Na Comunidade Ufológica Brasileira há estudiosos de todos os tipos, muitas vezes desconhecidos do grande público, que abraçam a causa de forma inusitada e apaixonada. Às vezes, suas atividades produzem excelentes resultados, contribuindo significativamente para o avanço da compreensão de como operam e o que desejam na Terra nossos visitantes extra-terrestres. Esse é o caso do consultor de UFO e especialista em abduções Mário Nogueira Rangel, 68 anos, hoje com certeza o maior conhecedor da questão em nosso país. Rangel é um estudioso que se manteve discreto durante várias décadas, fazendo um trabalho notável de coleta de informações sobre ocorrências ufológicas, e profunda investigação das abduções que ocorrem no Brasil. Mas o fez em quase total anonimato, comentando suas experiências no máximo com pesquisadores mais próximos e evitando aparecer, mesmo em congressos sobre o tema.
Agora, Rangel julgou ser o momento certo para vir a público e expor o que descobriu, e não poderia ser em melhor hora! Ele acaba de lançar pela Biblioteca UFO seu primeiro livro, Seqüestros Alienígenas: Investigando Ufologia com e sem Hipnose, um documento como nunca se viu no país. A obra reúne dezenas de casos de Ufologia e abdução, pesquisados pelo autor quase sempre com o uso de hipnose regressiva, ora sozinho, ora acompanhado de outros experientes ufólogos. Diretor aposentado da Encyclopaedia Britannica, piloto civil e viajante que explorou mais de 70 países, Rangel é um consagrado hipnólogo. Decidiu há décadas, acompanhado por pioneiros de nossa Ufologia, aplicar seus conhecimentos na investigação ufológica. O resultado foi espantoso, como se pode constatar em seu livro, já à venda. A obra é a primeira editada pela Biblioteca UFO neste Terceiro Milênio e, para falar mais sobre seu trabalho, Rangel recebeu o editor de UFO A. J. Gevaerd para uma entrevista.
Gevaerd - Você já era hipnólogo antes de ingressar na Ufologia. O que o fez decidir empregar seus conhecimentos nessa área para investigar abduções?
Mário Rangel - Foi puro acaso. Ao fazer hipnoses com outras finalidades encontrei pessoas que relataram eventos ufológicos. Um frentista de posto de gasolina e uma estudante viram UFOs à pequena distância, e uma jovem senhora grávida narrou uma dramática abdução, quando foi levada para dentro de uma nave muito baixa, onde foi roubada. Essas três hipnoses foram feitas com 15 meses de diferença. Sobre o último caso, muito mais complexo que os anteriores, redigi um relatório e o enviei a um parapsicólogo e a ufólogos muito atuantes na época. Todos me responderam. O presidente da Associação de Pesquisas Exológicas (APEX), já extinta, o médico e hipnólogo doutor Max Berezovsky, convidou-me para fazer várias hipnoses em pessoas que o procuravam narrando os mais diversos casos ufológicos, não apenas abduções. Trabalhávamos também em casos de Parapsicologia. Eu anotava tudo. Acho que formamos uma dupla muito produtiva. Ele conseguia os casos, eu fazia as hipnoses e a pesquisa inicial, ele prosseguia e eu concluía. Sempre havia muitos convidados dele assistindo aos trabalhos. Como na época eu era diretor de uma multinacional, não me convinha que esse trabalho fosse de conhecimento de meus colegas de empresa. Por isso, o doutor Max coordenava os casos, os convidados, o local - sua residência ou seu consultório -, a gravação de som e imagem. Eu só fazia minhas anotações e hipnotizava. Esse trabalho era feito à noite e nos finais de semana, sem prejudicar minhas atividades profissionais.
Gevaerd - Depois de tantos anos submetendo abduzidos à hipnose, está satisfeito com o que encontrou?
Mário Rangel - Eu considero 13 de maio de 1979 o início de minha pesquisa em Ufologia. São quase 22 anos. Sempre gratuitamente. O leitor julgará se valeu a pena. Penso que meu livro reúne uma quantidade de casos que vai aumentar significativamen-te a casuística ufológica brasileira. Ele é também uma homenagem a tantos ufólogos com os quais tive o prazer de trabalhar, e que me assistiram hipnotizando. Como a quase totalidade dos pesquisados, sejam ou não abduzidos, não desejam ser identificados, referir a presença desses ufólogos é muito importante. Nenhuma pessoa é obrigada a acreditar em mim. Mas ninguém da área vai duvidar da palavra de alguns dos mais importantes ufólogos brasileiros que estavam presentes. Estou certo que eles confirmarão a veracidade dos casos que assistiram. Poderá haver pequenas divergências. Em alguns casos não houve testemunhas, mas mesmo assim quis registrá-los. Como sou piloto civil ouvi algumas histórias de pilotos, que não são contadas a pessoas de fora da comunidade Aeronáutica. Estou satisfeito com o resultado desse trabalho. Poderia ter sido melhor, como tudo na vida. Mas entendo que é um respeitável acervo.
Gevaerd - Muitos estudiosos alegam que a hipnose regressiva não é um instrumento eficaz ou mesmo apropriado para se investigar abduções. Como você responde a essas afirmações?
Mário Rangel - Conheço as restrições feitas ao uso da hipnose regressiva e à sua eficácia. Inicialmente, quero dizer que os mais importantes casos da Ufologia mundial foram obtidos através do uso da hipnose. Os filmes com casos ufológicos reais são baseados em depoimentos obtidos pela hipnose. Erros humanos ocorrem em todas as profissões: os historiadores e os tradutores tradicionalmente erram. Os líderes religiosos erram e os maiores desentendimentos entre pessoas no mundo atual se devem às divergências religiosas. Erros legais têm levado inocentes à cadeia. Os erros de médicos, motoristas e pilotos costumam ter conseqüências dramáticas. Os hipnólogos também erram. Garanto que fiz todo o esforço possível para não errar, mas ninguém é perfeito. Há pessoas que por natureza são críticas. Das pessoas assistindo a um jogo de futebol muitas acharão que o juiz prejudicou sempre o seu time, nunca o adversário. Não há nenhum outro instrumento conhecido mais eficiente do que a hipnose para pesquisar os casos de amnésia provocada, ou tempo perdido, tão freqüentes na Ufologia.
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