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  Usabilidade
Alex Castro
Editor do seu Guia de Usabilidade na Internet
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Web www.sobresites.com
BLOG DE USABILIDADE
Usabilidade de Elevadores e de Banheiros

O excelente Mauro Ventura, repórter especial de O Globo, relata em seu blog alguns de seus dramas causados por má usabilidade. É leitura interessantíssima. Mostra, por um lado, como a má usabilidade afeta, e muito, a vida dos usuários e, por outro, como nós, consultores de usabilidade, ainda somos necessários nesse mundo:

Modernidades

Vou a um restaurante recém-reformado e empaco diante do banheiro. Antes das obras, um lavatório mostrava a letra "H", de homem, e o outro a letra "M", de mulher. Simples assim. Agora, confuso, vejo-me diante de um "O" com o desenho de um alho e de um "A" com a ilustração de uma pimenta. Sem pensar direito, abro a porta da pimenta, no que sou detido por um garçom.

- É o outro - ele diz, antes de consolar-me: - Muita gente se confunde.

Logo depois cai a ficha. O designer fez uma escolha por gênero. Usou o "O" - e o alho - para designar homem, já que a letra significa o artigo definido masculino singular.

É uma moda que se espalha por aí e que daqui a pouco vai fazer surgir a profissão de fiscal de porta de banheiro. Uma amiga fala de um lavatório no exterior que mostrava um círculo e um triângulo. Ela ficou sem saber onde entrar e teve que esperar outra cliente aparecer para então segui-la. Neste caso eu não teria dúvidas, graças ao livro "Código Da Vinci", que estou lendo. Lá pelas tantas, o autor fala da célebre imagem desenhada por Da Vinci, que mostra um homem dentro de um círculo com os braços e pernas esticados. O escritor explica que o pintor queria simbolizar o equilíbrio entre o homem e a mulher. O círculo é um símbolo feminino, pois indica acolhimento e proteção. Mas vai explicar isso para alguém apertado?

Sopa de letrinhas

Saio da festa, tomo o elevador e me vejo diante de um dilema: qual botão apertar? Quero sair do prédio, mas não vejo nenhum T, de térreo, ou S, de saída. Há um P, um E, um A, um AP, um FP e um AE. Aperto o P, mas não é portaria e sim playground. Tento o E e dou de cara com o estacionamento. Arrisco o A, e novamente vejos carros à minha frente. Os outros botões não provocam qualquer movimento no elevador.

Depois de muito tentar, saio e desço os andares de escada. Pergunto ao porteiro onde afinal era a saída e ele diz que era mesmo no A. Só que como eu peguei o elevador de serviço acabei não vendo a entrada social. AP, continua ele, significa abrir porta, e FP, fechar porta. AE é o botão de emergência.

- A empresa disse que, como nós atendemos aos moradores, o A quer dizer atendimento. Mas todo visitante fica confuso. Não entendo porque complicar - desabafa ele.

O porteiro está cheio de razão. O painel dos elevadores hoje parece até o alfabeto, de tanta letra que tem: A, E, G, L, P, PO, S, SL, SS, T. Um do mais estranhos é PI, que não significa pilotis e sim mezanino. Uma amiga explica que é PI de piso intermediário.

Tempos atrás, teve um dia em que eu, confuso dentro do elevador, também fiquei indeciso sobre o que o A queria dizer e escrevi: "Quem sabe significa 'abaixo', 'abrigo', 'apoio', 'armadilha', 'abrir', 'ajuda', 'auditório' ou 'automático'? Nenhuma das alternativas me parece convincente. Talvez seja A de 'asfalto', como sinônimo de rua. Não, metafórico demais. Ou então A de 'além'. Muito mórbido. Presumo que seja A de 'até', como se o edifício estivesse se despedindo do visitante com um 'até breve' ou um 'até logo'. Simpático, mas pouco provável. Acaso não seria 'arriba', já que os espanhóis estão invadindo o Brasil? Não, eu estava descendo e não subindo."

Daquela vez também acabei saindo e pegando a escada.

