se os grupos minoritários situados historicamente mais à esquerda no ex-PCI e que eram grandes críticos em relação aos resultados do compromisso histórico e aos rumos do próprio eurocomunismo.

Para Refundação Comunista Italiana era o momento de repensar o passado recente do ex-PCI, o movimento comunista internacional, as diversas experiências de revoluções socialistas, em especial, a Revolução Russa, a Cubana e a Chinesa. Tratava-se, sobretudo de retomar a autocrítica e recolocar o socialismo como resposta à onda neoliberal que nos cinco primeiros anos de história do partido parecia triunfar absoluta sobre seus maiores adversários. 

Nos primeiros anos foram enormes as pressões pela unificação das esquerdas italianas em torno de uma grande frente-partido de esquerda, aglutinada pelo PDS. Até então o PRC ainda não havia conseguido elaborar uma resposta mais precisa perante a realidade de seus 8% de representatividade junto ao eleitorado italiano. Sua insistência encontrava motivação na ambição de fazer uma política diversa, de atuar sobre a realidade, de contribuir para criar movimentos e ações de massas. 

As três décadas anteriores foram fundamentais para consolidar uma lição: a autonomia política dos comunistas na Itália é uma das condições para que se fomente a autonomia dos movimentos político-sociais e para que se esgote ou se dilua a propensão à trégua social e ao silêncio das massas, de modo que estas tomem a palavra em meio aos conflitos sociais. Este aspecto realça uma crítica ao comportamento ambíguo do ex-PCI principalmente nos anos 70 e 80, onde os desdobramentos tático-estratégicos foram gradualmente abandonando a perspectiva socialista, o que segundo o PRC revela um desprezo pelo campo de pesquisa em prol da transformação da sociedade capitalista, substituindo-o por uma retórica que esconda a incapacidade de compreensão acerca deste novo ciclo do desenvolvimento capitalista iniciado a pouco mais de 20 anos.

Para a Refundação torna-se fundamental retornar a Marx e a construção do pensamento revolucionário clássico para refletir sobre o século XX, principalmente sobre o pós-guerra, de modo e reconstruir uma hipótese de transformação social frente à globalização da economia. A opção do PRC não é só genericamente anticapitalista, o retorno a Marx representa a retomada do gigantesco desafio de resistir às formas de opressão que se reproduzem pelas atuais condições de trabalho e de vida. O comunismo de Marx representa a vitória sobre a escassez, ou seja, a possibilidade de satisfazer largamente em tudo as necessidades que se manifestam historicamente. Representa ainda a formação politécnica e polivalente dos indivíduos de modo a consentir uma permutação indefinida, permuta dos encargos produtivos mais variados e dos encargos administrativos, de gestão e de livre criação, para permitir à derrubada das especializações, dos mutilamentos e das estratificações sociais e a realização da autogestão a partir dos indivíduos associados e de sua prática social. E por fim, representa a abolição do trabalho como obrigação, imposto pela miséria e por fins externos, abolição que supõe o desaparecimento da escassez em todas as suas formas, inclusive a escassez de tempo. 

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