Na época, o porteiro me disse que era A de atrium. Fazia sentido, já que atrium significa "pátio que dá acesso a um prédio". Resolvida a questão? Ainda não. O engenheiro e consultor Paulo Juarez Dal Monte, que trabalha com o assunto há 27 anos, esclarece-me que a letra A significa na verdade "acesso". Ele diz ainda por que o velho e bom T, de térreo, tem sido substituído pelo A. Da década de 70 para cá, cada vez mais os botões são digitais. As letras e números, que eram pintados, passaram a ser iluminados, como num relógio digital. A letra A, por exemplo, é facilmente formada pelos traços de luz. Mas não é possível representar o T e ele foi aposentado. Palavra de especialista: o engenheiro escreveu o livro "Elevadores e escadas rolantes", o mais completo trabalho já publicado no país sobre o tema, com 526 páginas e 383 imagens."

DizVentura, o blog de Mauro Ventura.

Postado em: 27/08/2004 20:31:48

Usabilidade de Newsletter


Quem trabalha com mídia online, conhece o Blue Bus. Leio diariamente e assino o newsletter há anos. É indispensável.
NewsletterO newsletter, porém, tem um erro de usabilidade sério e bastante irritante. Abram a figura ao lado e me acompanhem.

Primeiro, vem o tagline: Blue Bus todo mundo le. Beleza.

Depois, um blurb auto-promocional que acho meio desnecessário, mas que também não me incomoda: Este boletim e distribuido para mais de 18,000 usuarios cadastrados ativos 3 vezes por dia (manha, tarde e noite)

Na verdade, vou confessar que leio esse newsletter há anos e só agora, nesse momento, ao escrever essa matéria, reparei nesse blurb. Talvez tenha sido acrescentado recentemente. Se não, apenas prova como os usuários simplesmente se treinam para não ver o que não lhes interessa. Como é uma informação relevante somente para poucos usuários, recomendaria colocá-la no rodapé, para não ser mais um obstáculo no caminho do leitor em direção às notícias que ele quer de fato ler.

A seguir, o link: Leia agora - http://www.bluebus.com.br, e as próprias manchetes.

Enfim!, o usuário pensa. É aqui que eu quero chegar. Ele lê todas as manchetes avidamente e fica interessadíssimo em ir ao Blue Bus saber mais.

E cadê o link? Não tem.

Há mais um blurb, Blue Bus, audiencia 100% formadores de opiniao e tomadores de decisao, e o único link visível é para a seção de cadastro, caso eu queira modificar ou cancelar minha assinatura: Voce está recebendo este email porque se cadastrou em BB. Para alterar seus dados, cancelar o serviço ou ler a politica de privacidade de Blue Bus, entre em http://www.bluebus.com.br/cadastro.frm

A Questão do Fluxo

Interfaces devem indicar um fluxo de navegação ao usuário. Mesmo que existam dezenas de opções a seguir, a empresa tem que saber, claramente, qual é a opção que ela deseja que o usuário siga e qual opção a maioria dos usuários quer seguir. No melhor dos mundos, elas serão uma só.

O que o Blue Bus mais deseja? Que depois de ler as manchetes, o usuário clique no link e vá para o site.

O que o usuário, assinante voluntário da newsletter, mais deseja? Uma vez aberto seu apetite pelas manchetes, ele quer clicar no link para ir ao site e ler as matérias completas.

Convergência total. Não poderia ser mais perfeito.

Mas o link não está lá.

Clique Adiado É Clique Perdido

Pelo contrário, no momento em que o usuário mais quer clicar em alguma coisa, o único link mostrado para ele é o link do cadastro, para cancelar minha assinatura.

É um raciocínio inverso ao das compras por impulso no caixa do supermercado.

Aproveitando que estou no meu momento mais suscetível (interessado nas manchetes e querendo clicar em alguma coisa), ao invés do site me dizer: Então, por que não clica aqui agora para ler as notícias e gerar pageviews para nós?, eles dizem: Então, por que não aproveita para modificar ou cancelar sua assinatura?

Diariamente, sou obrigado a dar um duplo scroll na newsletter do Blue Bus. Scroll para baixo, para ler as manchetes, e scroll para cima, para clicar no link.

Muitas vezes, acaba que eu nem clico no link, estou sempre com dez janelas abertas, alguém me chama, perco o foco. Clique adiado é clique perdido, Se o link estivesse logo ali, disponível, no momento em que desejo clicá-lo, eu clicaria todas as vezes.Escada

Escada Rolante de Shopping Center

Shopping centers gostam de nos obrigar a longas caminhadas. Uma escada rolante é aqui, a outra é lá do outro lado do andar.

Irritante? Sempre. Mas, pelo menos, a razão é bem clara: o shopping sabe que, quanto mais caminharmos ali dentro, maiores as chances de comprarmos alguma coisa.

Afinal, eles precisam sobreviver.

Em relação ao Blue Bus, entretanto, não dá pra entender porque me obrigam a esse périplo pela newsletter. Todo mundo perde.

Adoro o Blue Bus mas, todos os dias, esse duplo scroll me gera um segundo ou dois de irritação. Se você considerar que leio o Blue Bus desde 1999, ele já me gerou uma hora de pura irritação. Bastante coisa.

Na verdade, quem me dera todos os problemas de usabilidade fossem assim tão fáceis de resolver. Os blurbs podem até ficar onde estão, mas basta colocar a linha Leia agora - http://www.bluebus.com.br logo abaixo das manchetes. Pronto.

Dezoito mil assinantes vão ficar mais satisfeitos amanhã de manhã.

Melhor, garanto que a taxa de conversão do newsletter vai crescer.

Último e Emocionado Apelo

Já que estou aqui mesmo, deixa eu dar mais um pitaco.

O formato texto, sem acentos, valia a pena em 1999, quando muita gente ainda usava programas de email antiquados. Hoje em dia, acho que já dá pra presumir que quase todos os leitores da Blue Bus, formadores de opinião em uma área de tecnologia de ponta, não teriam mais problemas com emails em html.

Entendo que isso deve ser uma decisão estratégica, então nem falo mais nada, mas faço um último e emocionado apelo.

Sou jornalista, homem de conteúdo. A língua portuguesa é minha amiga e minha ferramenta. Muitos outros leitores têm o perfil semelhante ao meu e devem compartilhar minha dor. Ler as manchetes sem acento me causa pontadas no coração.

Mesmo mantendo o formato texto, será que não dava para acentuar os newsletters?


Postado em: 22/07/2004 22:48:10

Site de Detonação Nuclear Rejeitado por Infringir a Regra dos Três Cliques

Uma das regras de Usabilidade defende que qualquer parte importante de um site deve estar a, no máximo, três cliques da home.

Infelizmente, um estudo pelo expert Jakob Nielsen descobriu que o Presidente dos Estados Unidos precisaria de, pelo menos, nove cliques para detonar uma guerra atômica que exterminaria a vida no planeta. Com tantos cliques assim, diz o expert, existe o perigo de que o Presidente médio dos Estados Unidos possa perder o interesse e deixar de declarar o armagedon iminente para, quem sabe, ir checar os quadrinhos do jornal.

Leia o texto completo abaixo:

"Nuclear Launch Website Slammed for More-Than-Three-Clicks Interface

The website interface to the nuclear arsenal of the USA is to be completely re-written from scratch following an assessment by usability guru Jakob Nielsen last week.

Nielsen identified several glaring errors in the fundamental design of the site which, he says, may have prevented full-on global thermonuclear war from breaking out on more than one occasion.

The US Defense (sic) Department paid $4,500 per day for the consultancy, which took just one week. Among the problems identified were:

Non-intuitive icon based interface, with insufficient explanation of the meanings of the different symbols.

Use of frames, which are not supported by browsers prior to version 3.0

An over-long Flash intro movie with no 'Skip' capability

Bloated HTML code and unoptimised GIF and JPEG graphics, slowing the download of the page, particularly for Presidents with 56K modems.

But by far the worst crime committed by the designers is, says Nielsen, "the fact that it currently takes seven clicks to launch an all-out nuclear attack on an enemy nation. I mean, who the hell designed this thing anyway? An infinite number of monkeys? Have they never heard of the Three Click Rule? I honestly thought I'd put an end to this kind of idiocy when I published Designing Website Usability, but apparently I needn't have bothered."

The "Three Click Rule" states that all relevant parts of a website should be accessible within three mouse-clicks of the home-page. If more clicks than this are required, there is a very real danger that the average President of the United States Of America may lose interest, and call off the impending Armageddon, maybe deciding to check today's Doodie instead.

"I dread to think how many potential strikes have been lost through this simple, easily-avoidable mistake," moans Nielsen. "Just a simple jump-menu to allow the President to skip straight to the launch page would suffice."

The company responsible for the site, Funky Frootloop Designs, Inc., have defended what they call their "innovative, cutting-edge" site.

"The problem with this Nielsen dude is that he's stuck in 1997, guy," says Jon Latham, Creative Director at Frootloop. "Jump-menus are so dull. Functional design is important, yeah, but we wanted to create an experience that would draw the President in, an interactive process that actually makes him want to participate in a process that would almost certainly result in the annihilation of all life on Earth."

"Except cockroaches," interjects Flash expert Mike Hoepke.

"Yeah, except cockroaches," agrees Latham. "What you've got to understand is that, key to the whole Frootloop ethic is that each project we undertake should push the boundaries of the web that little bit further. We have to embrace new technologies like Flash and Beatnik, and come up with innovative uses for them, to enhance the nuclear launch process."

Hoepke explains: "Studies have shown that, while the President may abort a nuclear attack because of the imprecise nature of the interface, the site is more likely to stick in his mind if the Flash intro movie has sufficient impact. This increases the chance that he will return to the site at a later date, and quite possibly destroy every living thing on the face of the planet on one of those subsequent visits."

"Except cockroaches," he finishes.


Fonte: The Untitled Document (infelizmente, o site parece estar morto há anos)

Postado em: 03/07/2004 20:18:51

Plágio e Usabilidade

Eu até entendo as pessoas mentirem. O que eu não entendo são aquelas mentiras que são tão fáceis de pegar que só fazem humilhar o mentiroso.

Plágio de textos de blogs é coisa comum. A blogosfera é gigantesca, são boas as chances de você nunca ser descoberto.

Mas o mercado de Usabilidade é um ovo. E o mercado de Usabilidade lusófono é um ovo de codorna. Todo mundo circula pela mesma meia dúzia de sites e blogs. As chances do seu plágio não ser percebido são ínfimas.

Meu conselho: se você pretende viver de Usabilidade, escrever seus próprios textos sobre o assunto é um bom começo.

Plágio

Estava usando o Technorati para ver quem linka pra cá, e descobri o simpático blog Idéias Digitais, da portuguesa Inês Amaral. Subitamente, no post de 7 de abril, eu me deparo com um trecho muito familiar:

O"A Usabilidade é uma metodologia científica aplicada na criação e remodelação de interfaces de websites, intranets, aplicativos e produtos de modo a torná-los fáceis de aprender e de usar.

Benefícios da Usabilidade

- Maior número de transacções bem sucedidas
- Diminuição da evasão de utilizadores por desistência
- Aumento da eficiência do site/produto
- Menores custos de formação
- Maior fidelidade do utilizador ao produto
- Percepção positiva da empresa"


Esse textinho foi originalmente escrito por mim para a página de Usabilidade do SobreSites Consultoria, em 2001. Em 2002, a SobreSites Consultoria virou Usability e esse texto atualmente mora no site corporativo da empresa.

Eis a versão original:O

"Usabilidade é uma metodologia científica aplicada na criação e remodelação de interfaces de sites, intranets, aplicativos, jogos e produtos de modo a torná-las fáceis de aprender e de usar.

Benefícios da Usabilidade

- Maior número de transações bem sucedidas no site
- Diminuição da evasão de usuários por desistência
- Aumento da eficiência de seu site/intranet
- Custo menor de suporte e treinamento
- Maior fidelidade do usuário ao seu aplicativo ou jogo
- Percepção positiva da empresa"


Reparem que o safado tirou as referências aos jogos. Aparentemente, para ele, jogos não precisam de Usabilidade.

Além disso, teve a pachorra de lusitanizar o texto, trocando usuários por utilizadores, e outras pequenas mudanças. Também trocou o gênero de "torná-las" para "torná-los", pois interface, em Portugal, é masculino.

Quem É O Culpado?

Aparentemente, não a Inês. O trechinho, também citado em seu outro blog, Conversas de Café, ela tirou de um terceiro site. Mas, como a Inês é uma boa menina, ela segue a prática culturalmente aceita nos meios intelectuais do Ocidente: cita a fonte do texto e ainda dá o link. Fui atrás.

Que coisa feia. O meu texto plagiado (e outros!, mas já chego lá) estava no site Ergonomia Online, portal dos alunos da Licenciatura em Ergonomia da Faculdade de Motricidade Humana - Universidade Técnica de Lisboa.

Não é um site oficial da universidade, mas é um site universitário, caramba! Que tipo de profissional essas pessoas vão ser? Você pagaria para um plagiador analisar sua interface?

Para constar, o Departamento de Ergonomia da FMH é dirigido pelo Prof. Doutor Francisco Rebelo.

Mais Plágio

A seção de Avaliação Heurística do Ergonomia Online foi quase que completamente chupada da página de Avaliação Heurística do site corporativo da Usability.

Observe as incríveis coincidências de conteúdo:

OErgonomia Online:

"Análise Heurística

Os peritos em usabilidade realizam, individualmente, uma avaliação heurística da interface com base numa lista pré-determinada de critérios de navegação e usabilidade. Cada critério é analisado em separado pelos consultores, que verificam se a interface apresenta problemas em relação àquele critério, e qual o grau de severidade do problema.

Escala de Gravidade dos Problemas de Usabilidade

A gravidade de um problema de usabilidade é uma combinação de três factores:

Frequência: quantas vezes ocorre? É comum ou é raro?

Impacto: é fácil ou difícil de ser superado pelos utilizadores?

Persistência: é um problema que afecta os utilzadores apenas uma vez (e depois de aprender a resolvê-lo, o problema desaparece) ou é um problema que vai incomodar os utilizadores várias vezes?"


Usability:O

"Os experts em usabilidade realizarão, individualmente, avaliação heurística da interface com base em uma lista pré-determinada de critérios de navegação e usabilidade. Cada critério será analisado em separado pelos consultores, que julgarão se a interface apresenta problemas em relação àquele critério, e qual o grau de severidade do problema.

Escala de Gravidade dos Problemas de Usabilidade

A gravidade de um problema de usabilidade é uma combinação de três fatores:

- Freqüência: quantas vezes ele ocorre na interface? É comum ou é raro?

- Impacto: ele é fácil ou difícil de ser superado pelos usuários?

- Persistência: é um problema que afeta os usuários somente uma vez (e depois que o usuário aprende como resolvê-lo, ele desaparece) ou é um problema que vai incomodar os usuários repetidas vezes?"


Estranhamente, nenhum dos meus três sites sobre Usabilidade, todos bastante populares, aparece na página de links do Ergonomia Online: esse blog, o meu Guia de Usabilidade e o site corporativo da Usability.

Por que será?

Plágio com Fins Comerciais?

Alguns de vocês devem estar pensando que fiquei histérico, que estou fazendo tempestade em copo d'água. Pode ser, mas também sou escritor profissional e trabalhei a vida inteira com conteúdo. Encontrar um parágrafo meu no site de outra pessoa, sem crédito, sem link, com erros de concordância!, é muito perturbador.

Aí, você bate no meu ombro e diz: deixa pra lá, Alexandre. É só um bando de estudantes, todo mundo é meio sem noção nessa idade. Devem ter feito o site correndo, pegaram uma coisa daqui, outra dali e esqueceram de dar o crédito.

É. Coitadinhos. Me dá uma pena.

DetalheSó um tem um problema: no rodapé da página de Avaliação Heurística do Ergonomia Online, há o seguinte aviso: "(para mais informações consulte: www.seisdeagosto.com)"

O Seis de Agosto é mantido pelo espanhol Juan Leal, ex-aluno do curso de Ergonomia da FMH. Verdade seja dita, naveguei o Seis de Agosto todo e não encontrei nenhum conteúdo que pudesse ser identificado como plágio, de mim ou de outros.

Não consegui ainda decifrar o mistério desse plágio. Por enquanto, estou apenas compartilhando com vocês (e, mais importante, registrando oficialmente) todos os dados que apurei.

Resposta do Prof. Doutor Francisco Rebelo

O Prof. Doutor Francisco Rebelo, responsável pelo Departamento de Ergonomia da FMH, me mandou o seguinte email malcriado:

"É com profunda indignação que vos respondo. Não existe nenhuma relação entre o site do Departamento de Ergonomia da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, com os sites referidos. O facto de alguns antigos alunos nesta Faculdade, que agora são ergonomistas no mercado, terem "plagiado as vossas informações" não nos responsabiliza de nada. Seria o mesmo que chamar bandido a um Professor de uma Universidade de Direito pelo facto de um antigo aluno ter comedido um homicídio. Assim exijo um pedido de desculpas e que se retire as informações infelizes colocadas no vosso site."

Caro professor, tem razão de ficar indignado. Eu também fiquei, enquanto plagiado, e também ficaria se soubesse que meus alunos, ou ex-alunos, são plagiadores. O fato de serem agora "ergonomistas" no mercado é triste. Não vejo porque eu teria que pedir desculpas pelo "ofensa" de mostrar publicamente o crime que seus alunos, ou ex-alunos, cometeram contra mim.

Por fim, qualquer boa vontade que eu pudesse ter em relação ao senhor sumiu quando vi o "plagiado as vossas informações" entre aspas. Se duvida de mim, vá apurar minhas denúncias. Passar bem.

Resposta do Webmaster Ivo Gomes

O webmaster do Ergonomia Online, Ivo Gomes, cujo email é ergo@sapo.pt, me mandou a seguinte mensagem:

"Alguns conteudos a que se refere foram sem dúvida copiados do seu site e sem a devida autorização. Tem razão em manifestar a sua indignação em relação a este aspecto, no entanto não tem razão ao apontar as responsabilidades para o departamento de ergonomia da faculdade de motricidade humana, nem para a universidade nem para o prof. francisco rebelo uma vez que o site foi construido por alunos e é independente da universidade. O site oficial da faculdade é http://www.fmh.utl.pt/ergonomia. Os conteúdos copiados do seu site foram os relativos aos benefícios da usabilidade e à análise heurística. Como o site é concebido com a colaboração dos alunos, vou tomar providências para identificar o aluno responsável pelo texto e retirar os conteúdos copiados do seu site. (...) Finalmente só quero dizer que o site Ergonomia Online não tem fins comerciais nem lucrativos, serve apenas para divulgar a ergonomia e a aplicação que ela pode ter no dia-a-dia em lingua portuguesa."

Os trechos apagados se referiam a correções no meu texto que eu já fiz.

Agradeço ao Ivo a rapidez na resposta e a educação no tom.

O conteúdo plagiado já foi retirado do ar, mas eu ainda assim gostaria de saber o nome dos responsáveis.

O que não vai sair do ar é esse post. Certas coisas não devem ser esquecidas e plágio é uma delas.

Postado em: 25/06/2004 02:47:41

The Visual Thesaurus


Não, esse blog não morreu, nem vai morrer. Mas março e abril é quando todo mundo decide fazer tudo o que foi sendo adiado desde novembro e ficamos inundados de trabalho. Naturalmente, entre novembro e março, quando ninguém faz nada, temos tempo de sobra para escrever.

Estou com um post bem interessante programado, mas antes, preciso dar uma olhada em uma cópia do Design of Everyday Things. Deve ir ao ar nos próximos dias.

Agradeço a todos os que visitam e comentam. Adorei suas opiniões e sugestões sobre o mistério da máquina de café.

Linquem para gente que linkamos de volta pra vocês. É só avisar.

Por enquanto, fiquem com esse link sensacional, imperdível para qualquer um que trabalhe com design de interação ou arquitetura da informação: The Visual Thesaurus.

Postado em: 25/06/2004 02:41:34

Usabilidade de Máquina de Café


A vida é um Teste de Usabilidade.

Eu e minha sócia estávamos passando o dia em cliente. Ela foi se servir de café, voltou, eu fui me servir de café, voltei. Ficamos conversando sobre o projeto em questão até que eu reparei na cara feia dela:

"O que foi?"

"Argh, o café está muito doce. Não tinha como vir sem açúcar."

"É," Concordei "Eu também não vi."

Mas aquilo ficou me encucando. Especialmente a certeza dela. Ela não disse que não descobriu como fazer o café vir sem açúcar: ela disse que não tinha como vir sem açúcar.

No meio da reunião, me levantei e fui até a máquina.

Obviamente, havia uma opção para que o café viesse sem açúcar. Estranhamente, entretanto, a opção estava bem vísivel, era o primeiro ítem no topo da lista de seleções e ainda estava em cor diferente, em vermelho.

Como conseguimos não ver?

Teste de Usabilidade Espontâneo

De qualquer modo, o Teste de Usabilidade da Vida estava feito e a máquina não passou. 100% dos dois usuários testados (uma amostra pequena, é verdade) não encontraram a opção que buscavam. Isso é fato. Inquestionável.

Cabe a nós tentar descobrir por quê.

Não é fácil. Em uma segunda análise, a máquina não poderia ser mais clara. A opção "Regular Açúcar" está duplamente destacada, tanto por seu posicionamento (é a primeira) quanto graficamente (é a única em cor diferente, e vermelho ainda por cima).

Mas não podemos manipular os resultados do teste. A máquina não passou. Por quê?

Critério Heurístico: Naturalidade da Linguagem

Sou homem de conteúdo, então talvez eu esteja sendo parcial, mas só uma explicação me parece factível.

O verbo regular, significando dosar, é muito pouco usado no Brasil. Para um brasileiro médio, a palavra regular evoca lembranças de conceitos escolares, bom, regular, fraco. Como a palavra está sendo usada numa acepção incomum, o usuário nem mesmo a reconhece num relance.

Além disso, usuários escaneando as opções de uma interface, principalmente se lendo uma lista, não lêem cada ítem até o fim. Seus olhos se movimentam verticalmente, lendo apenas as primeiras palavras de cada linha, e depois descendo.

Minha teoria: nossos olhos passaram batidos pela palavra regular que, pra nós, naquele contexto, não queria dizer nada, e foram direto para as opções de sabores de café mais abaixo, nunca nem registrando a palavra açúcar ao lado de regular.

Primeira pergunta: vocês concordam com a teoria? O que mais acham que pode ter causado o problema?

Segunda, e mais importante: dado o resultado catastrófico do nosso Teste de Usabilidade espontâneo, o que vocês modificariam na interface da máquina?
Postado em: 08/05/2004 02:55:36

Usabilidade de Cabide

As coisas mais simples às vezes são as que mais precisam de Usabilidade.

Meu guarda-roupa é arrumadinho. Mas tenho problemas para movimentar minhas roupas daqui pra lá. Sempre que tento tirar várias roupas de uma vez só, nunca consigo. Alguns cabides estão voltados pra dentro, outros pra fora. Acabo sempre tendo que tirá-los um por um.

Já tentei instituir métodos. O cabide sempre fica com o gancho voltado para fora. Mas não dá certo. Quem é que lembra disso na hora de guardar roupa?

Sempre achei que fosse um daqueles problemas simples, mas sem solução.

Até que encontrei esse cabide, de gancho giratório.

Poderia ser mais simples, mais genial, mais usável?

















Postado em: 22/04/2004 02:07:56

Mais Placas



Cancela do estacionamento do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

A placa é insólita e chega a ser engraçada, mas não é por isso que vamos deixar de reconhecer seu valor.

O texto torna-se totalmente irrelevante para acompanhar uma placa tão forte, tão viva. Em um relance, já somos informados, sem margem para dúvidas, do que não podemos fazer e de qual será a penalidade para desobedecermos a proibição.

Namoro essa placa há tempos. A foto foi tirada pela Isabel, minha sócia na Usability, pois eu estava sem a minha câmera no dia.

Já o Sérgio, da Sirius, que fica no Downtown, nunca tinha reparado a placa, mas sentiu sua falta na pele, ou melhor, no cocoruto: vinha entrando no shopping lendo distraidamente o jornal e levou com essa mesma cancela na cabeça.

Postado em: 10/04/2004 15:10:56
 
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